Política / Nacional
Lula critica saída de Flávio Bolsonaro do Brasil e cobra cumprimento de decisão do STF
Durante comemoração de seus 81 anos, presidente classificou a viagem do senador como vergonhosa e comparou o episódio com sua própria trajetória política
27/10/2026
20:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta terça-feira (27), a saída do Brasil do senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário na disputa presidencial de 2026. Durante a comemoração de seu 81º aniversário, no Palácio da Alvorada, em Brasília, Lula classificou a viagem como “vergonhosa” e questionou o descumprimento da determinação judicial que exigia a entrega dos passaportes do parlamentar.
A manifestação ocorreu após a divulgação de informações sobre o deslocamento de Flávio em direção aos Estados Unidos, apesar de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia determinado a retenção de seus documentos de viagem.
“É impressionante a desfaçatez dele: quando mente, não desrespeita apenas a gente no debate, desrespeita as pessoas em casa. Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso”, afirmou o presidente.
Lula lembrou que também enfrentou investigações e determinações judiciais, mas afirmou ter optado por permanecer no Brasil e cumprir as decisões das autoridades.
“Quando pediram para eu entregar meu passaporte, eu entreguei. Ele deveria ter entregado, porque a Polícia Federal tinha suspeita de que ele ia sair do Brasil e ele tem inquéritos”, declarou.
O presidente também fez críticas à relação política da família Bolsonaro com os Estados Unidos, utilizando expressões duras para questionar a decisão do senador de deixar o país.
Ao comentar derrotas eleitorais anteriores, Lula citou disputas contra Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso, além de mencionar outros candidatos que permaneceram no Brasil depois de perder eleições.
Segundo o presidente, aceitar resultados eleitorais e enfrentar questionamentos judiciais no próprio país faz parte do respeito às instituições democráticas.
Lula também recordou o período em que esteve preso e afirmou que decidiu se apresentar à Polícia Federal para contestar as acusações que enfrentava.
“Resolvi ficar aqui e me entregar à Polícia Federal porque queria desmascarar os meus acusadores e provar a minha inocência”, declarou.
Em outro momento, o presidente associou a saída do adversário ao receio de enfrentar investigações, afirmando: “Quem não deve não teme”.
A declaração representa uma avaliação política de Lula e não constitui comprovação das suspeitas investigadas contra o senador.
A viagem de Flávio Bolsonaro ocorreu em meio a uma decisão do STF que determinava a entrega de seus passaportes à Polícia Federal (PF).
O senador informou na segunda-feira (26) que havia sido intimado a apresentar os documentos. O prazo terminou às 11h de terça-feira (27), sem que a determinação fosse cumprida, conforme as informações divulgadas.
Diante disso, os passaportes comum e diplomático do parlamentar foram cancelados.
O episódio levantou questionamentos sobre as circunstâncias da saída do país e o cumprimento das medidas judiciais impostas ao senador.
O senador eleito pelo Rio de Janeiro Carlos Jordy (PL) confirmou nas redes sociais que Flávio havia deixado o Brasil com destino aos Estados Unidos.
Segundo Jordy, a decisão teria sido tomada para evitar que o parlamentar fosse utilizado como instrumento de pressão política em discussões relacionadas a um eventual processo de impeachment do ministro Alexandre de Moraes.
A justificativa apresentada pelo aliado expressa sua interpretação política sobre a viagem.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos, por sua vez, informou que permitiria a entrada de Flávio Bolsonaro e de seus familiares no território americano, com a emissão dos vistos necessários.
A autorização para entrada no país não significa, por si só, a concessão de asilo político.
As declarações de Lula acrescentam um novo capítulo ao confronto político com Flávio Bolsonaro após a eleição presidencial.
Enquanto o presidente questiona a decisão do adversário de deixar o Brasil diante de uma ordem judicial, aliados do senador apresentam a viagem como uma medida relacionada ao ambiente político e jurídico brasileiro.
As circunstâncias do deslocamento e eventuais consequências do descumprimento da determinação do STF dependem de esclarecimentos e providências das autoridades competentes.
O espaço permanece aberto para manifestação de Flávio Bolsonaro e de sua defesa sobre as declarações do presidente e as circunstâncias da viagem.
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