Política / Internacional
Marco Rubio nega participação do governo dos EUA na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil
Secretário de Estado afirma que Washington autorizou a entrada do senador, mas não organizou sua viagem. Participação de assessor da Casa Branca levanta questionamentos.
31/10/2026
13:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou neste sábado, 31 de outubro, que o governo norte-americano não participou dos preparativos para a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, após sua derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições. Rubio confirmou, entretanto, que o presidente Donald Trump autorizou a entrada do parlamentar em território norte-americano por meio de uma permissão migratória especial.
A declaração ocorre em meio à investigação da Polícia Federal (PF) sobre as circunstâncias da viagem de Flávio, que deixou o país após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para recolhimento de seus passaportes.
“Nós não facilitamos nada. Quer dizer, soubemos que ele chegou aos EUA. Ele já tinha um visto garantido. E o presidente tomou a decisão de permitir que ele entrasse no país. E nós permitimos”, declarou Rubio.
O secretário acrescentou que, segundo as informações de que dispõe, o governo norte-americano não esteve diretamente envolvido na organização do deslocamento do senador para fora do Brasil.
Casa Branca autorizou entrada excepcional
Rubio explicou que Trump havia decidido permitir o ingresso de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos caso o parlamentar se apresentasse a um posto de controle migratório.
A autorização ocorreu por meio de um mecanismo conhecido como parole, que permite a entrada ou permanência temporária de estrangeiros em determinadas circunstâncias, sem equivaler à concessão de residência permanente ou à retirada de eventuais restrições judiciais impostas por outro país.
“Mas o presidente deixou claro que se ele chegasse a uma alfândega dos EUA que ele receberia uma ‘parole’ para entrar no país e ele recebeu”, afirmou o secretário.
A negativa de Rubio sobre a participação do governo na viagem contrasta com informações atribuídas a Jason Miller, ligado à comunicação da Casa Branca, que teria reconhecido participação na organização do avião particular utilizado pelo senador.
As declarações tratam de aspectos diferentes do episódio. Enquanto Rubio nega envolvimento direto do governo norte-americano nos preparativos para a saída do Brasil, a informação sobre Miller aponta para a possível atuação individual de um integrante da estrutura política de Trump. A extensão dessa participação ainda precisa ser esclarecida.
Viagem passou pela Argentina e pelo Equador
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil dois dias depois do segundo turno, realizado em 25 de outubro.
Na segunda-feira (26), o senador visitou seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar. Após o encontro, foi informado de que agentes da Polícia Federal aguardavam para comunicar a decisão de Moraes que determinava o recolhimento de seus passaportes pessoal e diplomático.
Segundo as informações divulgadas sobre o deslocamento, o parlamentar atravessou a fronteira terrestre entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, na Argentina, antes de embarcar em uma aeronave particular.
O voo fez escala em Guayaquil, no Equador, e seguiu para os Estados Unidos, onde o senador desembarcou em Miami, na manhã de quarta-feira (28).
A Polícia Federal informou que não encontrou registros da saída de Flávio Bolsonaro pelos postos brasileiros de controle migratório.
A corporação investiga as circunstâncias da viagem e eventual descumprimento das medidas judiciais. Também esclareceu que a existência de uma restrição de saída do país não significa, automaticamente, que o investigado esteja na condição jurídica de foragido.
Decisão judicial está relacionada a investigação financeira
A determinação de recolhimento dos passaportes foi adotada por Alexandre de Moraes, após solicitação apresentada pela Polícia Federal no domingo (25 de outubro), diante de indícios apontados pelos investigadores de que o senador poderia deixar o território brasileiro.
Flávio Bolsonaro é investigado na Petição nº 16.877, que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao advogado Willer Tomaz, apontado como amigo do parlamentar, e a negócios ligados a plataformas de apostas.
Willer também é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de fraudes envolvendo descontos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Em outra frente, o senador é alvo de apuração relacionada ao financiamento do filme Dark Horse, produção que aborda a trajetória política de Jair Bolsonaro.
As investigações ainda não representam comprovação das suspeitas nem conclusão sobre eventual responsabilidade criminal dos envolvidos.
Declarações ampliam questionamentos sobre a viagem
A manifestação de Marco Rubio acrescenta uma nova versão oficial ao episódio, ao confirmar que a entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos ocorreu com autorização de Donald Trump, mas negar que o governo norte-americano tenha organizado sua saída do Brasil.
Permanece sob apuração a sequência dos acontecimentos envolvendo a decisão judicial, o deslocamento pela fronteira argentina e a utilização de uma aeronave particular.
O esclarecimento dessas circunstâncias dependerá das investigações da Polícia Federal e das informações que venham a ser apresentadas pelos envolvidos. A autorização migratória concedida pelos Estados Unidos não interfere, por si só, na validade das determinações da Justiça brasileira.
Espaço para manifestação
Mantemos espaço aberto para manifestações do senador Flávio Bolsonaro, de sua defesa, de Jason Miller, de Willer Tomaz e dos demais citados, caso desejem apresentar esclarecimentos ou informações adicionais sobre os fatos relatados.
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