Eleições / Justiça
Flávio Bolsonaro contesta reeleição de Lula e anuncia pedido de anulação do segundo turno
Senador questiona prorrogação da votação determinada por Cristiano Zanin e alega tratamento desigual entre eleitores; resultado só pode ser invalidado por decisão judicial
25/10/2026
20:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou neste domingo (25 de outubro) que não reconhece a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 e anunciou que pretende recorrer à Justiça para pedir a anulação da votação.
A declaração ocorreu após a divulgação do resultado que confirmou a reeleição de Lula para um quarto mandato presidencial. Flávio questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prorrogação do horário de votação até as 19h, pelo horário de Brasília.
O candidato derrotado alegou que a medida teria provocado desigualdade entre os eleitores, uma vez que parte das seções eleitorais já havia encerrado os trabalhos quando a determinação foi comunicada.
As declarações representam a posição de Flávio Bolsonaro e não constituem, por si só, comprovação de irregularidades capazes de invalidar o resultado.
Na primeira manifestação pública após a derrota, Flávio Bolsonaro criticou a atuação do STF no processo eleitoral e questionou a competência de Zanin para determinar a ampliação do horário de votação.
"O ministro Zanin, que não faz parte do Tribunal Superior Eleitoral, atropelando a Justiça especializada, tomou uma decisão prorrogando por duas horas as eleições. Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil", declarou.
O senador afirmou que a alteração teria comprometido a igualdade de condições entre os eleitores de diferentes regiões.
Segundo sua avaliação, a impossibilidade de reabrir urnas que já haviam encerrado a votação teria criado situações distintas entre municípios e estados.
Flávio também levantou questionamentos sobre a fiscalização do processo eleitoral e a atuação de representantes do Partido Liberal (PL) nas seções.
As suspeitas mencionadas pelo senador não foram acompanhadas, no material divulgado, de elementos que comprovem alteração de votos ou fraude na apuração.
Ao anunciar que pretende questionar o resultado, o candidato do PL afirmou que não aceitará o que considera uma mudança das regras durante a votação.
"Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo, mais uma vez, pelos amigos do Lula no Supremo Tribunal Federal", disse.
A declaração faz referência à decisão de Zanin, divulgada quando parte das seções eleitorais já havia encerrado o recebimento dos votos.
Flávio informou que pretende acionar sua equipe jurídica para avaliar as medidas necessárias à contestação do segundo turno.
O anúncio, entretanto, não equivale à apresentação formal de uma ação nem determina a suspensão do resultado proclamado pela Justiça Eleitoral.
Ao encerrar a manifestação, o senador afirmou que continuará participando da vida política brasileira.
"Eu não vou desistir do meu Brasil. Espero que você que esteja assistindo também não desista", declarou.
A ampliação do horário de votação foi discutida após pedidos apresentados pelas campanhas dos dois candidatos, embora com justificativas e abrangências diferentes.
A equipe de Flávio Bolsonaro solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a extensão do prazo por duas horas em localidades afetadas por problemas climáticos e de infraestrutura.
O pedido mencionava chuvas intensas, alagamentos, interdições de vias e interrupções no fornecimento de energia elétrica, situações que poderiam dificultar o deslocamento dos eleitores.
A campanha de Lula, por sua vez, apresentou solicitações relacionadas à oferta de transporte coletivo.
Inicialmente, os pedidos estavam concentrados em municípios onde havia relatos de redução da frota de ônibus e dificuldades para chegar às seções eleitorais.
Posteriormente, a equipe jurídica do presidente ampliou a solicitação para todo o território nacional e acionou o STF.
O ministro Cristiano Zanin determinou a prorrogação do recebimento dos votos até as 19h, pelo horário de Brasília, duas horas além do encerramento originalmente previsto.
A decisão foi divulgada por volta das 17h, quando diversas seções eleitorais já haviam concluído a votação.
Segundo as informações apresentadas, a comunicação oficial do TSE aos tribunais eleitorais ocorreu às 17h49, pelo horário de Brasília.
Diante da situação, Zanin esclareceu posteriormente que a prorrogação deveria ser aplicada exclusivamente às seções cujas urnas ainda estavam abertas.
Os equipamentos que já haviam encerrado os trabalhos não poderiam ser reabertos, e seus votos seriam normalmente computados.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, encaminhou orientação aos tribunais regionais para assegurar o cumprimento da determinação nos locais ainda em funcionamento.
Em Mato Grosso do Sul, a votação foi encerrada às 16h, pelo horário local, antes da aplicação da prorrogação.
Conforme informações divulgadas pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), as urnas já haviam sido fechadas quando a decisão começou a circular.
O tribunal também informou que não havia registros de filas de eleitores que justificassem a continuidade do recebimento de votos nas seções do Estado.
Dessa forma, os votos registrados em Mato Grosso do Sul seguiram os procedimentos normais de encerramento e totalização.
A diferença entre os horários efetivamente aplicados nas seções eleitorais é um dos pontos utilizados por Flávio Bolsonaro para justificar a intenção de contestar o resultado.
A manifestação do candidato derrotado não altera automaticamente a validade da eleição presidencial.
Uma eventual ação deverá apresentar fundamentos jurídicos e elementos de prova que sustentem a existência de irregularidades relevantes.
Caberá à Justiça competente examinar os argumentos, a extensão dos fatos apontados e suas possíveis consequências para o processo eleitoral.
A existência de horários diferentes de encerramento, decorrente da aplicação de uma decisão judicial, não significa automaticamente que os votos tenham sido contabilizados de maneira irregular.
Também não há, nas informações apresentadas, comprovação de que a prorrogação tenha produzido alteração indevida no resultado.
A contestação anunciada por Flávio ocorre após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, que conquistou seu quarto mandato como presidente da República.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio havia terminado à frente, com aproximadamente 47% dos votos válidos, contra 45% de Lula.
No segundo turno, o presidente reverteu a vantagem do adversário e garantiu a reeleição.
A posse para o novo mandato está prevista para 5 de janeiro de 2027, conforme o calendário constitucional.
Enquanto Flávio Bolsonaro anuncia medidas judiciais, o resultado da eleição permanece válido, salvo eventual decisão posterior da Justiça competente.
A controvérsia deverá se concentrar nos efeitos da prorrogação do horário de votação e na avaliação de possíveis prejuízos ao exercício do voto, sem que o anúncio de uma contestação represente, por si só, a anulação do pleito.
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