Política / Nacional
Alcolumbre e Hugo Motta reconhecem reeleição de Lula e defendem respeito ao resultado das urnas
Presidentes do Senado e da Câmara parabenizaram Lula, destacaram a segurança do processo eleitoral e defenderam diálogo entre os Poderes após a contestação de Flávio Bolsonaro.
26/10/2026
08:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Os presidentes do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reconheceram neste domingo (25 de outubro) a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defenderam a legitimidade do resultado das urnas. As manifestações ocorreram após o senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno, anunciar que pretende questionar judicialmente a eleição.
Durante uma entrevista coletiva conjunta, os dirigentes das duas Casas do Congresso Nacional parabenizaram Lula e ressaltaram a importância de respeitar a decisão dos eleitores.
O presidente foi reeleito com 64.256.232 votos (51,79%), contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio Bolsonaro. A diferença foi de 4.430.191 votos.
A manifestação dos líderes do Legislativo ocorreu em um momento de tensão política, marcado pela contestação do candidato derrotado e por questionamentos sobre a prorrogação do horário de votação em determinadas seções eleitorais.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, classificou a vitória de Lula como “consagradora”, destacando a diferença superior a 4 milhões de votos entre os candidatos.
O senador também defendeu a confiabilidade das urnas eletrônicas, utilizadas no Brasil desde 1996 e adotadas em todo o território nacional nas eleições de 2000.
Segundo Alcolumbre, o sistema eletrônico de votação constitui um “patrimônio” da democracia brasileira.
A declaração foi feita em resposta ao ambiente de questionamentos sobre o processo eleitoral, intensificados após a manifestação de Flávio Bolsonaro.
O presidente do Senado também afirmou que o Congresso deverá concentrar esforços na redução das tensões políticas e na construção de entendimentos entre diferentes setores da sociedade.
Para Alcolumbre, a divisão política prejudica tanto a população quanto o funcionamento das instituições.
“Um país dividido não é bom nem para o povo brasileiro nem para as instituições”, declarou.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, também reconheceu a vitória de Lula e destacou a soberania da decisão popular.
Motta afirmou que o resultado das urnas deve orientar o funcionamento das instituições democráticas.
Segundo o deputado, a democracia é “soberana” e os brasileiros expressaram sua escolha por meio do voto.
A manifestação reforçou o posicionamento institucional das presidências da Câmara e do Senado diante das declarações do candidato derrotado.
Embora o reconhecimento dos dirigentes do Congresso não substitua os procedimentos formais da Justiça Eleitoral, ele sinaliza disposição para manter a normalidade das relações entre o Legislativo e o Executivo.
As declarações de Alcolumbre e Motta ocorreram pouco depois de Flávio Bolsonaro afirmar que não reconhecia o resultado nas circunstâncias em que a eleição foi realizada.
O senador questionou a decisão que permitiu estender o horário de votação até as 19h, pelo horário de Brasília, em seções que ainda permaneciam abertas.
A medida havia sido determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da campanha de Lula.
A própria campanha de Flávio também havia solicitado a prorrogação do horário em municípios atingidos por chuvas e dificuldades de deslocamento.
Posteriormente, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, esclareceu que as urnas já encerradas não poderiam ser reabertas.
Flávio afirmou que pretende recorrer à Justiça para pedir a anulação do segundo turno, alegando tratamento desigual entre eleitores.
Até eventual decisão judicial em sentido contrário, permanece válido o resultado da totalização oficial, que confirmou a reeleição de Lula.
No discurso realizado após a confirmação da vitória, Lula afirmou que pretende trabalhar com a composição do Congresso escolhida pelos eleitores, mesmo diante do fortalecimento de partidos de direita.
O presidente reconheceu que precisará negociar com deputados e senadores para aprovar as propostas do próximo mandato.
“Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu. E é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas”, declarou.
A relação entre o governo federal e as presidências das duas Casas passou por momentos de aproximação e divergência nos últimos dois anos.
Apesar das dificuldades, o Executivo conseguiu construir acordos em votações consideradas importantes.
A disposição manifestada por Lula indica que o governo buscará preservar canais de negociação com as lideranças parlamentares, inclusive em temas que dividem a base governista e a oposição.
Um dos episódios recentes de aproximação entre o governo e o Congresso foi a aprovação de uma mudança constitucional relacionada à jornada de trabalho.
A proposta, aprovada em outubro, estabeleceu a transição para uma organização semanal com dois dias de descanso, substituindo progressivamente o modelo de seis dias de trabalho para um de folga.
A mudança prevê a redução inicial da jornada de 44 para 42 horas semanais, seguida de uma nova redução para 40 horas, conforme os prazos estabelecidos na medida.
A aprovação ocorreu durante a campanha presidencial e foi defendida pelo governo Lula como parte de sua agenda trabalhista.
O avanço da proposta também demonstrou a possibilidade de formação de maiorias parlamentares em torno de determinados temas, mesmo em um Congresso politicamente dividido.
A composição do Congresso a partir de 2027 exigirá do governo federal negociações com partidos que apoiaram a candidatura de Flávio Bolsonaro.
O PL terá 121 deputados federais e 29 senadores, consolidando-se como a maior bancada individual nas duas Casas.
O PT, partido de Lula, contará com 70 deputados e 10 senadores.
A diferença entre as bancadas reforça a importância das alianças com partidos de centro e de outras legendas para a aprovação de projetos do Executivo.
Na Câmara, as propostas de lei ordinária dependem, em regra, de maioria dos votos, desde que esteja presente a maioria absoluta dos deputados. Já mudanças constitucionais exigem apoio de três quintos dos parlamentares, em dois turnos de votação em cada Casa.
Por isso, o diálogo com as presidências da Câmara e do Senado será importante para a organização da pauta legislativa e a tramitação das prioridades do governo.
As manifestações de Davi Alcolumbre e Hugo Motta representam o reconhecimento público, pelas duas principais lideranças do Congresso, do resultado anunciado pela Justiça Eleitoral.
Os pronunciamentos também sinalizam a intenção de reduzir as tensões políticas após uma disputa presidencial apertada.
Para o governo Lula, a relação com o Legislativo será um dos principais desafios do próximo mandato, especialmente diante da necessidade de negociar com partidos de diferentes orientações.
O presidente do Senado defendeu a pacificação, enquanto o presidente da Câmara ressaltou o respeito à decisão dos eleitores.
Com a reeleição confirmada pela totalização dos votos, a expectativa agora se concentra na formação de acordos políticos capazes de permitir a votação das propostas do Executivo e a continuidade do funcionamento das instituições, independentemente das contestações que venham a ser apresentadas à Justiça Eleitoral.
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