Política / Investigação Federal
Registros na Argentina e presença de ex-agente israelense levantam novas questões sobre saída de Flávio Bolsonaro
Reportagem do Fantástico aponta três entradas migratórias em nome do senador em 34 minutos; Polícia Federal apura possível descumprimento de restrições judiciais
02/11/2026
07:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A investigação sobre a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil ganhou novos elementos após a divulgação de registros migratórios argentinos e informações sobre a possível participação de um ex-integrante da inteligência israelense na organização da viagem. Os detalhes foram apresentados pelo Fantástico, da TV Globo, neste domingo (1º de novembro), e levantam dúvidas sobre o trajeto percorrido pelo parlamentar até chegar aos Estados Unidos.
Um dos principais pontos revelados pela reportagem envolve três registros de entrada na Argentina em nome de Flávio Bolsonaro, realizados em um intervalo de apenas 34 minutos. Os documentos apresentam identificações diferentes, enquanto a hipótese investigada é de que o senador tenha chegado à região da fronteira por via aérea, e não no veículo associado aos registros terrestres.
A Polícia Federal (PF) apura as circunstâncias da viagem, realizada após a derrota de Flávio na eleição presidencial de 25 de outubro e em meio a medidas cautelares determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A defesa do senador contesta a caracterização do deslocamento como fuga.
De acordo com o Fantástico, os dados da imigração argentina mostram entradas em nome do senador em horários próximos, na noite de 27 de outubro.
Os registros identificados pela reportagem são:
22h37: entrada registrada com passaporte italiano.
22h40: novo registro utilizando uma carteira de motorista.
23h11: terceiro registro, desta vez com passaporte brasileiro.
Segundo a apuração, apenas o primeiro registro permaneceu válido no sistema migratório argentino.
A sequência chamou a atenção porque os documentos indicam passagens terrestres, enquanto outras informações obtidas pela reportagem apontam que Flávio poderia estar em uma aeronave particular na região de Puerto Iguazú, cidade argentina vizinha a Foz do Iguaçu, no Paraná.
A investigação busca esclarecer quem apresentou os documentos, como os registros foram realizados e se houve participação de terceiros nos procedimentos de imigração.
A existência dos registros, isoladamente, não permite concluir quem realizou pessoalmente cada passagem ou se houve irregularidade.
Uma das rotas apresentadas pelo Fantástico indica que o senador teria deixado Brasília às 5h05 de terça-feira (27), a bordo de uma aeronave particular.
O avião teria pousado às 8h40 em San Fernando, na região metropolitana de Buenos Aires, na Argentina.
Posteriormente, Flávio teria embarcado em outro voo privado com destino a Puerto Iguazú, nas proximidades da tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai.
Essa sequência de deslocamentos ainda é tratada como uma das hipóteses examinadas na investigação.
O principal ponto a esclarecer é a relação entre os voos atribuídos ao senador e os registros de entrada terrestre realizados em seu nome na mesma noite.
A reportagem também apresentou informações sobre o deslocamento da esposa do senador, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas do casal.
Segundo a apuração, elas teriam partido de Brasília em um avião com destino a Cascavel, no oeste do Paraná.
Por volta das 20h de terça-feira (27), a família teria embarcado em uma van para seguir até a fronteira entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú.
Os registros migratórios relacionados a esse deslocamento são analisados para reconstruir os horários e identificar as pessoas envolvidas na viagem.
Uma das hipóteses divulgadas é que Flávio tenha aguardado a chegada da família em uma aeronave, antes de seguir viagem para os Estados Unidos.
Essa possibilidade ainda depende de confirmação por meio de documentos, registros aeroportuários e outros elementos de investigação.
Outro aspecto revelado pelo Fantástico envolve o israelense Menachem Booky Halevy, identificado pela reportagem como ex-integrante de um serviço de inteligência de Israel.
Segundo a emissora, Halevy estava em uma segunda van que atravessou a fronteira sete minutos antes do veículo associado à família Bolsonaro.
A Polícia Federal investiga se ele teve alguma participação no planejamento ou na execução dos deslocamentos.
