Campo Grande (MS), Sexta-feira, 30 de Outubro de 2026

Política / Congresso

Lula busca aliança com Alcolumbre e Motta para ampliar apoio no Congresso e reduzir influência do PL

Presidente reeleito pretende reorganizar a distribuição de ministérios, fortalecer o diálogo com o Centrão e apoiar a recondução dos atuais chefes do Legislativo

30/10/2026

15:00

DA REDAÇÃO

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou as articulações para seu novo mandato com a intenção de ampliar a base de apoio no Congresso Nacional e construir uma aliança mais sólida com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A estratégia inclui o apoio à reeleição dos dois parlamentares para o comando das Casas, em 1º de fevereiro de 2027, e uma revisão dos critérios de participação dos partidos no governo.

O objetivo é formar uma frente ampla de sustentação parlamentar, reunindo legendas de centro e centro-direita, para enfrentar o crescimento da oposição e reduzir a influência do Partido Liberal (PL) nas negociações legislativas.

A movimentação começou logo após a vitória de Lula no segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro, quando derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Presidente quer apoio efetivo em troca de espaços no governo

Uma das mudanças planejadas por Lula envolve a distribuição de ministérios e cargos federais.

A intenção é priorizar grupos parlamentares que assumam compromissos concretos com a aprovação de propostas do Executivo, evitando repetir situações observadas no mandato anterior.

Na atual composição política, partidos com representantes na Esplanada dos Ministérios mantiveram posições independentes e, em diversas votações, contrariaram interesses do governo.

Para o próximo mandato, Lula pretende estabelecer uma relação mais direta entre a participação na administração federal e o apoio parlamentar.

A proposta ainda depende de negociações, e não há definição sobre quais ministérios poderão ser oferecidos às legendas interessadas.

Reunião com Alcolumbre e Motta durou 1h40

O presidente se reuniu com Davi Alcolumbre e Hugo Motta na segunda-feira (26), um dia depois de sua reeleição.

O encontro durou aproximadamente uma hora e quarenta minutos e foi dedicado principalmente à análise do resultado eleitoral e às perspectivas políticas para os próximos quatro anos.

Segundo relatos atribuídos aos presidentes das duas Casas, Lula reconheceu que o avanço da direita no Congresso representa um desafio para a governabilidade.

Diante desse cenário, defendeu a construção de uma frente parlamentar ampla, com maior participação dos partidos de centro, para evitar que o governo fique dependente de negociações pontuais a cada votação.

O presidente também manifestou interesse em fortalecer os canais de diálogo com a população e ampliar a interlocução com lideranças políticas que não integram tradicionalmente sua base.

PP, Republicanos e União Brasil discutem aproximação

A reeleição de Lula abriu espaço para uma possível mudança de posicionamento de partidos que mantiveram distância da campanha presidencial petista.

Progressistas (PP), Republicanos e União Brasil demonstraram disposição para discutir uma participação mais ampla no novo governo.

Dirigentes dessas legendas avaliam que a neutralidade adotada no primeiro turno de 2026 facilita uma aproximação com o presidente reeleito.

A situação é diferente da registrada após as eleições de 2022, quando essas siglas apoiaram a candidatura de Jair Bolsonaro (PL) e demoraram a ingressar na administração federal.

Mesmo depois de receberem ministérios, não formalizaram uma adesão integral à base governista.

Agora, a intenção de parte dessas lideranças é participar das negociações desde o início do novo mandato.

Partidos já discutem possíveis indicações ministeriais

Embora Lula ainda não tenha definido os espaços disponíveis, nomes começaram a circular nas articulações internas das legendas.

No Republicanos, o deputado Silvio Costa Filho (PE) é apontado como um dos principais interessados em retornar ao primeiro escalão.

No União Brasil, o deputado Moses Rodrigues (CE) busca apoio dos colegas para uma eventual indicação ministerial.

Já no PP, são mencionados o deputado Aguinaldo Ribeiro (PB) e a senadora Daniella Ribeiro (PB).

Os dois têm ligação familiar com o governador da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), que integra a ala progressista mais próxima da campanha de reeleição de Lula.

A escolha dos futuros ministros dependerá das negociações entre o Palácio do Planalto, as direções partidárias e as bancadas no Congresso.

Segurança pública aparece entre as prioridades

Embora a reunião não tenha sido dedicada à discussão detalhada de projetos, Lula pediu prioridade à tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.

A iniciativa pretende ampliar a capacidade da União de coordenar políticas e ações de segurança em conjunto com estados e municípios.

O governo considera a proposta uma etapa importante para reorganizar a atuação federal no setor e avançar na discussão sobre a criação de um ministério específico para a área.

A aprovação de uma emenda constitucional exige apoio qualificado na Câmara e no Senado, o que reforça a importância das articulações com os presidentes das duas Casas.

Lula convida chefes do Congresso para viagem internacional

Como parte da aproximação institucional, Lula convidou Alcolumbre e Motta para acompanhá-lo em compromissos internacionais previstos para novembro.

A programação mencionada inclui a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31), na Turquia, nos dias 11 e 12, e a Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), nas Filipinas, nos dias 14 e 15.

Os presidentes do Senado e da Câmara ficaram de avaliar a disponibilidade de suas agendas antes de confirmar a participação.

O convite é interpretado nas articulações políticas como mais um movimento para estreitar a relação entre o Executivo e o Legislativo.

Indicação ao STF permanece como ponto de desgaste

Apesar da aproximação, Lula e Alcolumbre ainda enfrentam divergências relacionadas à indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF).

A escolha do advogado-geral da União, Jorge Messias, provocou insatisfação no presidente do Senado, que defendia a indicação do ex-presidente da Casa Rodrigo Pacheco.

Segundo relatos de aliados, Alcolumbre não voltou a tratar diretamente do assunto na reunião de segunda-feira.

As conversas sobre a questão passaram a envolver ministros do Supremo que mantêm interlocução com o presidente da República.

A divergência permanece como um dos temas sensíveis na relação entre o Planalto e o comando do Senado.

Novo mandato dependerá de acordos no Legislativo

A estratégia de Lula parte do reconhecimento de que a vitória presidencial não garante, por si só, maioria parlamentar.

O crescimento da direita nas eleições legislativas de 2026 e o peso do PL no Congresso exigirão negociações com partidos que possuem posições distintas das defendidas pelo PT.

Ao apoiar a permanência de Davi Alcolumbre e Hugo Motta nas presidências do Senado e da Câmara, Lula busca estabelecer uma relação mais previsível com o Legislativo.

Para os partidos de centro, a aproximação também representa a possibilidade de ampliar a participação nas decisões do governo e na definição de políticas públicas.

O desafio do presidente será transformar essa disposição inicial de diálogo em uma base parlamentar capaz de sustentar as principais propostas do novo mandato, sem depender exclusivamente da distribuição de cargos e ministérios.

 


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