Política / Internacional
Trump questiona eleição no Brasil sem apresentar provas e critica resultado favorável a Lula
Presidente dos Estados Unidos afirmou que votação pareceu fraudada, enquanto líderes europeus e asiáticos reconheceram a reeleição do brasileiro.
26/10/2026
17:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou nesta segunda-feira (26 de outubro) o resultado do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras e afirmou que a votação lhe pareceu fraudada. A declaração foi feita durante entrevista a uma emissora de televisão, após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). Trump não apresentou provas de irregularidades.
Questionado sobre a derrota de Flávio, o presidente norte-americano disse que não havia tomado partido na disputa, mas demonstrou insatisfação com o resultado.
“Eu não tomei partido, mas pareceu outra eleição fraudada, francamente. Pareceu terrível para o mundo. As eleições têm que ser indiscutíveis. E pareceu terrível”, declarou.
A manifestação ocorre depois de Flávio Bolsonaro contestar publicamente o resultado da eleição e anunciar, na noite de domingo, a intenção de pedir sua anulação.
Até a divulgação das declarações, não havia sido apresentado elemento que comprovasse fraude capaz de comprometer a votação presidencial.
O resultado proclamado pela Justiça Eleitoral brasileira confirmou a reeleição de Lula com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos.
Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%.
A diferença entre os candidatos foi de 4.430.191 votos.
A vitória assegurou a Lula seu quarto mandato presidencial, depois dos períodos de 2003 a 2006, 2007 a 2010 e 2023 a 2026.
O resultado foi definido no domingo, após uma disputa marcada por questionamentos sobre a prorrogação da votação em seções que ainda estavam em funcionamento.
A medida havia sido autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após solicitações das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro.
A existência de questionamentos políticos ou judiciais não significa, por si só, que tenham ocorrido irregularidades na apuração.
Enquanto Trump colocou o resultado brasileiro sob suspeita, líderes de diferentes países divulgaram mensagens reconhecendo a reeleição de Lula e defendendo a continuidade das relações diplomáticas com o Brasil.
Até então, o presidente norte-americano não havia publicado uma manifestação formal de congratulação em seus perfis oficiais ou nos canais da Casa Branca.
Entre os líderes que cumprimentaram Lula estão representantes da França, Espanha, Rússia, Ucrânia, China, Índia, Canadá e União Europeia.
As manifestações abordaram temas como cooperação econômica, comércio internacional, meio ambiente, relações bilaterais e participação brasileira em organismos multilaterais.
O presidente da França, Emmanuel Macron, parabenizou Lula pela reeleição e destacou a importância da cooperação entre os dois países.
“A França e o Brasil têm muito a construir juntos. Diante dos grandes desafios do nosso tempo, vamos fortalecer nossa parceria estratégica”, escreveu.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, também comemorou o resultado e relacionou a vitória do brasileiro ao cenário político europeu.
“Uma grande vitória para Lula! O que aconteceu no Brasil acontecerá na Espanha”, publicou.
As declarações refletem as posições políticas dos líderes e não representam uma avaliação institucional conjunta sobre a eleição brasileira.
Na Rússia, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, cumprimentou Lula durante entrevista coletiva nesta segunda-feira.
“Saudamos a vitória do senhor Lula”, afirmou.
Peskov também mencionou a continuidade da cooperação bilateral e da atuação conjunta em assuntos internacionais.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, destacou que a eleição brasileira foi acompanhada internacionalmente e manifestou interesse em ampliar a cooperação entre os países.
Na mensagem, Zelensky ressaltou a importância da participação do Brasil em iniciativas relacionadas à soberania, à integridade territorial e à proteção dos direitos internacionais.
A China, por meio do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, também cumprimentou o presidente reeleito.
O governo chinês declarou disposição para continuar fortalecendo a parceria estratégica com o Brasil, incluindo os compromissos estabelecidos durante a visita do presidente Xi Jinping a Brasília, em novembro de 2024.
Na ocasião, os dois países firmaram 37 acordos de cooperação.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, felicitou Lula e afirmou que a parceria entre a União Europeia e o Brasil deverá continuar avançando.
A dirigente mencionou o comércio internacional, a cooperação multilateral e as políticas climáticas entre as prioridades da relação bilateral.
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, também cumprimentou o presidente brasileiro e defendeu o aprofundamento da parceria estratégica entre os países.
Modi destacou a cooperação em diferentes setores e a atuação conjunta em temas relacionados ao chamado Sul Global.
No Canadá, o primeiro-ministro Mark Carney afirmou que a reeleição representa uma oportunidade para ampliar os vínculos econômicos e ambientais com o Brasil.
Entre os objetivos mencionados estão o fortalecimento do comércio, a proteção ambiental e a criação de oportunidades para as populações dos dois países.
As declarações de Trump acrescentam um elemento de tensão política ao cenário posterior à eleição brasileira.
Brasil e Estados Unidos mantêm relações diplomáticas e comerciais de grande importância, independentemente das diferenças políticas entre seus governantes.
A manifestação do presidente norte-americano, entretanto, não equivale a uma decisão formal do governo dos Estados Unidos de contestar diplomaticamente o resultado brasileiro.
Também não houve, nas informações divulgadas, anúncio de medidas comerciais, sanções ou mudanças nas relações bilaterais em consequência da reeleição de Lula.
O resultado presidencial permanece válido conforme a proclamação da Justiça Eleitoral brasileira, enquanto as declarações de Trump representam um questionamento político sem provas apresentadas publicamente.
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