Campo Grande (MS), Segunda-feira, 02 de Novembro de 2026

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Filha de brasileiros está entre as nove vítimas de queda de jato na Flórida

Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, atuava como copilota e havia conquistado sua primeira licença de aviação ainda no ensino médio; causas do acidente são investigadas

02/11/2026

08:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

A jovem Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, filha de brasileiros que vivem nos Estados Unidos, foi identificada como a copilota de um jato particular que caiu no domingo (1º de novembro), no condado de Palm Beach, na Flórida. O acidente matou as nove pessoas que estavam a bordo, segundo informações divulgadas pela imprensa norte-americana.

Nathalia integrava a tripulação de um Learjet 60 que havia decolado do Aeroporto Internacional de Austin-Bergstrom, no Texas, com destino ao Aeroporto de North Eleuthera, nas Bahamas.

A aeronave caiu nas proximidades de uma estrada, em uma área do sul da Flórida. De acordo com informações atribuídas ao governador Ron DeSantis, não houve registro de mortos ou feridos em terra.

As circunstâncias da queda são investigadas pelas autoridades de aviação dos Estados Unidos.

Jovem começou a pilotar antes de terminar o ensino médio

A identificação de Nathalia foi confirmada por sua mãe, Camila Gadelha Corteleti, ao jornal norte-americano New York Post.

A jovem cresceu no condado de Palm Beach e demonstrou interesse pela aviação ainda na adolescência. Em outubro de 2023, aos 17 anos, conquistou sua licença de piloto privado, enquanto cursava o último ano do ensino médio na West Boca Raton High School.

Na época, a conquista chamou a atenção da imprensa local porque Nathalia havia aprendido a pilotar antes mesmo de obter sua carteira de motorista.

Em entrevista concedida à emissora CBS12, ela comentou com entusiasmo a situação incomum para alguém de sua idade.

“As pessoas dizem: ‘Ah, você não sabe dirigir’, e eu respondo: ‘Sim, mas eu sei voar’”, declarou na ocasião, conforme a reportagem.

Posteriormente, a jovem prosseguiu na formação aeronáutica pela American Flyers, escola de aviação com unidades no Texas e na Flórida.

Segundo informações divulgadas após o acidente, Nathalia trabalhava havia aproximadamente nove meses como piloto comercial.

A licença obtida aos 17 anos era de piloto privado, habilitação diferente das qualificações exigidas para atuar profissionalmente como copilota.

Tripulação relatou turbulência e formação de gelo

Registros de comunicação com o controle de tráfego aéreo, divulgados pela imprensa dos Estados Unidos, indicam que a tripulação enfrentou dificuldades pouco antes da queda.

Inicialmente, foram relatadas turbulência moderada e condições de formação de gelo, com temperatura externa informada de aproximadamente 47 graus Celsius negativos.

Em seguida, houve comunicação sobre precipitação e um pedido de autorização para ganhar altitude.

Pouco depois, a tripulação declarou emergência, utilizando o chamado internacional “Mayday”.

As informações divulgadas apontam que os pilotos relataram uma descida não intencional, inicialmente de cerca de 10 mil pés por minuto, que teria se intensificado nos instantes seguintes.

Em uma das últimas comunicações atribuídas à aeronave, foi mencionada uma taxa de descida de aproximadamente 20 mil pés por minuto, acompanhada de uma inclinação de 60 graus.

Os registros são elementos relevantes para a investigação, mas ainda não permitem determinar o que provocou a perda de controle do avião.

Família relata mensagem enviada antes do acidente

Segundo o New York Post, a mãe e o padrasto da jovem, Thiago Corteleti, reconheceram a voz de Nathalia em gravações atribuídas à comunicação da tripulação com o controle de tráfego aéreo.

O padrasto também relatou que, cerca de dez minutos antes da queda, a copilota teria enviado uma mensagem ao namorado, identificado como Justin.

Na mensagem, Nathalia teria mencionado a presença de turbulência e gelo durante o voo.

A informação foi apresentada pela família à imprensa norte-americana e não constitui, isoladamente, uma explicação para o acidente.

As autoridades responsáveis pela investigação deverão analisar dados técnicos, condições meteorológicas, registros de voo e outros elementos para estabelecer a sequência dos acontecimentos.

Mãe relembra sonho da filha de trabalhar na aviação

Em entrevista ao New York Post, Camila Gadelha Corteleti falou sobre o orgulho que sentia pela trajetória da filha e a dedicação de Nathalia à carreira.

“Eu queria que ela vivesse o sonho dela, mas sabia que esse sonho seria justamente o que a afastaria de mim”, afirmou.

A mãe também recordou que acompanhava com admiração o crescimento profissional da jovem.

“Eu sabia que ela estava vivendo o sonho dela”, declarou.

Ao comentar a morte da filha, Camila lamentou que a trajetória tenha sido interrompida tão cedo.

“Eu não queria que fosse tão cedo”, disse.

O relato da família revela a importância da aviação na vida de Nathalia, que havia transformado o interesse surgido na adolescência em atividade profissional.

Autoridades investigam causas da queda

A investigação oficial está sob responsabilidade do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB), com participação da Administração Federal de Aviação (FAA).

Os investigadores deverão examinar as condições da aeronave, o histórico de manutenção, as informações meteorológicas, os registros de comunicação e os dados disponíveis sobre os momentos anteriores ao impacto.

Embora a tripulação tenha relatado turbulência e formação de gelo, não há confirmação oficial de que esses fatores tenham causado o acidente.

A apuração também deverá esclarecer a sequência da perda de altitude e as condições operacionais do Learjet 60.

Até a divulgação das informações utilizadas nesta reportagem, as outras oito vítimas ainda não haviam sido identificadas oficialmente.

A morte de Nathalia repercutiu entre familiares e pessoas ligadas à aviação, especialmente por sua trajetória precoce e pelo vínculo com a comunidade brasileira nos Estados Unidos.

As causas da tragédia permanecem sob investigação, e a conclusão dependerá dos resultados das análises técnicas conduzidas pelas autoridades norte-americanas.

 

 


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