Política / Justiça
Possível saída de Flávio Bolsonaro do Brasil amplia lista de aliados investigados ou condenados que foram ao exterior
Informações sobre viagem do senador aos EUA ainda dependem de confirmação oficial; Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli, Alexandre Ramagem e Silvinei Vasques protagonizaram outros casos.
27/10/2026
16:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
As informações sobre uma possível saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, dois dias após sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial, reacenderam a discussão sobre integrantes do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro que deixaram o país ou tentaram viajar ao exterior em meio a investigações, condenações e restrições judiciais.
Nesta terça-feira (27), aliados próximos à família Bolsonaro receberam relatos de que o senador teria seguido para a Flórida, nos Estados Unidos, acompanhado da esposa, Fernanda, e das duas filhas.
A informação, entretanto, ainda depende de confirmação independente. A Polícia Federal (PF) iniciou verificações sobre os possíveis deslocamentos do parlamentar, inclusive em pontos da fronteira brasileira.
O caso ocorre após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega dos passaportes de Flávio Bolsonaro e proibir sua saída do território nacional.
As primeiras informações sobre a viagem foram divulgadas pelo portal argentino Infobae, segundo o qual Flávio teria atravessado a fronteira com a Argentina utilizando um documento de identidade.
De Puerto Iguazú, o senador supostamente embarcaria em uma aeronave particular do modelo Gulfstream, com destino aos Estados Unidos.
Outra possibilidade examinada nas informações sobre o deslocamento seria uma rota passando por Caracas, na Venezuela, antes da chegada a Miami.
Até o momento, os relatos sobre esses trajetos não constituem comprovação de que o parlamentar efetivamente deixou o Brasil.
A assessoria do senador não havia apresentado esclarecimentos sobre seu paradeiro nas informações divulgadas.
Caso seja confirmada uma saída do país em descumprimento da ordem judicial, o episódio poderá gerar novos desdobramentos no STF.
Outros nomes ligados ao bolsonarismo também estiveram envolvidos em situações relacionadas à permanência no exterior ou a tentativas de deixar o Brasil.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, mudou-se para os Estados Unidos em março de 2025.
No exterior, passou a atuar politicamente em defesa do pai e a buscar apoio de integrantes do governo do presidente norte-americano Donald Trump para medidas contra autoridades brasileiras.
Posteriormente, os Estados Unidos anunciaram restrições de vistos a integrantes do Supremo e incluíram Alexandre de Moraes em sanções previstas na Lei Magnitsky, das quais o ministro foi posteriormente retirado.
Em novembro de 2025, a Primeira Turma do STF recebeu uma denúncia contra Eduardo Bolsonaro, tornando-o réu por suspeita de coação relacionada à atuação nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras.
No mês seguinte, após a perda de seu mandato parlamentar, a Câmara dos Deputados cancelou seu passaporte diplomático.
Durante as articulações eleitorais de 2026, Eduardo chegou a considerar uma candidatura como suplente de André do Prado (PL) ao Senado por São Paulo.
A possibilidade foi abandonada diante dos obstáculos jurídicos que poderiam comprometer o registro da candidatura.
A ex-deputada federal Carla Zambelli deixou o Brasil após ser condenada pelo STF por envolvimento na invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e na emissão de documentos judiciais falsos.
Ela também recebeu condenação em outro processo, relacionado ao episódio em que apontou uma arma para um homem em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições de 2022.
Após sua saída do país, Zambelli foi localizada e presa na Itália, em uma operação que envolveu autoridades brasileiras e italianas.
Posteriormente, renunciou ao mandato de deputada federal.
A ex-parlamentar permanece submetida ao processo de extradição, pelo qual a Justiça italiana analisa o pedido brasileiro para seu retorno ao país.
Uma decisão sobre a extradição estava prevista para esta terça-feira (27). O resultado não consta das informações apresentadas.
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem, que comandou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), também se estabeleceu nos Estados Unidos após deixar o território brasileiro.
Segundo informações da Polícia Federal, Ramagem teria saído clandestinamente do país pela fronteira com a Guiana, em setembro de 2025.
A investigação busca identificar eventuais responsáveis por auxiliar seu deslocamento.
Ramagem foi condenado pelo STF no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado, que também envolveu o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Parte das acusações havia tido o andamento suspenso em razão de deliberação da Câmara dos Deputados. Posteriormente, com a perda do mandato parlamentar, houve retomada da tramitação dos procedimentos correspondentes.
O ex-deputado também foi desligado dos quadros da Polícia Federal.
Em manifestação feita no domingo (25), antes da conclusão da eleição presidencial, Ramagem afirmou que desejava retornar ao Brasil caso Flávio Bolsonaro vencesse a disputa.
Na ocasião, mencionou a possibilidade de obter uma anistia ou revisão de sua condenação.
O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi preso no Paraguai, em dezembro de 2025, quando tentava embarcar em um voo internacional no aeroporto de Assunção.
Segundo a Polícia Federal, ele havia rompido a tornozeleira eletrônica que utilizava em Santa Catarina e tentava seguir para El Salvador.
As autoridades informaram que Vasques utilizava um passaporte pertencente a outra pessoa e apresentou um bilhete com a alegação de que não conseguia falar por causa de um problema de saúde, numa tentativa de evitar sua identificação.
O ex-diretor da PRF havia sido condenado pela Primeira Turma do STF a 24 anos e seis meses de prisão no processo sobre a tentativa de golpe de Estado.
Entre as condutas examinadas no julgamento estavam ações da Polícia Rodoviária Federal que teriam buscado dificultar o deslocamento de eleitores, especialmente no Nordeste, durante as eleições de 2022.
Após a prisão no Paraguai, Vasques foi levado de volta ao Brasil. Segundo as informações divulgadas, ele cumpre pena em uma ala especial do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, conhecida como Papudinha.
Embora os episódios envolvam pessoas vinculadas ao mesmo grupo político, existem diferenças importantes entre os casos.
Eduardo Bolsonaro permaneceu no exterior enquanto respondia a acusações judiciais; Carla Zambelli deixou o Brasil após condenações e foi presa na Itália; Alexandre Ramagem teve sua saída investigada pela Polícia Federal; e Silvinei Vasques foi detido durante uma tentativa de viagem internacional.
No caso de Flávio Bolsonaro, a primeira questão ainda é estabelecer se houve efetivamente uma saída do território brasileiro e, em caso positivo, quando e por qual caminho ocorreu.
A confirmação do deslocamento será determinante para avaliar eventuais consequências do descumprimento da ordem judicial que restringiu suas viagens.
Enquanto isso, a Polícia Federal continua responsável pelas verificações, e os próximos encaminhamentos dependerão das informações apresentadas ao Supremo Tribunal Federal.
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