Política / Congresso Nacional
PL ameaça disputar presidência da Câmara e cobra espaço político para apoiar Hugo Motta
Líder da legenda, Sóstenes Cavalcante afirma que decisão será tomada na próxima semana e não descarta isolamento para preservar posição do partido
03/11/2026
18:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O Partido Liberal (PL) ainda não definiu se apoiará a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados ou se apresentará uma candidatura própria. A decisão deverá ser tomada na próxima semana, segundo o líder da sigla na Casa, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que condicionou qualquer entendimento político à preservação dos interesses do partido e de seus eleitores.
A declaração foi feita após uma reunião na sede nacional do PL, em Brasília, em meio às articulações para a escolha da próxima Mesa Diretora da Câmara.
Com 121 deputados eleitos para a próxima legislatura, o PL terá a maior bancada da Casa e busca transformar esse peso parlamentar em influência nas decisões do Congresso.
Apesar da força numérica da legenda, Hugo Motta já reúne o apoio de 15 partidos para sua recondução ao comando da Câmara, cenário que amplia a pressão sobre o PL para definir sua estratégia.
Ao comentar as negociações, Sóstenes afirmou que o partido não pretende abrir mão de sua identidade política apenas para integrar uma composição majoritária.
“Logicamente nós temos convicção de que hoje o PL é uma grife nacional e que nós não vamos jogar o nome do PL na lama, sem nenhum tipo de contrapartida aos nossos eleitores”, declarou.
O parlamentar também ressaltou que a bancada precisa considerar as expectativas dos eleitores responsáveis pelo desempenho da legenda nas eleições.
Segundo ele, a definição será construída internamente, levando em conta a representatividade conquistada pelo partido tanto na Câmara quanto no Senado.
“Com muito equilíbrio, com muito respeito, na próxima semana a bancada de deputados também vai decidir qual é o caminho que nós seguiremos com relação à eleição da presidência da Câmara”, acrescentou.
A manifestação indica que o PL pretende avaliar não apenas a possibilidade de vitória de uma candidatura própria, mas também as condições políticas oferecidas em uma eventual negociação com Hugo Motta.
Além da presidência da Câmara, as articulações envolvem a distribuição de espaços de influência na estrutura legislativa.
Entre eles estão as vagas na Mesa Diretora e o comando de comissões permanentes, responsáveis pela análise de projetos e pela condução de debates sobre temas importantes para o país.
Esses postos permitem aos partidos participar mais diretamente da organização dos trabalhos parlamentares e da definição de prioridades legislativas.
Com a maior bancada da próxima legislatura, o PL busca assegurar participação compatível com sua representação.
Por outro lado, uma candidatura própria contra Hugo Motta poderá dificultar a negociação de determinados espaços, especialmente diante da ampla aliança formada em torno do atual presidente da Câmara.
Questionado sobre o risco de o partido ficar isolado caso decida lançar um candidato próprio, Sóstenes minimizou as possíveis consequências.
“Estar isolado em um primeiro momento não significa uma má estratégia”, afirmou.
Para sustentar o argumento, ele recordou a eleição para a presidência do Senado em 2023, quando Rogério Marinho (PL-RN) foi derrotado por Rodrigo Pacheco, então filiado ao PSD de Minas Gerais.
Na avaliação do líder, o resultado deixou o PL sem espaços relevantes na estrutura do Senado naquele momento, mas não impediu o fortalecimento posterior da legenda.
Sóstenes afirmou que, quatro anos depois, o partido voltou ao Congresso com uma representação parlamentar ampliada.
A posição do PL ganha importância no cenário político após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial de 2026.
Com a maior bancada da Câmara e presença expressiva no Senado, a legenda busca definir como exercerá sua força de oposição durante o novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A eventual adesão à candidatura de Hugo Motta poderá abrir espaço para negociações sobre cargos e participação na condução dos trabalhos legislativos.
Já a apresentação de um nome próprio permitiria ao PL marcar uma posição independente, embora com perspectivas mais limitadas de vitória diante do apoio partidário já anunciado ao atual presidente.
Até o momento, não há decisão oficial sobre apoio ou candidatura própria. A definição deverá ocorrer após nova discussão entre os deputados da legenda, prevista para a próxima semana.
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