Eleições / Justiça
Justiça manda prender secretário de Salvador por problemas no transporte de eleitores; gestor está em Paris
Pablo Souza participa de missão oficial na França e deve retornar nesta segunda-feira (26); Prefeitura atribui atraso dos ônibus à retirada de propaganda eleitoral irregular
25/10/2026
14:00
DA REDAÇÃO
Pablo Souza comanda pasta de mobilidade urbana na prefeitura de Salvador. (Foto: Valter Pontes/Secom-BA)
O secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, teve a prisão determinada pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) neste domingo (25 de outubro), após problemas na circulação dos ônibus durante o segundo turno das eleições presidenciais. O gestor, entretanto, está em Paris, na França, onde participa de uma missão oficial, segundo a Prefeitura da capital baiana.
A decisão judicial foi motivada pela redução da oferta de transporte coletivo nas primeiras horas de votação, situação que provocou longas esperas e dificuldades para o deslocamento de eleitores até as seções eleitorais.
Em nota, a Prefeitura de Salvador informou que o secretário viajou à capital francesa a convite do governo da França e tem retorno previsto para segunda-feira (26). A administração municipal afirmou que Souza deverá se apresentar às autoridades para prestar esclarecimentos.
A ordem de prisão ocorre em meio a uma disputa sobre o cumprimento das determinações da Justiça Eleitoral para garantir o funcionamento regular do transporte público no dia da eleição.
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia havia determinado que o sistema de transporte coletivo de Salvador operasse com capacidade equivalente à de um dia útil, para assegurar o deslocamento dos eleitores.
Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa de R$ 1 milhão por hora.
A medida buscava evitar que a redução da frota prejudicasse o comparecimento às urnas, especialmente de moradores que dependem dos ônibus para chegar aos locais de votação.
Apesar da determinação, passageiros enfrentaram atrasos e períodos prolongados de espera durante a manhã deste domingo.
Diante da situação, a Justiça Eleitoral expediu a ordem de prisão contra o titular da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob).
As informações divulgadas não detalham todos os fundamentos jurídicos da decisão nem esclarecem se houve posterior revisão da ordem judicial.
A administração municipal apresentou uma justificativa diferente para a demora na liberação dos veículos.
Segundo a Prefeitura, ônibus destinados à operação eleitoral teriam sido adesivados clandestinamente com propaganda de um dos candidatos à Presidência da República.
A gestão afirmou que foi necessário retirar o material antes de colocar os coletivos em circulação, para evitar o descumprimento das normas eleitorais.
A Prefeitura citou o artigo 88 da Resolução nº 23.759/2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que estabelece restrições à utilização do transporte público com propaganda partidária ou eleitoral.
De acordo com a versão municipal, a retirada dos adesivos foi necessária para impedir a circulação de veículos com publicidade política irregular.
A administração não informou, no material divulgado, quantos ônibus foram afetados, quem teria colocado os adesivos ou se houve identificação dos responsáveis.
A alegação de adesivação clandestina ainda depende de esclarecimentos quanto às circunstâncias e à autoria.
Após os problemas registrados no início do dia, a Prefeitura de Salvador informou que a operação do transporte coletivo foi restabelecida.
Segundo a administração municipal, os principais corredores da cidade passaram a funcionar normalmente a partir do final da manhã.
A gestão reconheceu, entretanto, que algumas regiões ainda apresentavam dificuldades pontuais.
Esses problemas foram atribuídos a fatores como:
Veículos estacionados irregularmente, provocando obstruções nas vias.
Aglomerações de pessoas em determinados pontos da cidade.
Dificuldades de circulação em bairros específicos.
A Prefeitura lamentou os transtornos enfrentados pelos passageiros e afirmou que as equipes responsáveis pelo sistema atuaram para restabelecer a oferta de ônibus.
A administração municipal destacou que havia publicado, em 21 de outubro, um decreto determinando a circulação da frota máxima de ônibus durante o segundo turno.
Segundo a Prefeitura, a medida tinha como objetivo garantir o transporte dos eleitores e assegurar o funcionamento do sistema durante todo o período de votação.
O Executivo municipal também afirmou que uma operação semelhante havia sido realizada no primeiro turno, em 4 de outubro, sem intercorrências relevantes.
A justificativa apresentada pela gestão é que o atraso deste domingo ocorreu por causa da necessidade de remover propaganda eleitoral dos veículos, e não por uma decisão de reduzir a oferta de transporte.
A versão será confrontada com as determinações judiciais e os demais elementos relacionados à operação do sistema.
Conforme a nota oficial da Prefeitura, Pablo Souza está em Paris em uma agenda institucional realizada a convite do governo francês.
O retorno do secretário a Salvador está previsto para segunda-feira (26 de outubro).
A administração municipal informou que, ao chegar ao Brasil, ele deverá se apresentar às autoridades para prestar esclarecimentos sobre os fatos que motivaram a ordem judicial.
Até a divulgação das informações utilizadas nesta reportagem, não havia confirmação de cumprimento do mandado de prisão.
O caso envolve a atuação da administração municipal na garantia do transporte público durante o processo eleitoral e o cumprimento das determinações do TRE-BA.
A apuração deverá esclarecer se houve descumprimento das ordens judiciais, quais fatores provocaram a retenção dos ônibus e quais responsabilidades poderão ser atribuídas aos envolvidos.
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