A CNN Brasil já havia noticiado, em 30 de outubro, a possível atuação de um ex-agente da inteligência israelense na operação.
Conforme aquela reportagem, o homem teria chegado ao Brasil em 19 de outubro, antes do segundo turno das eleições presidenciais.
Até o momento, as informações divulgadas não demonstram, por si só, a prática de crime pelo ex-agente. Sua eventual participação e a natureza das atividades realizadas ainda precisam ser esclarecidas.
Depois da passagem pela Argentina, Flávio Bolsonaro e familiares seguiram para os Estados Unidos em uma aeronave particular.
Segundo informações publicadas pela CNN Brasil, o voo foi realizado em um Gulfstream G400, operado pela empresa argentina Baires Fly.
O trajeto teria incluído uma escala em Guayaquil, no Equador, antes da chegada à Flórida.
O desembarque ocorreu na quarta-feira (28 de outubro), no aeroporto executivo de Opa-locka, na região de Miami.
Reportagens da imprensa argentina também levantaram a possibilidade de utilização de diferentes veículos e aeronaves durante os deslocamentos.
O jornal Clarín publicou alegações sobre a contratação de jatos particulares e uma eventual participação de representantes norte-americanos em território argentino.
Essas informações, porém, não foram confirmadas oficialmente pelos governos envolvidos.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou em 31 de outubro que o governo norte-americano autorizou a entrada de Flávio no país, mas negou participação na organização de sua saída do Brasil.
A saída do senador ocorreu em meio a restrições determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, incluindo a entrega de passaportes e a proibição de deixar o território nacional.
Em 28 de outubro, a Polícia Federal informou que apurava as circunstâncias da viagem e o possível descumprimento das determinações judiciais.
Segundo a corporação, não foram encontrados registros oficiais de passagem do senador pelos postos brasileiros de controle migratório.
A PF também informou que os passaportes brasileiros comum e diplomático de Flávio foram cancelados após a decisão judicial.
Apesar disso, a instituição ressaltou que as restrições documentais não permitem classificar automaticamente o parlamentar como foragido.
“A existência de restrições relacionadas a documentos de viagem, por si só, não caracteriza a condição de foragido nem autoriza a realização de prisão, vigilância permanente ou outras medidas cautelares”, esclareceu a Polícia Federal em nota divulgada à imprensa.
A investigação também ocorre no contexto de apurações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz.
Ambos negam irregularidades. As suspeitas investigadas não equivalem a uma conclusão de responsabilidade criminal.
O advogado Frederick Wassef, ligado à defesa de Flávio Bolsonaro, contestou a utilização do termo “fuga” para descrever a viagem, conforme a cobertura do Fantástico.
O senador deixou o Brasil depois de ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial.
A investigação da Polícia Federal deverá esclarecer se houve descumprimento de ordem judicial, quais documentos foram utilizados nos deslocamentos e qual foi a participação das pessoas identificadas nas reportagens.
Também permanece pendente o esclarecimento sobre os três registros migratórios realizados em nome do senador na Argentina.
O espaço permanece aberto para manifestações de Flávio Bolsonaro, de sua defesa, de Menachem Booky Halevy, de Willer Tomaz e das demais pessoas citadas sobre os fatos apresentados pelas reportagens.
Fontes consultadas: a reportagem do Fantástico, repercutida em 2 de novembro, e a cobertura da CNN Brasil confirmam os registros migratórios e as diferentes versões sobre o trajeto. A Polícia Federal também esclareceu que a restrição aos passaportes não torna automaticamente o senador foragido.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
PL prepara candidatura de Rogério Marinho ao Senado, enquanto Tereza Cristina mantém disputa
Leia Mais
Falta de vitamina D pode afetar ossos e músculos; conheça 10 sinais que merecem atenção
Leia Mais
Horóscopo de hoje, 2 de novembro: veja as previsões para os 12 signos nesta segunda-feira
Leia Mais
Lula afirma que manterá programas sociais no próximo mandato e rebate informações falsas
Municípios