Política / Senado Federal
PL prepara candidatura de Rogério Marinho ao Senado, enquanto Tereza Cristina mantém disputa
Com 28 senadores na próxima legislatura, partido pretende lançar nome próprio contra Davi Alcolumbre; parlamentar de Mato Grosso do Sul também busca apoio para comandar a Casa
02/11/2026
07:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A disputa pela presidência do Senado Federal, marcada para fevereiro de 2027, começa a ganhar contornos mais definidos, com reflexos diretos na representação política de Mato Grosso do Sul. Enquanto o PL prepara o lançamento da candidatura do senador Rogério Marinho (RN), a senadora Tereza Cristina (PP-MS) mantém a intenção de concorrer ao cargo e se tornar a primeira mulher a presidir a Casa.
O cenário coloca os dois parlamentares no campo da oposição ao governo federal, ao mesmo tempo em que o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), articula apoios para tentar a reeleição.
Segundo informações divulgadas pelo g1, o PL pretende anunciar oficialmente a candidatura de Marinho na próxima quarta-feira (4 de novembro). A decisão ocorre apesar das conversas conduzidas por Alcolumbre com representantes de diferentes partidos, incluindo integrantes da oposição.
Com a posse dos senadores eleitos em outubro, o PL terá 28 integrantes, tornando-se a maior bancada do Senado a partir de fevereiro de 2027.
Esse número amplia o peso da legenda nas negociações, mas não garante a eleição de seu candidato.
Para conquistar a presidência da Casa, será necessário obter ao menos 41 votos, maioria absoluta dos 81 senadores.
A direção partidária e a maior parte de seus parlamentares defendem a apresentação de um nome próprio, mesmo diante da possibilidade de negociar espaços na estrutura administrativa e nas comissões permanentes.
Na quarta-feira (28 de outubro), Rogério Marinho já havia confirmado a expectativa de representar o partido na disputa.
O senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ) também manifestou apoio à candidatura.
“A candidatura com mais força e votos hoje é a de Rogério Marinho”, declarou ao g1.
Mesmo com a movimentação do PL, Tereza Cristina, representante de Mato Grosso do Sul, não pretende abandonar a disputa.
A senadora do Progressistas (PP) afirmou que continuará buscando condições políticas para concorrer à presidência do Senado, independentemente da candidatura de Rogério Marinho.
“Eu mantenho meu desejo de concorrer, de ser a primeira mulher presidente do Senado. Temos 90 dias até a eleição. Tem muita água pra rolar”, declarou Tereza ao g1.
A parlamentar aposta no período de negociações que antecede a escolha da Mesa Diretora para ampliar o diálogo com outras bancadas.
Entre os apoios mencionados nas articulações está o da senadora eleita pelo Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL), que, segundo a reportagem, manifesta preferência pela candidatura de Tereza Cristina.
A eventual eleição da representante sul-mato-grossense teria significado histórico, já que nenhuma mulher presidiu o Senado Federal.
O atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre, trabalha para construir uma maioria que inclua parlamentares de partidos como PL, PP e Republicanos.
A estratégia envolve negociações sobre a composição da Mesa Diretora, a distribuição de comissões e a condução de temas considerados prioritários por diferentes grupos políticos.
Interlocutores de Alcolumbre afirmaram ao g1 que ele já teria apoio suficiente para conquistar um novo mandato à frente da Casa.
Essa avaliação, entretanto, representa a posição de aliados e não uma contagem oficial de votos. Como a eleição ocorrerá apenas em fevereiro, o cenário permanece sujeito a mudanças.
As conversas também devem envolver senadores recém-eleitos, incluindo integrantes do campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Um dos assuntos discutidos nos bastidores é a possibilidade de o Senado analisar uma proposta de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo a reportagem, Alcolumbre conversou com parlamentares sobre o tema, que interessa a setores da oposição.
A eventual votação poderia influenciar as negociações para a presidência do Senado, mas não há acordo formal anunciado nem garantia de aprovação de uma proposta.
O debate também envolve a relação entre o Legislativo e o Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente diante das pressões de parlamentares pela abertura de procedimentos contra ministros da Corte.
Uma liderança do PL ouvida pelo g1, sob reserva, avaliou que uma negociação envolvendo a anistia poderia ser acompanhada de entendimentos políticos para reduzir os conflitos entre o Senado e o Judiciário.
Essa interpretação, porém, não representa uma posição oficialmente assumida pelo partido ou pela presidência da Casa.
Embora a candidatura de Rogério Marinho tenha apoio majoritário na legenda, há senadores que defendem uma negociação prévia com Alcolumbre.
O principal argumento é evitar que uma eventual derrota na eleição da Mesa prejudique a participação do PL no comando de comissões importantes.
A preocupação tem como referência a disputa de 2023, quando Rogério Marinho concorreu à presidência do Senado, mas foi derrotado por Rodrigo Pacheco.
Uma liderança partidária afirmou ao g1 que seria necessário avaliar o custo político de uma candidatura própria sem acordo com outras bancadas.
Apesar dessas ponderações, a posição predominante no PL continua sendo a de lançar Marinho.
A movimentação no Senado ocorre poucos dias depois do segundo turno presidencial, realizado em 25 de outubro, no qual Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Rogério Marinho atuou na coordenação da campanha de Flávio, circunstância que passou a ser considerada nas avaliações políticas sobre sua candidatura ao comando do Senado.
Segundo o g1, alguns parlamentares da oposição avaliam que as declarações de Flávio após a eleição e sua saída do Brasil podem influenciar a capacidade de articulação de Marinho.
Trata-se, no entanto, de uma avaliação de bastidores, sem demonstração de que esses episódios tenham alterado concretamente o número de votos do senador.
Questionado em 28 de outubro sobre a carta divulgada por Flávio Bolsonaro, Alcolumbre evitou aprofundar a controvérsia.
“Eu estou falando todo dia de pacificação do Brasil. Tudo que eu comentar para vocês pode ser contrário à minha tese”, declarou.
A escolha do próximo presidente do Senado ocorrerá em fevereiro de 2027, quando os parlamentares definirão quem comandará a Casa pelos dois anos seguintes.
Até lá, as candidaturas dependerão de negociações entre partidos, compromissos sobre a composição das comissões e entendimentos sobre a pauta legislativa.
O PL pretende chegar à disputa com Rogério Marinho, enquanto Davi Alcolumbre busca consolidar apoios para permanecer no cargo.
Para Mato Grosso do Sul, a movimentação também mantém em evidência o nome de Tereza Cristina, que continua defendendo sua candidatura e poderá participar diretamente das negociações que definirão a próxima direção do Senado.
Com três nomes em articulação e diferentes interesses partidários em jogo, o resultado permanece indefinido.
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