Política / Internacional
Trump descarta encontro com Flávio Bolsonaro, mas autoriza permanência nos Estados Unidos
Presidente norte-americano critica tratamento dado ao senador após derrota eleitoral; Marco Rubio nega participação do governo dos EUA em sua saída do Brasil
01/11/2026
07:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (31 de outubro) que não pretende se reunir com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que chegou ao território norte-americano após perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apesar de descartar um encontro, Trump manifestou apoio à permanência do brasileiro no país e voltou a criticar o resultado da votação.
A declaração foi dada a jornalistas em Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida, onde o presidente norte-americano foi questionado sobre a possibilidade de receber Flávio Bolsonaro.
“Sem planos de encontrá-lo, mas acho que ele foi tratado muito mal, muito injustamente. Ele pode ficar aqui o tempo que quiser. A eleição foi uma desgraça”, declarou Trump, conforme a tradução divulgada da entrevista.
A manifestação ocorre três dias depois da chegada de Flávio aos Estados Unidos, na quarta-feira (28 de outubro). O senador deixou o Brasil após sua derrota no segundo turno presidencial, realizado no domingo (25), e em meio a questionamentos sobre o cumprimento de medidas judiciais.
Embora tenha criticado a eleição brasileira, Trump não apresentou provas de irregularidades na votação. O presidente norte-americano também não reconheceu Flávio Bolsonaro como vencedor do pleito, apesar de uma carta divulgada pelo senador ter utilizado inicialmente a expressão “verdadeiro presidente eleito”.
No mesmo sábado, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que o governo dos Estados Unidos não participou da organização da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.
Segundo Rubio, o senador já possuía autorização de viagem e recebeu permissão para entrar no território norte-americano por decisão do presidente Donald Trump.
“Nós não facilitamos nada. Quer dizer, soubemos que ele chegou aos EUA. Ele já tinha um visto garantido. E o presidente tomou a decisão de permitir que ele entrasse no país. E nós permitimos”, afirmou o secretário.
Rubio acrescentou que autoridades norte-americanas não participaram dos preparativos ou deslocamentos realizados pelo senador antes de sua chegada.
“Mas não estávamos envolvidos em nenhum dos arranjos para ele sair do país. Pelo menos o governo dos EUA não estava envolvido diretamente em qualquer um dos movimentos que foram feitos”, declarou.
A manifestação distingue duas situações: a autorização para ingresso nos Estados Unidos, reconhecida pelo governo Trump, e uma eventual participação na saída do Brasil, negada pelo secretário de Estado.
De acordo com Marco Rubio, a entrada de Flávio Bolsonaro ocorreu por meio de uma autorização migratória conhecida como parole, mecanismo previsto na legislação norte-americana que permite a admissão temporária de estrangeiros em determinadas circunstâncias.
“O presidente deixou claro que, se ele chegasse a uma alfândega dos EUA, receberia uma ‘parole’ para entrar no país, e ele recebeu”, explicou Rubio.
A autorização permite a permanência temporária conforme as condições estabelecidas pelas autoridades migratórias. Ela não equivale, por si só, à concessão de residência permanente ou de asilo político.
A declaração de Trump de que Flávio poderia permanecer no país pelo tempo que desejasse representa uma manifestação de apoio político, mas não substitui os requisitos legais aplicáveis à situação migratória do senador.
A chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos ocorreu após uma eleição presidencial disputada. No segundo turno, Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio recebeu 48,21%.
Depois de deixar o Brasil, o senador teve seu nome associado a uma carta divulgada na quarta-feira (28), na qual aparecia inicialmente como “verdadeiro presidente eleito”.
Uma versão posterior do documento substituiu essa expressão por “líder do Brasil”, retirando a referência direta a uma suposta vitória eleitoral.
O episódio provocou novas discussões sobre o posicionamento do governo norte-americano diante do resultado das eleições brasileiras.
Apesar de manifestar solidariedade a Flávio e questionar publicamente a votação, Trump não anunciou medidas para reconhecer o senador como presidente eleito.
As manifestações de Donald Trump e Marco Rubio mostram que o governo norte-americano autorizou a entrada de Flávio Bolsonaro e demonstrou apoio à sua permanência, mas nega ter participado da organização de sua saída do território brasileiro.
A ausência de planos para um encontro entre Trump e o senador também indica que, até o momento da declaração, não havia uma reunião anunciada entre os dois.
O caso continua repercutindo no cenário político brasileiro, especialmente pelas discussões sobre o resultado eleitoral, a situação jurídica do senador e o alcance do apoio oferecido pelo governo dos Estados Unidos.
Espaço para manifestação
O espaço permanece aberto para manifestação do senador Flávio Bolsonaro, de sua assessoria e das autoridades brasileiras competentes sobre os desdobramentos de sua saída do país e as declarações do governo norte-americano.
Conferência: as declarações de Trump e Marco Rubio foram confirmadas em reportagens publicadas em 31 de outubro e 1º de novembro de 2026. A autorização migratória não deve ser confundida com permanência ilimitada garantida por lei.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
A Eternidade, consolo em “Finados”
Leia Mais
Lei da Dosimetria segue sem julgamento no STF após 177 dias sob relatoria de Moraes
Leia Mais
UNE convoca atos em nove estados contra Flávio Bolsonaro e em apoio à reeleição de Lula
Leia Mais
Lula acabou com o auxílio-reclusão? Entenda o que mudou com a Lei Antifacção
Municípios