Política / Justiça
Decisão de Moraes contra Flávio Bolsonaro preocupa Lula e provoca desconforto entre governistas
Aliados do presidente avaliam que a apreensão dos passaportes do senador pode ampliar a tensão política e fortalecer alegações de perseguição após a eleição.
27/10/2026
14:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para apreender os passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) provocou desconforto entre integrantes do governo federal. Nos bastidores, a avaliação é de que a medida, anunciada um dia após o segundo turno da eleição presidencial, pode ampliar a tensão política e dificultar o ambiente de diálogo no início do novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As informações foram divulgadas pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, com base em relatos de interlocutores do governo.
Segundo essas fontes, Lula demonstrou preocupação com os possíveis desdobramentos da decisão judicial, especialmente diante das notícias, ainda sem confirmação oficial, de que Flávio Bolsonaro teria deixado o Brasil.
A avaliação atribuída ao presidente é de que a combinação entre a restrição de viagem e a suspeita de saída do país pode fortalecer o discurso de perseguição política utilizado por integrantes da família Bolsonaro.
O principal ponto de preocupação entre governistas seria o momento em que a medida foi determinada.
Moraes ordenou a entrega dos passaportes na segunda-feira (26), um dia depois da derrota de Flávio Bolsonaro para Lula no segundo turno da eleição presidencial.
Embora a decisão tenha sido tomada no âmbito de uma investigação judicial, integrantes do governo consideram que sua repercussão política pode ampliar a polarização após a disputa eleitoral.
A preocupação não significa, necessariamente, uma contestação formal da decisão do STF. Segundo os relatos, o desconforto está relacionado sobretudo às consequências políticas da medida e à possibilidade de novos confrontos entre apoiadores dos dois campos.
Outro fator que provoca apreensão entre interlocutores do governo é a possibilidade de adoção de medidas judiciais mais rigorosas contra Flávio Bolsonaro.
O senador não entregou os passaportes dentro do prazo estabelecido, o que levou a Polícia Federal a cancelar os documentos e preparar uma comunicação ao ministro Alexandre de Moraes sobre o descumprimento da ordem.
Nos bastidores, há expectativa de que o episódio possa resultar em um pedido ou determinação de prisão. Até o momento, porém, essa possibilidade é tratada como uma avaliação política, e não como uma decisão judicial anunciada.
Para os governistas ouvidos pela coluna, uma eventual prisão poderia desencadear novas manifestações de indignação entre apoiadores do senador, com reflexos sobre a relação entre o governo, a oposição e o Congresso Nacional.
A repercussão do caso também é acompanhada com atenção porque integrantes da família Bolsonaro vêm apresentando as decisões judiciais contra seus membros como exemplos de perseguição política.
Entre os principais defensores dessa interpretação está o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que permanece nos Estados Unidos.
Segundo os relatos publicados pela Folha, a preocupação atribuída a Lula é que novos acontecimentos envolvendo o senador ampliem a circulação dessa narrativa, independentemente dos fundamentos jurídicos das decisões.
A avaliação de interlocutores governistas é de que o episódio pode dificultar a redução das tensões políticas após a eleição e criar obstáculos adicionais para a articulação do Executivo com o Legislativo.
As informações sobre uma possível viagem de Flávio Bolsonaro para a Argentina, seguida de deslocamento aos Estados Unidos, ainda dependem de confirmação pelas autoridades.
Reportagens divulgadas nesta terça-feira apontaram que o senador poderia ter atravessado a fronteira e utilizado uma aeronave particular. Entretanto, não havia confirmação oficial de sua saída do Brasil nas informações disponíveis.
A Polícia Federal apura as circunstâncias do caso, enquanto o STF deverá ser informado sobre o descumprimento da ordem de entrega dos passaportes.
O episódio acrescenta um novo elemento de tensão ao cenário político após a reeleição de Lula e coloca o governo diante da possibilidade de enfrentar uma oposição mobilizada em torno das medidas judiciais contra Flávio Bolsonaro.
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