Internacional / Eleições Americanas
Democratas conquistam Câmara e Senado nos EUA e impõem derrota política a Donald Trump
Oposição supera republicanos nas eleições de meio de mandato, vence disputas em estados conservadores e ganha força para limitar a agenda do presidente
04/11/2026
06:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O Partido Democrata conquistou o controle das duas casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato realizadas nesta terça-feira (3 de novembro), impondo uma derrota política ao presidente Donald Trump. As projeções divulgadas na madrugada desta quarta-feira (4) apontam uma mudança expressiva na composição da Câmara dos Representantes e do Senado, com vitórias democratas inclusive em estados tradicionalmente republicanos.
A virada foi confirmada por projeções de veículos como Associated Press (AP), NBC News, ABC News e CBS News. A apuração continua em algumas disputas, mas os democratas já alcançaram as condições necessárias para assumir a maioria nas duas casas legislativas.
O resultado representa uma mudança importante no equilíbrio de forças em Washington e deverá ampliar a capacidade da oposição de fiscalizar o governo, conduzir investigações parlamentares e dificultar a aprovação de propostas defendidas pela Casa Branca.
O Senado foi um dos principais focos da eleição. Antes da votação, os republicanos tinham maioria de 53 cadeiras contra 47, considerando os independentes alinhados aos democratas.
Para mudar o comando da Casa, a oposição precisava conquistar pelo menos quatro assentos adicionais.
As projeções indicam que os democratas conseguiram reverter disputas em estados como:
Texas: vitória de James Talarico sobre o republicano Ken Paxton.
Carolina do Norte: eleição do democrata Roy Cooper.
Carolina do Sul: vitória de Annie Andrews sobre Darline Graham.
Ohio: vitória do democrata Sherrod Brown.
Iowa: eleição de Josh Turek.
Kansas: conquista de uma cadeira anteriormente ocupada pelos republicanos.
Maine: vitória de Troy Jackson sobre a republicana Susan Collins.
Os democratas também preservaram cadeiras importantes, entre elas a da Geórgia, onde Jon Ossoff conquistou a reeleição.
Na madrugada, diferentes levantamentos já apontavam uma bancada democrata superior às 51 cadeiras necessárias para a maioria. O número final poderá variar conforme a conclusão das disputas ainda não definidas.
Na Câmara dos Representantes, os democratas conseguiram superar a maioria republicana e atingir o patamar necessário para controlar a Casa.
Todos os 435 assentos estavam em disputa. Para garantir a maioria, um partido precisa conquistar pelo menos 218 cadeiras.
Os resultados indicam ganhos democratas em diferentes regiões do país, inclusive em distritos anteriormente considerados favoráveis aos republicanos.
A vitória abre caminho para que Hakeem Jeffries, principal liderança democrata na Câmara, assuma a presidência da Casa na próxima legislatura.
A nova composição permitirá à oposição controlar a pauta legislativa, presidir comissões e ampliar a fiscalização sobre decisões do governo federal.
O avanço democrata também atingiu as eleições estaduais, com resultados de forte significado político.
No Texas, a democrata Gina Hinojosa derrotou o governador republicano Greg Abbott, encerrando mais de três décadas de domínio republicano no Executivo estadual. Ela deverá se tornar a primeira mulher latina a governar o estado.
Na Geórgia, Keisha Lance Bottoms, ex-prefeita de Atlanta, venceu a disputa pelo governo estadual. Sua eleição representa um marco histórico para a participação de mulheres negras na política americana.
Em Ohio, a democrata Amy Acton também conquistou o governo estadual, derrotando o republicano Vivek Ramaswamy.
Os resultados mostram que a mudança eleitoral ultrapassou o Congresso e alcançou estados importantes para as disputas presidenciais.
O desempenho democrata ocorreu em meio ao desgaste político de Trump, especialmente diante das preocupações dos eleitores com o custo de vida, a inflação e a guerra contra o Irã.
A insatisfação com os rumos do governo contribuiu para ampliar o apoio à oposição, inclusive entre segmentos do eleitorado que haviam votado nos republicanos em eleições anteriores.
As vitórias em estados conservadores indicam que o descontentamento não ficou restrito aos tradicionais redutos democratas.
O resultado também poderá influenciar a disputa presidencial de 2028, fortalecendo lideranças democratas e aumentando a pressão sobre o Partido Republicano.
Diante do avanço da oposição, Donald Trump afirmou estar disposto a aceitar os resultados eleitorais e trabalhar com a nova maioria parlamentar.
Em entrevista por telefone ao jornal The New York Times, o presidente sinalizou a possibilidade de entendimento com os democratas.
“Estamos, sabe, ansiosos para trabalhar com eles”, declarou.
Trump também procurou minimizar sua responsabilidade pelo desempenho republicano, atribuindo parte das derrotas ao fato de seu nome não estar nas urnas.
O presidente defendeu suas decisões nos primeiros dois anos do segundo mandato, incluindo a atuação militar americana contra o Irã, e afirmou não se arrepender das escolhas políticas realizadas até agora.
Com a mudança no comando do Congresso, o governo republicano deverá enfrentar obstáculos maiores para aprovar propostas legislativas e implementar parte de sua agenda.
A maioria democrata poderá ampliar investigações sobre integrantes do governo, convocar autoridades para prestar esclarecimentos e exercer maior controle sobre decisões orçamentárias.
No Senado, a nova composição também terá influência sobre a análise de indicações presidenciais para cargos federais e outras decisões que dependem de aprovação parlamentar.
Apesar da derrota eleitoral, Trump permanece na Presidência dos Estados Unidos. O resultado altera a composição do Legislativo, não o comando do Executivo.
A nova correlação de forças deverá marcar os dois anos restantes de seu mandato, com maior possibilidade de confrontos entre a Casa Branca e o Congresso.
A apuração de algumas disputas ainda está em andamento, e os números definitivos de cadeiras dependerão da conclusão e da certificação dos resultados eleitorais em cada estado.
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