Justiça / Política
Ministério Público investiga declaração de Lucas Pavanato sobre minorias
Deputado federal eleito é alvo de inquérito após entrevista à Jovem Pan; defesa contesta investigação e afirma haver perseguição política.
27/10/2026
08:15
NAOM
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) instaurou, na segunda-feira (26), um inquérito para apurar possíveis práticas de discriminação e incitação à hostilidade atribuídas ao deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP). A investigação tem como origem declarações feitas pelo político durante entrevista à Jovem Pan, em 6 de outubro, quando afirmou que colocaria seus adversários, identificados por ele como minoria, em seu “devido lugar”.
O procedimento busca avaliar se as manifestações ultrapassaram os limites da liberdade de expressão e podem configurar discurso discriminatório contra grupos sociais.
Durante a entrevista, Pavanato comentou a eleição da deputada estadual Eduarda Campopiano (PL-SP) e afirmou que o resultado eleitoral dos dois representava uma ameaça aos seus opositores políticos.
“Saber que vocês estão insatisfeitos com a votação da Eduarda, saber que vocês estão preocupados com a minha votação, é exatamente o que eu espero, porque, realmente, nós somos uma ameaça para vocês”, declarou.
Na sequência, acrescentou:
“Temos uma bancada forte para enfrentar a ideologia hegemônica de vocês. Vocês são a minoria e, como minoria, a gente vai colocar vocês no devido lugar.”
Na avaliação inicial do MPSP, as declarações podem apresentar elementos de discriminação e incitação à hostilidade, o que motivou a abertura do inquérito.
O órgão considera a possibilidade de responsabilização nas esferas civil, eleitoral ou penal, conforme os elementos reunidos durante a apuração.
A investigação também examinará se o conteúdo pode caracterizar a veiculação de discurso de ódio contra grupos sociais.
A instauração do procedimento não significa que o deputado eleito tenha cometido crime. A eventual responsabilização dependerá da apuração dos fatos e das medidas judiciais cabíveis.
A assessoria de Lucas Pavanato divulgou nota contestando a atuação do Ministério Público e atribuindo a investigação a uma suposta perseguição política.
A manifestação também questiona a conduta do promotor Ricardo Manuel Castro, responsável pelo caso, e menciona alegado vazamento de documentos à imprensa.
Segundo a defesa, a atuação do promotor estaria comprometida por seu suposto posicionamento político.
“Diante de seu alinhamento ideológico à esquerda e de sua atuação em pautas que, em nossa avaliação, atendem a agendas ideológicas, comprometendo a necessária imparcialidade de sua atuação”, afirma trecho da nota.
As acusações feitas pela assessoria contra o integrante do Ministério Público representam a posição da defesa e não foram acompanhadas, nas informações apresentadas, de conclusão que comprove irregularidade funcional.
O mesmo promotor atua em outro caso envolvendo a deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL-SP).
Na terça-feira (20), Ricardo Manuel Castro apresentou pedido de condenação da parlamentar ao pagamento de R$ 100 mil por danos morais coletivos e dano social, em razão de declarações dirigidas à deputada federal reeleita Erika Hilton (PSOL-SP).
A manifestação questionada foi publicada em 5 de outubro, quando Campopiano se referiu a Erika Hilton como “homem biológico”.
Segundo o promotor, a declaração representaria uma negação pública da identidade de gênero da parlamentar e poderia configurar manifestação discriminatória.
Além da indenização, o Ministério Público solicitou que Campopiano seja obrigada a publicar uma retratação pública e a participar de um curso sobre inclusão social, com carga horária mínima de 50 horas.
Na fundamentação do pedido, o promotor sustenta que a manifestação ultrapassaria a esfera individual da pessoa mencionada.
“A vítima, nesse caso, é a sociedade em geral, uma vez que o seu discurso atentou, em última análise, à democracia”, afirmou.
Os pedidos ainda dependem de apreciação judicial. Não se trata de condenação definitiva nem de medidas já impostas à deputada eleita.
Os procedimentos envolvendo Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano tratam de declarações distintas e possuem encaminhamentos jurídicos próprios.
No caso de Pavanato, o Ministério Público investiga o conteúdo da entrevista e suas possíveis consequências legais. Em relação a Campopiano, foi apresentado pedido de responsabilização civil por declarações consideradas discriminatórias pelo promotor.
Ambos os casos envolvem a análise dos limites entre a liberdade de expressão, o debate político e a proteção legal contra a discriminação.
O espaço permanece aberto para novas manifestações de Lucas Pavanato, Eduarda Campopiano e do Ministério Público de São Paulo.
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