Saúde / Prevenção
Falta de vitamina D pode afetar ossos e músculos; conheça 10 sinais que merecem atenção
Cansaço prolongado, fraqueza muscular e dores ósseas estão entre os possíveis sintomas; especialistas alertam que a deficiência também pode ocorrer sem sinais aparentes
02/11/2026
07:15
DA REDAÇÃO
A deficiência de vitamina D pode passar despercebida durante meses e, em alguns casos, comprometer a saúde dos ossos e o funcionamento dos músculos. Neste 2 de novembro, Dia Mundial da Vitamina D, a data chama a atenção para a importância desse nutriente e para os cuidados necessários antes de recorrer à suplementação.
Produzida principalmente pela pele em resposta à radiação solar, a vitamina D também pode ser obtida por meio de alimentos e suplementos. Sua principal função é contribuir para a absorção de cálcio e fósforo, minerais fundamentais para a manutenção dos ossos. Ela também participa de processos relacionados à função muscular e ao sistema imunológico.
O problema é que nem sempre a deficiência provoca sintomas. Quando surgem, as manifestações podem ser confundidas com outras condições de saúde, dificultando a identificação da causa.
Especialistas do The Endocrine Center, dos Estados Unidos, relacionam dez alterações que podem aparecer em pessoas com níveis baixos de vitamina D. Algumas têm associação mais bem estabelecida com a deficiência, enquanto outras ainda são investigadas pela ciência.
Sentir fadiga ocasionalmente é comum, especialmente depois de uma rotina intensa. No entanto, o cansaço persistente, mesmo após períodos adequados de sono, merece atenção.
Alguns estudos encontraram associação entre níveis baixos de vitamina D e fadiga. Isso não significa, porém, que a deficiência seja necessariamente responsável pelo sintoma.
Anemia, distúrbios da tireoide, problemas do sono e outras condições também podem provocar falta de energia. Quando o cansaço interfere nas atividades diárias, é importante investigar sua origem.
A vitamina D contribui para o funcionamento adequado dos músculos. Em situações de deficiência importante, podem surgir fraqueza muscular, dificuldade para realizar determinados movimentos e dores difusas.
Pessoas com perda de força nas pernas, por exemplo, podem apresentar maior dificuldade para subir escadas ou levantar de uma cadeira.
Essas alterações também podem ter causas neurológicas, metabólicas ou musculares. Por isso, a avaliação médica é necessária quando os sintomas persistem.
O nutriente participa da regulação de diferentes respostas do sistema imunológico, o que levou pesquisadores a estudar sua relação com infecções.
Embora alguns trabalhos tenham identificado associações entre níveis baixos de vitamina D e determinados problemas respiratórios, ter gripes ou resfriados frequentes não é um sinal específico de deficiência.
Também não há justificativa para utilizar doses elevadas da vitamina com a finalidade de prevenir doenças sem orientação profissional.
Alterações emocionais, desânimo e sintomas depressivos aparecem entre as condições investigadas em estudos sobre vitamina D.
Pesquisas observacionais encontraram relações entre concentrações reduzidas do nutriente e depressão, mas ainda existem dúvidas sobre a direção e as causas dessa associação.
A deficiência de vitamina D não deve ser considerada, isoladamente, uma explicação para depressão ou ansiedade. Sintomas emocionais persistentes exigem avaliação adequada, independentemente dos resultados de exames nutricionais.
Entre as consequências mais conhecidas da deficiência prolongada de vitamina D está o prejuízo à mineralização óssea.
Nos adultos, quadros importantes podem provocar osteomalácia, condição caracterizada pelo enfraquecimento dos ossos, frequentemente acompanhada de dor e sensibilidade.
A deficiência também pode contribuir para problemas relacionados à saúde óssea, dependendo da idade e de outros fatores clínicos.
Dores persistentes nas costas ou em diferentes regiões do esqueleto precisam ser investigadas, especialmente quando acompanhadas de fraqueza ou fraturas.
Alguns estudos identificaram concentrações menores de vitamina D em pessoas com obesidade, mas essa associação não demonstra que a falta do nutriente provoque ganho de peso.
A distribuição da vitamina no organismo e outros fatores metabólicos podem contribuir para essa relação.
Portanto, engordar sem uma explicação aparente não permite suspeitar especificamente de deficiência de vitamina D. Mudanças importantes no peso devem ser avaliadas considerando alimentação, medicamentos, alterações hormonais e outras condições.
