Política / Justiça
Valdemar critica carta de Flávio Bolsonaro antes de visitar ex-presidente: “Não gostei”
Presidente do PL se manifestou sobre declaração do senador, que contestou a vitória de Lula, e foi autorizado a visitar Jair Bolsonaro nesta quinta-feira
29/10/2026
08:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, criticou nesta quinta-feira (29 de outubro) a carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na qual o candidato derrotado à Presidência se apresentou como o verdadeiro presidente eleito do Brasil. A declaração foi feita antes de uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar por determinação judicial.
Questionado por jornalistas sobre o documento publicado por Flávio na quarta-feira (28), Valdemar respondeu de maneira direta: “Não gostei, não gostei.”
O dirigente partidário não detalhou os motivos da discordância. Ao comentar a visita ao ex-presidente, afirmou que pretendia conversar sobre os acontecimentos recentes.
“Vou contar as novidades para ele, contar como está toda a situação para ele. Vai dar tudo certo”, declarou.
O encontro foi autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após solicitação apresentada pela defesa de Jair Bolsonaro.
Carta provocou divergências entre aliados
A manifestação de Valdemar ocorre em meio às divergências no PL após Flávio Bolsonaro contestar o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).
Na primeira versão da carta publicada nas redes sociais, o senador se apresentou como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” e afirmou ter presenciado uma suposta fraude eleitoral.
“Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos”, escreveu.
Pouco depois, Flávio retirou a publicação e divulgou uma versão modificada, sem a declaração de que seria o presidente eleito. No novo texto, passou a se apresentar como “líder do Brasil”.
As acusações de fraude não foram acompanhadas de provas.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que recebeu aproximadamente 64,2 milhões de votos no segundo turno, cerca de 4,5 milhões a mais que Flávio.
O resultado foi reconhecido por partidos e lideranças da oposição, incluindo integrantes do próprio PL.
Viagem aos Estados Unidos ocorreu após ordem judicial
A controvérsia também envolve a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou o recolhimento de seus passaportes e impôs restrições à saída do país.
O senador deixou o território brasileiro na terça-feira (27), passando pela Argentina e pelo Equador antes de chegar a Miami, nos Estados Unidos, acompanhado da esposa e das duas filhas.
A viagem ocorreu apesar de Flávio ter anunciado anteriormente, em vídeo, que permaneceria no Brasil e entregaria seus documentos às autoridades.
Segundo as informações divulgadas, o senador pretende solicitar asilo político ao governo norte-americano, sob a alegação de sofrer perseguição e violações de direitos no Brasil. Até o momento, não há confirmação de concessão de asilo.
Investigações no Supremo
Flávio Bolsonaro é investigado em procedimentos que apuram suspeitas de irregularidades financeiras.
Uma das investigações envolve possíveis práticas de lavagem de dinheiro, em apuração relacionada ao advogado Willer Tomaz e a empresas do setor de apostas.
Outro procedimento examina suspeitas de corrupção relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.
No âmbito da investigação sobre possíveis operações de lavagem de dinheiro, Moraes também determinou que Flávio não mantivesse contato com Willer Tomaz, diretamente ou por intermédio de terceiros.
As investigações ainda estão em andamento e não representam condenação do senador pelos fatos apurados.
PL enfrenta divergências após eleição
A posição de Valdemar se soma às manifestações de outros aliados de Flávio que reconheceram a vitória de Lula, mesmo mantendo vínculos políticos com o senador.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial, também defenderam o respeito ao resultado eleitoral.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) adotou posição semelhante e pediu que a direita concentre esforços na organização da oposição.
Apesar das divergências sobre a carta e a viagem aos Estados Unidos, Flávio continua recebendo apoio de parlamentares bolsonaristas que defendem sua atuação política após a derrota nas urnas.
A visita de Valdemar a Jair Bolsonaro ocorre nesse contexto, enquanto o PL discute seus próximos passos e a reorganização de sua atuação no Congresso Nacional.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Tarcísio revela que aconselhou Flávio Bolsonaro a permanecer no Brasil após derrota
Leia Mais
Paulo Guedes é investigado pela PF por suspeitas de crimes financeiros envolvendo empresa de criptomoedas
Leia Mais
Aliados reconhecem vitória de Lula, mas Flávio Bolsonaro mantém apoio de parte da oposição
Leia Mais
Horóscopo desta quinta-feira (29): confira as previsões para os 12 signos
Municípios