Política / Diplomacia
Reeleição de Lula recebe manifestações de 107 países, enquanto EUA e Argentina permanecem em silêncio
Levantamento do TSE aponta congratulações de governos e organismos internacionais; Trump e Milei ainda não anunciaram reconhecimento oficial do resultado eleitoral
30/10/2026
20:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu manifestações de 107 países e 11 organizações internacionais e blocos regionais até esta sexta-feira (30 de outubro). Apesar da ampla repercussão diplomática, Estados Unidos e Argentina ainda não haviam divulgado mensagens oficiais de congratulação ao presidente brasileiro, segundo levantamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A ausência de manifestações dos governos de Donald Trump e Javier Milei chama a atenção por envolver dois países que mantêm relações políticas e econômicas importantes com o Brasil. Ambos também aparecem no contexto da viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado no segundo turno, que deixou o território brasileiro pela Argentina e seguiu para os Estados Unidos.
O levantamento do TSE registra manifestações públicas de governos e organismos internacionais. A ausência de uma mensagem no painel, porém, não significa necessariamente o rompimento de relações diplomáticas ou o desconhecimento jurídico do resultado eleitoral.
Principais economias mundiais felicitaram Lula
Entre os países que se manifestaram estão Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Coreia do Sul, além de importantes parceiros comerciais e diplomáticos do Brasil.
Também enviaram congratulações integrantes do BRICS, como China, Índia, Rússia, África do Sul e Arábia Saudita.
As manifestações foram registradas pelo Painel de Acompanhamento de Manifestações Internacionais sobre os Resultados Eleitorais, ferramenta desenvolvida pelo TSE para reunir informações sobre a repercussão internacional das eleições brasileiras de 2026.
O sistema permite acompanhar as mensagens divulgadas por governos, lideranças e instituições multilaterais.
Até o levantamento de sexta-feira, a Indonésia ainda não aparecia na relação, embora seu presidente tivesse publicado uma mensagem de congratulação nas redes sociais.
Essa diferença demonstra que a quantidade registrada no painel pode variar conforme a atualização das informações oficiais.
Argentina é exceção na América do Sul
Entre os países sul-americanos, a Argentina era o único que ainda não havia divulgado uma manifestação oficial sobre a reeleição de Lula, conforme os dados apresentados.
Segundo o jornal argentino Clarín, o presidente Javier Milei não pretendia fazer um pronunciamento formal sobre o resultado brasileiro.
A ausência de uma mensagem pública ocorre em um contexto de diferenças políticas entre os dois presidentes, embora Brasil e Argentina mantenham relações comerciais e institucionais importantes, inclusive no âmbito do Mercosul.
Até o momento retratado pelo levantamento, não havia anúncio de qualquer medida diplomática decorrente da falta de congratulação.
Trump critica eleição brasileira, mas não apresenta provas
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump também não havia divulgado uma mensagem oficial de reconhecimento da vitória de Lula.
Questionado sobre a eleição brasileira, Trump afirmou ter acompanhado a votação e fez críticas ao processo.
“Acompanhei as eleições. Não tomei partido, mas vi o que estava acontecendo no Brasil; foi uma vergonha”, declarou o presidente americano antes de participar de um compromisso eleitoral.
A manifestação não foi acompanhada de provas de irregularidades capazes de comprometer o resultado.
O Tribunal Superior Eleitoral proclamou a vitória de Lula no segundo turno, realizado em 25 de outubro, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro.
A diferença entre os candidatos superou 4 milhões de votos.
Argentina e Estados Unidos fizeram parte do trajeto de Flávio Bolsonaro
A ausência de congratulações dos dois governos também ocorre após a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos.
O senador deixou o Brasil na noite de terça-feira (27), atravessando a fronteira entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, na Argentina.
Em território argentino, embarcou em uma aeronave particular que seguiu para os Estados Unidos, com escala em Guayaquil, no Equador.
Flávio chegou à região de Miami, na quarta-feira (28), acompanhado da esposa e das duas filhas.
A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega dos passaportes do senador e impor restrições à sua saída do país, atendendo a um pedido da Polícia Federal.
Reportagens internacionais apontaram possível participação de pessoas ligadas ao governo americano na organização do deslocamento. Entretanto, a extensão dessa participação e a eventual utilização de recursos públicos dependem de esclarecimentos oficiais.
Não há elementos apresentados que permitam concluir que a ausência de mensagens de Trump e Milei esteja diretamente relacionada à viagem do senador.
Flávio permanece nos EUA com autorização temporária
Após sua chegada, Flávio Bolsonaro passou a permanecer nos Estados Unidos mediante uma autorização temporária de entrada, descrita como medida de caráter humanitário.
Esse tipo de autorização não equivale, por si só, à concessão de asilo político ou residência permanente.
O senador é alvo de investigações no Brasil relacionadas a suspeitas de lavagem de dinheiro e a possíveis movimentações financeiras envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, incluindo recursos associados ao projeto audiovisual Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
Flávio nega irregularidades.
A existência de investigações não representa comprovação das suspeitas, e eventuais responsabilidades dependem das conclusões das autoridades competentes.
Com o encerramento de seu mandato parlamentar, previsto para 2027, a situação jurídica do senador poderá exigir nova análise sobre a competência para condução dos procedimentos.
Reconhecimento internacional não depende de congratulações
Embora as mensagens de líderes estrangeiros tenham relevância diplomática, a validade de uma eleição brasileira não depende de manifestações de outros governos.
A apuração, a totalização dos votos e a proclamação do resultado são atribuições da Justiça Eleitoral brasileira, conforme a legislação nacional.
As congratulações internacionais representam manifestações políticas e diplomáticas de reconhecimento do resultado, mas não constituem requisito para a posse do presidente eleito.
Por isso, o silêncio de determinados governos não altera a validade da reeleição de Lula.
Relações diplomáticas seguem como ponto de atenção
Brasil, Estados Unidos e Argentina possuem vínculos comerciais, políticos e institucionais que ultrapassam as diferenças entre seus respectivos governantes.
A relação com Washington envolve comércio, investimentos e cooperação internacional. Com Buenos Aires, inclui também a integração regional e o funcionamento do Mercosul.
O posicionamento de Trump e Milei poderá influenciar o ambiente político das relações bilaterais, mas eventuais consequências concretas dependerão de decisões posteriores de seus governos.
Até 30 de outubro, o levantamento do TSE registrava manifestações favoráveis ao resultado eleitoral de 107 países e 11 organismos internacionais e blocos regionais. Estados Unidos e Argentina permaneciam sem congratulações oficiais registradas, situação que não interfere na validade da vitória de Lula nem permite, isoladamente, concluir que exista uma ação diplomática coordenada contra o Brasil.
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