Política / Eleições
Nikolas considera improvável anulação da eleição e pede que apoiadores evitem protestos
Deputado afirma que contestação do resultado dificilmente terá sucesso e recomenda cautela, enquanto Flávio Bolsonaro promete recorrer à Justiça Eleitoral.
26/10/2026
15:30
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou nesta segunda-feira (26 de outubro) que considera praticamente impossível a anulação do segundo turno da eleição presidencial e pediu aos apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) que evitem manifestações motivadas pela derrota nas urnas. A declaração contrasta com a posição do senador, que anunciou a intenção de contestar judicialmente o resultado que garantiu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em vídeo publicado no Instagram, Nikolas reconheceu a dificuldade de reverter o resultado eleitoral e alertou para os riscos de mobilizações realizadas em um ambiente de tensão política.
“Conhecendo o nosso País, a chance de anular essa eleição é praticamente nula. E a prudência agora, com as vidas que estão em jogo, deve falar mais alto do que qualquer ímpeto em nosso coração”, declarou.
O parlamentar também fez referência às consequências enfrentadas por participantes de manifestações políticas anteriores.
“Já vimos muitas pessoas pagarem um alto preço de irem para a rua no calor da emoção. Não façam isso”, acrescentou.
A gravação foi compartilhada por Fernanda Bolsonaro, esposa de Flávio, e ganhou repercussão entre apoiadores do candidato derrotado.
Apesar do apelo para que os apoiadores não realizem protestos, Nikolas levantou questionamentos sobre a condução do segundo turno.
No vídeo, afirmou que a existência de perguntas sem respostas provoca insegurança e indignação entre eleitores.
O deputado mencionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a continuidade da votação em seções eleitorais ainda em funcionamento após o horário originalmente previsto para o encerramento.
A medida foi adotada em meio a solicitações apresentadas pelas campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro.
A campanha petista pediu a ampliação do prazo em âmbito nacional, enquanto a candidatura do PL também havia solicitado a extensão da votação em determinados estados.
A decisão contou com o apoio do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques.
Embora Nikolas tenha manifestado desconfiança sobre o procedimento, não apresentou no vídeo provas de fraude ou de alteração indevida dos resultados.
A manifestação de Nikolas ocorreu poucas horas depois de Flávio Bolsonaro declarar que não reconheceria o resultado da eleição presidencial.
Na noite de domingo (25), após a divulgação do resultado, o senador afirmou que buscaria a anulação do pleito.
“É inexplicável acontecer o que aconteceu. É impossível reconhecer o resultado dessas eleições. Vou pedir a anulação”, disse a jornalistas em Brasília, onde acompanhou a apuração com aliados.
Flávio terminou o segundo turno com 59.826.041 votos, equivalentes a 48,21% dos votos válidos.
Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, ou 51,79%, uma vantagem de 4.430.191 votos.
O resultado representou uma mudança na posição dos candidatos em relação ao primeiro turno, quando Flávio havia terminado à frente.
Essa inversão, por si só, não constitui evidência de irregularidade eleitoral. Entre os dois turnos, os votos podem mudar em razão da transferência de apoio de candidatos eliminados, da participação dos eleitores e de alterações nas preferências políticas.
Integrantes da Justiça Eleitoral ouvidos pela imprensa avaliam que não há elementos conhecidos capazes de justificar a anulação do resultado presidencial.
Segundo relatos atribuídos a interlocutores do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques não demonstrou disposição para rever a proclamação oficial do resultado.
Essas avaliações, entretanto, não substituem uma eventual decisão judicial sobre pedidos que venham a ser formalmente apresentados.
A contestação de uma eleição exige fundamentos jurídicos e provas de irregularidades relevantes. A discordância com o resultado ou a existência de uma mudança na liderança entre os turnos não são suficientes para invalidar a votação.
A diferença superior a 4,4 milhões de votos também é um dado relevante para a análise de alegações de que eventuais ocorrências teriam alterado o resultado nacional.
Reeleito deputado federal por Minas Gerais com mais de 3 milhões de votos, Nikolas Ferreira participou intensamente da campanha de Flávio Bolsonaro no segundo turno.
O parlamentar organizou mobilizações conhecidas como Bloquinho do 22, que reuniram apoiadores do candidato do PL em diferentes cidades brasileiras.
Sua atuação ganhou destaque durante a reta final da disputa e também foi acompanhada por divergências internas no campo bolsonarista.
Ao longo do ano, Nikolas recebeu críticas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que questionou seu grau de envolvimento na candidatura de Flávio.
Com a derrota presidencial, a manifestação desta segunda-feira indica uma diferença de estratégia entre os aliados.
Enquanto Flávio anunciou a intenção de questionar o resultado na Justiça, Nikolas recomendou que os apoiadores não participem de manifestações impulsionadas pela indignação eleitoral.
Até o momento, a vitória de Lula proclamada pela Justiça Eleitoral permanece válida.
A possibilidade de apresentação de recursos não significa que a eleição tenha sido anulada ou que exista uma decisão judicial suspendendo seus efeitos.
A prorrogação da votação, principal ponto questionado por Flávio e mencionado por Nikolas, foi adotada por determinação judicial, após solicitações de ambas as campanhas.
O debate sobre a legalidade e os efeitos da medida poderá ser examinado pelas instâncias competentes caso sejam apresentados pedidos formais.
No vídeo divulgado nesta segunda-feira, Nikolas não anunciou rompimento com Flávio Bolsonaro nem retirou seu apoio político ao senador. Sua orientação foi para que os eleitores evitem manifestações neste momento, diante da baixa possibilidade de reversão do resultado e dos riscos associados a novos confrontos.
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