Campo Grande (MS), Terça-feira, 27 de Outubro de 2026

Política / Nacional

Alcolumbre e Hugo Motta reconhecem reeleição de Lula e defendem respeito ao resultado das urnas

Presidentes do Senado e da Câmara parabenizaram Lula, destacaram a segurança do processo eleitoral e defenderam diálogo entre os Poderes após a contestação de Flávio Bolsonaro.

26/10/2026

08:30

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

Os presidentes do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reconheceram neste domingo (25 de outubro) a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defenderam a legitimidade do resultado das urnas. As manifestações ocorreram após o senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno, anunciar que pretende questionar judicialmente a eleição.

Durante uma entrevista coletiva conjunta, os dirigentes das duas Casas do Congresso Nacional parabenizaram Lula e ressaltaram a importância de respeitar a decisão dos eleitores.

O presidente foi reeleito com 64.256.232 votos (51,79%), contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio Bolsonaro. A diferença foi de 4.430.191 votos.

A manifestação dos líderes do Legislativo ocorreu em um momento de tensão política, marcado pela contestação do candidato derrotado e por questionamentos sobre a prorrogação do horário de votação em determinadas seções eleitorais.

Alcolumbre classifica vitória como expressiva e defende urnas eletrônicas

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, classificou a vitória de Lula como “consagradora”, destacando a diferença superior a 4 milhões de votos entre os candidatos.

O senador também defendeu a confiabilidade das urnas eletrônicas, utilizadas no Brasil desde 1996 e adotadas em todo o território nacional nas eleições de 2000.

Segundo Alcolumbre, o sistema eletrônico de votação constitui um “patrimônio” da democracia brasileira.

A declaração foi feita em resposta ao ambiente de questionamentos sobre o processo eleitoral, intensificados após a manifestação de Flávio Bolsonaro.

O presidente do Senado também afirmou que o Congresso deverá concentrar esforços na redução das tensões políticas e na construção de entendimentos entre diferentes setores da sociedade.

Para Alcolumbre, a divisão política prejudica tanto a população quanto o funcionamento das instituições.

“Um país dividido não é bom nem para o povo brasileiro nem para as instituições”, declarou.

Hugo Motta afirma que escolha dos eleitores deve ser respeitada

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, também reconheceu a vitória de Lula e destacou a soberania da decisão popular.

Motta afirmou que o resultado das urnas deve orientar o funcionamento das instituições democráticas.

Segundo o deputado, a democracia é “soberana” e os brasileiros expressaram sua escolha por meio do voto.

A manifestação reforçou o posicionamento institucional das presidências da Câmara e do Senado diante das declarações do candidato derrotado.

Embora o reconhecimento dos dirigentes do Congresso não substitua os procedimentos formais da Justiça Eleitoral, ele sinaliza disposição para manter a normalidade das relações entre o Legislativo e o Executivo.

Flávio Bolsonaro anuncia contestação judicial

As declarações de Alcolumbre e Motta ocorreram pouco depois de Flávio Bolsonaro afirmar que não reconhecia o resultado nas circunstâncias em que a eleição foi realizada.

O senador questionou a decisão que permitiu estender o horário de votação até as 19h, pelo horário de Brasília, em seções que ainda permaneciam abertas.

A medida havia sido determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da campanha de Lula.

A própria campanha de Flávio também havia solicitado a prorrogação do horário em municípios atingidos por chuvas e dificuldades de deslocamento.

Posteriormente, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, esclareceu que as urnas já encerradas não poderiam ser reabertas.

Flávio afirmou que pretende recorrer à Justiça para pedir a anulação do segundo turno, alegando tratamento desigual entre eleitores.

Até eventual decisão judicial em sentido contrário, permanece válido o resultado da totalização oficial, que confirmou a reeleição de Lula.

Lula promete negociar com Congresso de perfil mais conservador

No discurso realizado após a confirmação da vitória, Lula afirmou que pretende trabalhar com a composição do Congresso escolhida pelos eleitores, mesmo diante do fortalecimento de partidos de direita.

O presidente reconheceu que precisará negociar com deputados e senadores para aprovar as propostas do próximo mandato.

“Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu. E é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas”, declarou.

A relação entre o governo federal e as presidências das duas Casas passou por momentos de aproximação e divergência nos últimos dois anos.

Apesar das dificuldades, o Executivo conseguiu construir acordos em votações consideradas importantes.

A disposição manifestada por Lula indica que o governo buscará preservar canais de negociação com as lideranças parlamentares, inclusive em temas que dividem a base governista e a oposição.

Redução da jornada de trabalho marcou reaproximação

Um dos episódios recentes de aproximação entre o governo e o Congresso foi a aprovação de uma mudança constitucional relacionada à jornada de trabalho.

A proposta, aprovada em outubro, estabeleceu a transição para uma organização semanal com dois dias de descanso, substituindo progressivamente o modelo de seis dias de trabalho para um de folga.

A mudança prevê a redução inicial da jornada de 44 para 42 horas semanais, seguida de uma nova redução para 40 horas, conforme os prazos estabelecidos na medida.

A aprovação ocorreu durante a campanha presidencial e foi defendida pelo governo Lula como parte de sua agenda trabalhista.

O avanço da proposta também demonstrou a possibilidade de formação de maiorias parlamentares em torno de determinados temas, mesmo em um Congresso politicamente dividido.

Bancadas de direita terão peso nas negociações

A composição do Congresso a partir de 2027 exigirá do governo federal negociações com partidos que apoiaram a candidatura de Flávio Bolsonaro.

O PL terá 121 deputados federais e 29 senadores, consolidando-se como a maior bancada individual nas duas Casas.

O PT, partido de Lula, contará com 70 deputados e 10 senadores.

A diferença entre as bancadas reforça a importância das alianças com partidos de centro e de outras legendas para a aprovação de projetos do Executivo.

Na Câmara, as propostas de lei ordinária dependem, em regra, de maioria dos votos, desde que esteja presente a maioria absoluta dos deputados. Já mudanças constitucionais exigem apoio de três quintos dos parlamentares, em dois turnos de votação em cada Casa.

Por isso, o diálogo com as presidências da Câmara e do Senado será importante para a organização da pauta legislativa e a tramitação das prioridades do governo.

Reconhecimento abre caminho para diálogo institucional

As manifestações de Davi Alcolumbre e Hugo Motta representam o reconhecimento público, pelas duas principais lideranças do Congresso, do resultado anunciado pela Justiça Eleitoral.

Os pronunciamentos também sinalizam a intenção de reduzir as tensões políticas após uma disputa presidencial apertada.

Para o governo Lula, a relação com o Legislativo será um dos principais desafios do próximo mandato, especialmente diante da necessidade de negociar com partidos de diferentes orientações.

O presidente do Senado defendeu a pacificação, enquanto o presidente da Câmara ressaltou o respeito à decisão dos eleitores.

Com a reeleição confirmada pela totalização dos votos, a expectativa agora se concentra na formação de acordos políticos capazes de permitir a votação das propostas do Executivo e a continuidade do funcionamento das instituições, independentemente das contestações que venham a ser apresentadas à Justiça Eleitoral.

 


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