Justiça / Investigação
Paulo Guedes é investigado pela PF por suspeitas de crimes financeiros envolvendo empresa de criptomoedas
Inquérito sigiloso tramita na Justiça Federal do Paraná e também inclui empresário responsável pela OnilX, alvo de reclamações de investidores e medidas da CVM
29/10/2026
07:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ex-ministro da Economia Paulo Guedes, que integrou o governo de Jair Bolsonaro, é investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A apuração também envolve o empresário Fábio Lino de Almeida, responsável pela OnilX, empresa que atua no mercado de criptomoedas e enfrenta ações judiciais de investidores que relatam dificuldades para recuperar recursos aplicados.
A existência do inquérito foi revelada pelo portal Metrópoles, com base em documentos judiciais obtidos pela reportagem. O procedimento foi instaurado em 10 de fevereiro de 2026, tramita sob sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba, no Paraná, e conta com a participação do Ministério Público Federal (MPF).
Os dois aparecem como investigados no procedimento, que tem como assunto principal possíveis infrações à Lei nº 7.492/1986, responsável por definir crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
A abertura de um inquérito não significa que os investigados tenham cometido os delitos. A investigação busca esclarecer os fatos e identificar eventuais responsabilidades.
Relação de Guedes com a empresa
Segundo a apuração do Metrópoles, Paulo Guedes prestou serviços de consultoria à OnilX e participou de reuniões estratégicas, encontros com potenciais investidores e apresentações relacionadas às atividades da companhia.
O ex-ministro também teve sua imagem utilizada em materiais institucionais da empresa. Em uma publicação, apareceu ao lado de Fábio Lino e de representantes da Visa, durante uma reunião apresentada pela OnilX como estratégica para seus negócios.
Guedes ainda participou de palestras destinadas a investidores e assessores comerciais. Em um desses eventos, realizado para aproximadamente 500 pessoas, elogiou a companhia e destacou suas perspectivas no mercado digital.
A participação do ex-ministro passou a ser mencionada em processos judiciais apresentados por clientes da empresa.
Investidores relatam dificuldades para recuperar dinheiro
Em uma das ações, um casal cobra R$ 876,5 mil da OnilX. Os autores afirmam que decidiram manter e ampliar suas aplicações depois de participar de uma reunião com Paulo Guedes na sede da companhia, em abril.
Segundo o relato apresentado à Justiça, a tentativa de resgatar os recursos, realizada quatro meses depois, não teve sucesso.
Em outro processo, uma assessora comercial teria utilizado o nome do ex-ministro para atrair um potencial investidor.
Conforme mensagem anexada aos autos, ela afirmou que Guedes participava das atividades da empresa e que poderia ser agendada uma reunião com ele para discutir investimentos entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões.
Esses relatos fazem parte das alegações apresentadas por investidores e não demonstram, isoladamente, participação do ex-ministro em eventuais irregularidades.
CVM determinou suspensão de ofertas
A OnilX também foi alvo de medidas administrativas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Em janeiro de 2026, a autarquia determinou a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários realizadas pelo grupo.
A decisão foi mantida em abril, quando a CVM esclareceu que a restrição não abrangia a simples intermediação de criptoativos, como Bitcoin, Ethereum e USDT, desde que não envolvesse promessa de rendimento ou contrato caracterizado como investimento coletivo sujeito à regulamentação.
A distinção é relevante porque a fiscalização da CVM depende das características dos produtos oferecidos e das obrigações previstas na legislação.
Mais de 100 ações judiciais identificadas
Levantamento realizado pelo Metrópoles identificou 108 ações judiciais contra o grupo OnilX entre 12 de junho e 10 de setembro de 2026.
Os processos incluem reclamações de clientes que afirmam não conseguir resgatar valores aplicados em operações relacionadas a criptomoedas e stablecoins.
Alguns investidores também levantaram suspeitas de funcionamento de uma possível pirâmide financeira, hipótese que depende de investigação e comprovação.
A OnilX nega as acusações e sustenta que suas atividades são regulares no mercado de ativos virtuais.
Investigação segue sob sigilo
Os registros processuais consultados pela reportagem indicam que o inquérito continuou em andamento nos últimos meses.
Em 21 de setembro, foram registrados despacho judicial e expedição de intimações relacionadas a Fábio Lino, à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal.
Durante outubro, o procedimento teve novas movimentações, incluindo petições e diligências policiais.
O sigilo impede o conhecimento público de todos os elementos reunidos pelos investigadores e das condutas específicas atribuídas a cada investigado.
Defesa não se manifestou
Paulo Guedes é representado pelos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, que também constam como defensores de Fábio Lino no inquérito.
Procurada pelo Metrópoles, a defesa não respondeu aos pedidos de manifestação até a publicação da reportagem.
O espaço permanece aberto para esclarecimentos dos investigados e de seus representantes.
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