Política / Pós-Eleição
Bolsonaro teria demonstrado preocupação com situação judicial de Flávio após derrota eleitoral
Segundo relato publicado por Bela Megale, ex-presidente ficou surpreso com a vitória de Lula e teme desdobramentos das investigações envolvendo o filho.
27/10/2026
07:45
DA REDAÇÃO
A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no segundo turno das eleições de domingo (25), teria provocado preocupação no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo informações divulgadas pela jornalista Bela Megale, de O Globo, o ex-presidente demonstrou surpresa com o resultado e passou a temer a possibilidade de prisão do filho, que enfrenta investigações no Supremo Tribunal Federal (STF).
A reação teria sido relatada pelo próprio senador a aliados após uma conversa com o pai, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. De acordo com pessoas próximas à família ouvidas pela jornalista, Bolsonaro não esperava a virada eleitoral que garantiu a reeleição de Lula.
A preocupação com a situação judicial de Flávio ganhou força depois que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou, na segunda-feira (26), a entrega dos passaportes comum e diplomático do senador à Polícia Federal (PF), além da proibição de deixar o Brasil.
Flávio Bolsonaro é investigado em pelo menos dois procedimentos no Supremo, conforme as informações divulgadas.
Um deles apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz, com atuação empresarial relacionada ao setor de apostas esportivas.
A investigação busca esclarecer movimentações financeiras e possíveis vínculos do parlamentar com negócios ligados a plataformas de apostas.
Segundo informações atribuídas à Agência Brasil, a Polícia Federal também apura se Flávio teria recebido recursos da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, e mencionada nas investigações.
Na semana passada, Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e valores de Willer Tomaz, no contexto das apurações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.
Outra investigação envolve possíveis irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro, e suspeitas relacionadas a repasses envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Flávio Bolsonaro e as defesas dos demais investigados negam irregularidades. As suspeitas estão sujeitas à apuração judicial e não representam comprovação de responsabilidade criminal.
Na segunda-feira, o senador afirmou ter sido intimado pela Polícia Federal quando deixava a residência do pai, em Brasília.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio relatou o episódio e questionou a decisão judicial.
“Hoje de manhã, eu fui visitar meu pai. Quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele e, no meio da rua, eu fui intimado a entregar meus passaportes e também estou proibido de deixar o país”, declarou.
Segundo o parlamentar, a determinação teria relação com uma manifestação de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos e havia sugerido que Flávio deixasse o Brasil caso fosse derrotado na eleição presidencial.
O senador afirmou que nunca manifestou intenção de fugir do país e questionou o momento em que a medida foi adotada.
“Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça? Essa decisão foi tomada no domingo à noite, logo depois do resultado da eleição. Se eu tivesse ganhado as eleições, iria acontecer a mesma coisa?”, afirmou.
Flávio declarou que cumpriria a determinação, mas recorreria à Justiça para contestar as restrições.
A entrega dos passaportes, a proibição de viagens internacionais e a restrição de contato com Willer Tomaz são medidas cautelares. Elas não equivalem a uma ordem de prisão.
Após a derrota eleitoral, Flávio Bolsonaro passou a discutir com advogados os possíveis desdobramentos políticos e judiciais.
Segundo Bela Megale, o senador e sua equipe decidiram não avançar com uma contestação direta do resultado da votação presidencial, mas passaram a avaliar outras medidas contra a chapa vencedora.
Entre as possibilidades discutidas estaria uma ação para questionar a eleição de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin, com base em alegações de abuso de poder econômico.
Essa iniciativa teria natureza diferente de um pedido de anulação de toda a votação e dependeria da apresentação de fundamentos e provas à Justiça Eleitoral.
A preocupação com uma eventual prisão de Flávio também teria sido considerada nas conversas com a equipe jurídica, segundo a reportagem.
Com a reeleição de Lula para um quarto mandato presidencial, o cenário político da família Bolsonaro passa a envolver, além da derrota nas urnas, os desdobramentos dos procedimentos judiciais em andamento.
O espaço permanece aberto para eventuais manifestações de Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro e das defesas dos demais citados sobre as informações apresentadas.
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