Justiça / Investigação Financeira
Moraes determina bloqueio de bens de advogado que disputa mansão com Richarlison
Restrição patrimonial atinge empresa ligada a Willer Tomaz e alcança imóvel em Angra dos Reis; advogado é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo apostas on-line
03/11/2026
14:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atingiu o patrimônio do advogado Willer Tomaz, investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas on-line. Entre os imóveis alcançados pela medida está uma mansão em Angra dos Reis (RJ), cuja posse é disputada pelo advogado e pelo atacante Richarlison, da Seleção Brasileira.
Segundo informações publicadas nesta terça-feira (3 de novembro) pela coluna de Demétrio Vecchioli, do portal Metrópoles, a restrição consta na matrícula do imóvel e está vinculada à empresa WT Administração de Imóveis e Bens, sociedade proprietária de parte do patrimônio associado ao advogado.
A indisponibilidade foi registrada na Central Nacional de Indisponibilidade de Bens (CNIB) em 26 de outubro, com posterior averbação no cartório de registro de imóveis de Angra dos Reis.
A medida impede a livre disposição dos bens alcançados pela ordem judicial, mas não representa, por si só, confisco definitivo ou reconhecimento de culpa.
O imóvel envolvido na decisão pertenceu à cantora Clara Nunes e atualmente é objeto de uma disputa entre Willer Tomaz e Richarlison.
De acordo com a reportagem, o atacante afirma que a propriedade foi “tomada” pelo advogado. A alegação integra a controvérsia entre as partes e não deve ser confundida com uma conclusão judicial definitiva sobre a titularidade ou a posse do imóvel.
A decisão de indisponibilidade está relacionada à investigação financeira conduzida no STF, e não significa que o ministro tenha decidido a disputa patrimonial entre o jogador e o advogado.
Willer Tomaz é investigado em um inquérito que apura suspeitas de movimentações financeiras irregulares relacionadas ao mercado de apostas eletrônicas.
Reportagens anteriores do Metrópoles apontaram que o advogado teria movimentado aproximadamente R$ 5 bilhões em apostas realizadas em uma única plataforma durante 2025.
O veículo também publicou informações sobre a participação do investigado em empresas de intermediação de pagamentos e sobre o lançamento de três plataformas de apostas vinculadas a seus negócios.
Esses elementos são examinados no contexto da investigação, mas não constituem, isoladamente, prova de prática criminosa.
No âmbito do mesmo procedimento, Moraes determinou medidas de investigação patrimonial que incluem a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial de empresas relacionadas a Willer Tomaz.
A ordem também prevê o bloqueio de bens da Alcazar e de outras companhias associadas ao advogado, até o limite de R$ 6 bilhões.
Esse montante corresponde ao teto estabelecido para as medidas de constrição patrimonial e não significa que todo o valor tenha sido efetivamente localizado ou bloqueado.
O ministro também determinou providências relacionadas ao cancelamento dos passaportes do investigado, incluindo documento diplomático.
Segundo a publicação, Willer deixou o Brasil em agosto e não havia retornado até a divulgação das informações.
A investigação alcança ainda Flávio Bolsonaro (PL), apontado em reportagens como pessoa que teria mantido vínculos financeiros com empresas relacionadas ao advogado.
Conforme as informações divulgadas, Flávio teria figurado como usuário com privilégios administrativos em uma conta bancária empresarial e recebido pagamentos de despesas efetuados por Willer Tomaz.
Essas circunstâncias são objeto de apuração e não representam comprovação de irregularidade.
Foi nesse mesmo procedimento que Moraes determinou medidas relativas aos passaportes de Flávio Bolsonaro.
As medidas judiciais mencionadas possuem caráter investigativo e cautelar, não equivalendo a condenações.
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