A vitamina D participa de processos biológicos relacionados aos folículos capilares, estruturas responsáveis pela produção dos fios.
Pesquisas investigam a associação entre níveis reduzidos do nutriente e determinados tipos de alopecia, especialmente a alopecia areata.
Entretanto, a queda de cabelo possui numerosas causas, incluindo predisposição genética, alterações hormonais, doenças do couro cabeludo e deficiências nutricionais.
A suplementação não deve ser iniciada apenas com base na percepção de aumento da queda capilar.
A vitamina D participa de mecanismos envolvidos na resposta inflamatória e no funcionamento de células relacionadas à recuperação dos tecidos.
Algumas pesquisas sugerem uma possível relação entre sua deficiência e alterações na cicatrização, mas as evidências ainda são insuficientes para considerar esse problema um sinal confiável de níveis baixos da vitamina.
Feridas persistentes podem estar relacionadas a diabetes, problemas circulatórios, infecções e outras condições que exigem investigação.
A relação entre vitamina D e hipertensão arterial tem sido examinada em diferentes estudos.
Embora algumas pesquisas observacionais tenham encontrado associação entre níveis baixos da vitamina e pressão elevada, ensaios clínicos não demonstraram benefício consistente da suplementação para reduzir a pressão arterial.
A hipertensão possui múltiplos fatores de risco e deve ser acompanhada com medidas comprovadas de prevenção e tratamento.
Vitamina D não substitui medicamentos prescritos nem o acompanhamento da pressão arterial.
A vitamina D ajuda o organismo a absorver cálcio e fósforo, minerais essenciais para a formação e a manutenção dos tecidos mineralizados.
A deficiência importante, especialmente durante fases de desenvolvimento, pode comprometer processos relacionados à mineralização dentária.
Apesar disso, problemas como cáries, sensibilidade e doenças gengivais possuem diferentes causas, e não podem ser atribuídos automaticamente à falta da vitamina.
A higiene bucal e o acompanhamento odontológico continuam sendo fundamentais.
A presença de um ou mais desses sintomas não confirma que a vitamina D esteja baixa. Da mesma forma, pessoas com deficiência podem não apresentar nenhuma manifestação evidente.
Quando existe indicação clínica, o profissional de saúde pode solicitar um exame de sangue que mede a concentração de 25-hidroxivitamina D, identificada como 25(OH)D.
O resultado deve ser interpretado de acordo com o histórico médico, a idade, os fatores de risco e as condições de saúde de cada pessoa.
O exame não precisa ser realizado indiscriminadamente por toda a população saudável. A investigação costuma ser mais relevante em situações específicas, como suspeita de doença óssea ou condições que prejudicam a absorção do nutriente.
A principal fonte natural de vitamina D para muitas pessoas é a produção pela pele mediante exposição à radiação ultravioleta B (UVB). A quantidade produzida varia conforme características individuais, condições ambientais e hábitos de exposição.
A alimentação também contribui, embora poucos alimentos apresentem quantidades naturalmente elevadas do nutriente.
Entre as fontes alimentares estão:
Peixes gordurosos, como salmão e sardinha.
Gema de ovo, que contém pequenas quantidades.
Alimentos fortificados, quando enriquecidos com vitamina D.
Alguns cogumelos expostos à radiação ultravioleta, dependendo do produto.
A exposição excessiva ao sol aumenta o risco de danos à pele, incluindo câncer. Por isso, não é recomendado abandonar o protetor solar ou buscar exposição prolongada sem proteção como forma de corrigir uma possível deficiência.
Quando a deficiência é confirmada e existe indicação de tratamento, a reposição pode ser realizada com suplementos em doses ajustadas às necessidades individuais.
O uso por conta própria, principalmente em quantidades elevadas, oferece riscos.
Como a vitamina D é lipossolúvel, o consumo excessivo pode provocar aumento do cálcio no sangue (hipercalcemia), com manifestações como náuseas, fraqueza, alterações renais e, em situações graves, comprometimento da função dos rins.
A mensagem principal neste Dia Mundial da Vitamina D é que o nutriente tem papel importante na saúde, mas não deve ser tratado como solução universal para cansaço, alterações de humor ou outros sintomas inespecíficos.
Diante de sinais persistentes, o caminho mais seguro é buscar avaliação médica para identificar a causa e definir se existe necessidade de exames ou suplementação.
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