Política / Congresso Nacional
Tereza Cristina e Rogério Marinho negociam aliança para enfrentar Alcolumbre no Senado
Senadores avaliam acordo para alternar candidaturas à presidência da Casa e defendem voto aberto na eleição que definirá o comando do Legislativo
03/11/2026
19:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o senador Rogério Marinho (PL-RN) articulam um entendimento para evitar a divisão de votos entre parlamentares de oposição na disputa pela presidência do Senado Federal. A negociação inclui a possibilidade de alternância entre os dois nomes nas próximas eleições internas e uma proposta para tornar aberta a votação que definirá o comando da Casa.
Segundo informações divulgadas pelo Estadão, Tereza e Marinho devem realizar uma nova reunião para discutir qual deles representará o grupo na disputa contra o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Marinho, que conta com o apoio do Partido Liberal (PL), já teria sinalizado que não pretende disputar a presidência contra Tereza Cristina. A senadora sul-mato-grossense, por sua vez, mantém sua pré-candidatura, mesmo sem o apoio oficial da Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas.
A movimentação busca construir uma candidatura competitiva diante da articulação de Alcolumbre, que reúne apoio de parlamentares próximos ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de partidos do centro político.
Uma das alternativas discutidas é estabelecer um entendimento para que apenas um dos dois senadores concorra à presidência neste primeiro momento, enquanto o outro receba apoio para disputar o comando da Casa no período seguinte.
A estratégia considera a eleição para o biênio 2027-2028 e a disputa posterior, referente ao biênio 2029-2030.
O objetivo seria preservar a unidade do grupo e impedir que candidaturas concorrentes reduzam as possibilidades de vitória da oposição.
Apesar das conversas, ainda não há definição pública sobre quem encabeçará a candidatura na primeira eleição.
A decisão dependerá de novas negociações entre Tereza Cristina, Rogério Marinho e os parlamentares que apoiam os dois nomes.
Outro ponto defendido pelos aliados de Tereza e Marinho é a alteração das regras da eleição para presidente do Senado.
Atualmente, a escolha é realizada por votação secreta. O grupo estuda propor o voto aberto, permitindo identificar publicamente o posicionamento de cada senador.
A mudança é considerada importante por integrantes da oposição para verificar a fidelidade dos apoios anunciados e reduzir a possibilidade de divergência entre compromissos políticos e votos efetivamente registrados.
A proposta, entretanto, depende de alteração das regras aplicáveis à eleição interna e não está aprovada.
A discussão também reflete a disputa entre setores alinhados ao governo Lula e parlamentares ligados ao campo político do ex-candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL).
A eleição para a presidência do Senado ganhou importância adicional por causa das discussões sobre os procedimentos relacionados a pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Integrantes da oposição defendem mudanças legislativas que ampliem as possibilidades de análise dessas solicitações.
O presidente do Senado exerce papel relevante na condução das atividades da Casa e no encaminhamento de matérias legislativas, o que torna a escolha estratégica para os diferentes grupos políticos.
Nesse contexto, Tereza Cristina e Rogério Marinho procuram reunir apoio em torno de uma candidatura que represente suas posições sobre o funcionamento do Senado e a relação entre os Poderes.
Um dos principais obstáculos à candidatura da senadora sul-mato-grossense é a posição da própria federação partidária à qual pertence.
A Federação União Progressista anunciou apoio à reeleição de Davi Alcolumbre, contrariando a intenção de Tereza Cristina de disputar o comando do Senado.
O posicionamento evidencia diferenças internas sobre a estratégia política para a próxima legislatura.
Alcolumbre também mantém interlocução com senadores de diferentes partidos e conta com o apoio de integrantes do chamado Centrão, resultado das articulações construídas durante sua atuação à frente da Casa.
A capacidade de reunir parlamentares de diferentes correntes políticas é considerada uma vantagem na disputa pela reeleição.
Ex-ministra da Agricultura e representante de Mato Grosso do Sul no Senado, Tereza Cristina tenta ampliar sua base de apoio para transformar a pré-candidatura em uma alternativa ao atual presidente.
A aproximação com Rogério Marinho poderá fortalecer essa articulação, especialmente se resultar na retirada de uma das candidaturas em favor de um nome único.
Por enquanto, a negociação permanece em andamento, sem anúncio de acordo definitivo.
A próxima reunião entre os dois senadores deverá ser decisiva para definir a estratégia do grupo, tanto em relação à candidatura quanto à eventual apresentação de uma proposta de voto aberto.
A disputa pela presidência do Senado promete envolver não apenas a distribuição de espaços políticos, mas também diferentes posições sobre a atuação do Congresso e sua relação com o governo federal e o Judiciário.
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