Política / Eleições 2026
Renan Santos reconhece vitória de Lula, descarta fraude e atribui derrota à postura do bolsonarismo
Ex-candidato do Missão critica influência da família Bolsonaro sobre a direita e avalia que rejeição ao grupo contribuiu para a reeleição do presidente.
26/10/2026
09:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ex-candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) reconheceu a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições, realizado neste domingo (25 de outubro), e afirmou que não houve fraude na votação. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele criticou a postura de integrantes do movimento bolsonarista e atribuiu parte da derrota do senador Flávio Bolsonaro (PL) à resistência de eleitores a um novo governo associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Renan não mencionou nominalmente Flávio durante a gravação, mas direcionou suas críticas ao grupo político que se consolidou em torno da família Bolsonaro.
Na avaliação do ex-presidenciável, a postura de integrantes do movimento afastou eleitores que se identificam com posições de direita, mas não desejam apoiar a família do ex-presidente.
As declarações representam a interpretação política de Renan sobre o resultado eleitoral e não constituem, por si só, uma análise estatística das motivações dos eleitores.
Durante o vídeo, Renan Santos afirmou que a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, ocorreu em um cenário marcado pela Operação Lava Jato e pela prisão de Lula.
Segundo ele, a vitória daquele ano permitiu que o bolsonarismo passasse a exercer forte influência sobre o eleitorado conservador.
O ex-candidato criticou a ideia de que apoiar a família Bolsonaro seria uma condição necessária para alguém se identificar politicamente com a direita.
“As pessoas começam a achar que votar contra o PT é ser de direita, e que você precisa gostar da família Bolsonaro ou você não é de direita”, afirmou.
Renan também questionou a importância atribuída por integrantes do movimento aos resultados obtidos nas redes sociais.
Segundo ele, a popularidade digital e o número de votos recebidos não significam necessariamente capacidade de promover mudanças no país.
“Essa arrogância e falta de humildade construíram uma direita que adora falar dos seus números em rede social”, declarou.
Na interpretação do fundador do Missão, o receio de um governo semelhante ao de Jair Bolsonaro teria influenciado a decisão de parte dos eleitores no segundo turno.
Renan afirmou que esse comportamento ocorreu em diferentes regiões do país, incluindo o Sul e o Sudeste.
“As pessoas votaram inclusive no PT, por medo de ter um governo Bolsonaro e por não ter coragem de votar num pessoal tão arrogante”, declarou.
O ex-candidato também criticou a forma como determinados grupos políticos tratam opiniões divergentes.
“Se você não aceita uma opinião deles, você é pisado”, afirmou.
As declarações indicam que Renan atribui a derrota do bolsonarismo não apenas à força eleitoral de Lula, mas também a problemas internos de comunicação e relacionamento com outros segmentos da direita.
Essa avaliação, entretanto, precisaria ser confrontada com pesquisas sobre o comportamento do eleitorado para determinar o peso efetivo de cada fator no resultado.
Renan também mencionou políticos ligados ao campo bolsonarista que conquistaram espaço nas eleições.
Entre os nomes citados está Douglas Ruas (PL), eleito governador do Rio de Janeiro.
Na avaliação do ex-presidenciável, a associação com o sobrenome Bolsonaro contribuiu para impulsionar candidaturas de políticos que anteriormente tinham menor projeção nacional.
O fundador do Missão também mencionou o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
Renan questionou a capacidade de lideranças desse campo político de ampliar o eleitorado caso mantenham a mesma estratégia de atuação.
A avaliação foi apresentada como crítica à condução política do movimento, sem que o ex-candidato divulgasse dados específicos para demonstrar o efeito eleitoral das posturas mencionadas.
Outro alvo das críticas foi a estratégia de comunicação utilizada pela campanha bolsonarista durante o segundo turno.
Renan Santos avaliou que a participação de Pablo Marçal em ataques políticos não conseguiu atrair eleitores que haviam apoiado outras candidaturas no primeiro turno.
Ele mencionou especificamente os apoiadores do Missão e do candidato Augusto Cury (Avante).
Segundo Renan, a estratégia de confronto não foi suficiente para ampliar o apoio ao candidato do PL entre esses segmentos.
A declaração reforça a posição do ex-presidenciável de que a direita precisaria rever sua forma de atuação para disputar eleições nacionais.
Na parte final da gravação, Renan Santos mencionou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, como exemplo de político que conseguiu derrotar o PT em eleições presidenciais.
Fernando Henrique venceu as disputas de 1994 e 1998, ambas no primeiro turno, contra Lula.
O ex-candidato do Missão utilizou esse histórico para defender uma atuação política menos dependente da identidade bolsonarista.
“Na história, um homem venceu o PT duas vezes no primeiro turno. O nome dele era Fernando Henrique Cardoso. Ele não se definia como direita e não ficava pisando em ninguém”, afirmou.
A referência ao ex-presidente foi utilizada por Renan para sustentar sua crítica à estratégia adotada por parte das lideranças conservadoras.
A manifestação de Renan ocorreu após Flávio Bolsonaro anunciar que pretende contestar judicialmente o resultado do segundo turno.
O senador questionou a prorrogação do horário de votação, autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), e afirmou que pediria a anulação da eleição.
A própria campanha de Flávio também havia solicitado a extensão do atendimento em municípios afetados por chuvas e dificuldades de deslocamento.
Lula venceu a disputa com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%.
A diferença foi de 4.430.191 votos.
Ao reconhecer o resultado e descartar a hipótese de fraude, Renan Santos adotou uma posição diferente da contestação anunciada pelo candidato derrotado.
O pronunciamento também evidenciou divergências entre grupos que disputam espaço no eleitorado de direita.
Para Renan, a derrota deve levar a uma revisão das estratégias políticas e da relação com eleitores que não se identificam com o bolsonarismo, em vez de ser atribuída a irregularidades no processo eleitoral.
Atualização confirmada nesta segunda-feira (26): Renan Santos também pediu que apoiadores de Flávio não participem de manifestações contra o resultado eleitoral e questionou políticos que contestam as urnas, mas preservam os mandatos conquistados pelo mesmo sistema.
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