Política / Eleições
Eduardo Bolsonaro pede pressão internacional contra resultado da eleição presidencial
Em vídeo publicado nas redes sociais, ex-deputado questiona a reeleição de Lula e defende a anulação do segundo turno, mas não apresenta provas de fraude.
27/10/2026
07:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pediu que a comunidade internacional não reconheça o resultado da eleição presidencial brasileira, realizada no domingo (25 de outubro). Em vídeo publicado na segunda-feira (26), na rede social X, ele afirmou que a votação teria sido fraudada e defendeu pressão externa pela anulação do pleito que reelegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Gravada em inglês, a manifestação foi direcionada ao público estrangeiro. Eduardo solicitou o compartilhamento do vídeo e apoio internacional à contestação apresentada por seu irmão, derrotado no segundo turno. As declarações, porém, não foram acompanhadas de provas que sustentem a acusação de fraude.
“Não reconheçam estas eleições. Sem dúvida, como disse Flávio, precisamos anular esta eleição. Ela foi claramente fraudulenta. Mas precisamos de pressão internacional”, declarou o ex-parlamentar.
Um dos principais argumentos apresentados por Eduardo Bolsonaro envolve a diferença entre os votos recebidos por Lula no primeiro e no segundo turnos.
Segundo os números apresentados, o presidente passou de aproximadamente 53,9 milhões de votos, em 4 de outubro, para 64,2 milhões, em 25 de outubro, crescimento de cerca de 10,3 milhões de votos.
Eduardo comparou esse aumento com a votação conjunta de quatro candidatos derrotados na primeira etapa: Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que somaram aproximadamente 9,05 milhões de votos.
Para o ex-deputado, a diferença colocaria em dúvida a evolução da votação do presidente.
“Quando Lula venceu, foi como se tivesse recebido todos esses votos e ainda quase outros 2 milhões. Isso é simplesmente inacreditável”, afirmou.
A comparação, entretanto, não considera todas as possibilidades de transferência de votos entre os turnos nem a mudança no comparecimento eleitoral.
Os dados apresentados sobre a participação dos eleitores mostram que houve redução da abstenção entre as duas etapas da eleição.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, aproximadamente 33,4 milhões de brasileiros deixaram de votar, o equivalente a 21,08% do eleitorado.
Já no segundo turno, em 25 de outubro, o número de ausentes caiu para cerca de 30,5 milhões, ou 19,2%.
O comparecimento passou de aproximadamente 125 milhões para 128,1 milhões de eleitores, aumento de 3,1 milhões de votantes.
Além dos eleitores que não participaram da primeira votação, o resultado também pode sofrer alterações em razão da transferência de votos de outros candidatos, de mudanças entre votos brancos, nulos e válidos e das escolhas individuais feitas em cada etapa.
Por isso, a comparação isolada entre a votação dos candidatos eliminados e o crescimento dos votos de Lula não demonstra, por si só, irregularidade na apuração.
Conforme os resultados apresentados, Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 48,21%, aproximadamente 59,8 milhões de votos.
A diferença entre os candidatos foi de cerca de 4,4 milhões de votos.
Outro ponto levantado por Eduardo Bolsonaro foi a decisão de ampliar o horário de votação, originalmente previsto para terminar às 17h, até as 19h.
A medida foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após solicitação da campanha de Lula, que apontou dificuldades no transporte público de eleitores em diferentes regiões do país.
O segundo turno registrou denúncias de redução de frotas, demora na circulação de ônibus e dificuldades de deslocamento até os locais de votação.
O Ministério da Justiça identificou problemas na oferta de transporte coletivo em oito estados: Bahia, São Paulo, Piauí, Sergipe, Pará, Alagoas, Rio de Janeiro e Paraíba.
Diante das denúncias, a Polícia Federal decidiu investigar ocorrências relacionadas a possíveis restrições ao transporte de eleitores, incluindo situações registradas em Sergipe, São Paulo, Alagoas, Piauí e Bahia.
A campanha de Lula solicitou a extensão do horário em todo o país. A equipe de Flávio Bolsonaro também apresentou pedido de prorrogação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas limitado a municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, sob a justificativa de dificuldades provocadas por chuvas intensas, alagamentos, deslizamentos e bloqueios de vias.
No vídeo, Eduardo criticou a atuação de Zanin e mencionou o fato de o ministro ter sido advogado de Lula antes de sua indicação ao STF, em 2023.
Flávio Bolsonaro também questionou publicamente a decisão após a divulgação do resultado eleitoral.
Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Seu mandato na Câmara dos Deputados foi cassado em dezembro daquele ano.
Em junho de 2026, o ex-parlamentar foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal, por coação relacionada à sua atuação em território norte-americano contra integrantes do Judiciário brasileiro, conforme o histórico judicial apresentado.
Seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), também foi condenado por envolvimento na tentativa de golpe de Estado e cumpre pena.
As declarações de Eduardo Bolsonaro ampliam a discussão política sobre o resultado do segundo turno, mas a acusação de fraude apresentada no vídeo não veio acompanhada de elementos que comprovem manipulação dos votos.
Eventuais questionamentos sobre a regularidade da eleição devem ser analisados pelas instituições competentes, com base em provas e nos procedimentos previstos na legislação eleitoral.
Até a publicação das informações apresentadas, não havia indicação de decisão judicial que anulasse o resultado da eleição presidencial de 25 de outubro de 2026.
Atualização importante para a publicação: reportagem publicada nesta terça-feira (27) informa que apenas 34.330 votos, equivalentes a 0,03% do total, foram registrados após as 17h. Também informa que Flávio Bolsonaro desistiu de solicitar judicialmente a anulação da eleição. Esses dados são relevantes para contextualizar as acusações sobre a prorrogação da votação.
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