Economia / Finanças
Banco Mercantil lucra R$ 279 milhões no terceiro trimestre e alcança 10,6 milhões de clientes
Resultado cresce 10% em um ano, impulsionado pela expansão do crédito consignado e das receitas de serviços; carteira total chega a R$ 25,3 bilhões.
05/11/2026
15:00
DA REDAÇÃO
Gustavo Araújo, CEO do Banco Mercantil
O Banco Mercantil encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 279 milhões, crescimento de 10% em relação ao mesmo período de 2025. A instituição, especializada no atendimento ao público com 50 anos ou mais, também ampliou sua base para 10,6 milhões de clientes, acompanhando o avanço das operações de crédito e das receitas provenientes de serviços financeiros.
Os números divulgados pelo banco, que possui ações negociadas na B3 sob os códigos BMEB3 e BMEB4, mostram expansão da carteira de empréstimos e aumento da rentabilidade. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) alcançou 39,4%, indicador que mede a capacidade da instituição de gerar lucro a partir do capital de seus acionistas.
A carteira total de crédito chegou a R$ 25,3 bilhões, alta de 17% na comparação com o terceiro trimestre do ano passado. Desse montante, R$ 18,6 bilhões correspondem a operações de crédito consignado, modalidade que apresentou crescimento de 27% em 12 meses.
O consignado permanece como a principal linha de financiamento do Mercantil, que concentra parte significativa de suas atividades no relacionamento com aposentados, pensionistas e outros beneficiários da Previdência Social.
Banco amplia presença entre beneficiários do INSS
A instituição alcançou 2,5 milhões de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em sua base de pagamentos, mantendo-se como o quinto maior banco pagador de benefícios previdenciários do Brasil.
Segundo o Mercantil, a expansão desse público representou o maior crescimento anual entre os principais bancos responsáveis pelo pagamento de benefícios.
O avanço acompanha a estratégia de ampliar o relacionamento com clientes acima dos 50 anos, segmento que concentra a oferta de produtos financeiros, crédito e serviços da instituição.
Para o presidente executivo do banco, Gustavo Araújo, a expansão das operações precisa ocorrer sem comprometer a qualidade dos empréstimos concedidos.
“O crescimento do crédito precisa estar associado à geração de valor e à preservação da qualidade das carteiras. A evolução dos resultados do Banco Mercantil e o fortalecimento da nossa estrutura de capital nos permitem atravessar cada período com maior capacidade de absorver as oscilações do mercado, sem comprometer a rentabilidade”, afirmou.
Segundo o executivo, a condição financeira também permite ao banco se preparar para uma eventual recuperação da demanda por empréstimos, caso o cenário econômico se torne mais favorável.
Receitas de serviços aumentam 53%
Além da expansão do crédito, o Banco Mercantil registrou crescimento nas receitas obtidas com prestação de serviços.
O valor arrecadado nessa área atingiu R$ 359 milhões entre julho e setembro, aumento de 53% em relação ao mesmo trimestre de 2025.
Parte desse desempenho está associada ao Meu+, plataforma que reúne serviços de assistência voltados principalmente ao público com mais de 50 anos.
A ampliação dessas receitas representa uma tentativa de reduzir a dependência dos ganhos provenientes exclusivamente de operações de crédito, diversificando as atividades e fortalecendo o relacionamento com os clientes.
Indicador de capital chega a 18,5%
Outro resultado apresentado pela instituição foi a evolução do Índice de Basileia, que encerrou setembro em 18,5%, avanço de 2,4 pontos percentuais em comparação com o terceiro trimestre de 2025.
O indicador é utilizado para avaliar a relação entre o capital disponível de uma instituição financeira e os riscos assumidos em suas operações.
Um nível mais elevado representa maior capacidade de absorver eventuais perdas, embora a avaliação da situação financeira de um banco dependa também de outros indicadores, como inadimplência, liquidez e qualidade da carteira de crédito.
O diretor financeiro e de Relações com Investidores do Mercantil, Paulino Rodrigues, destacou a importância da diversificação das receitas e da manutenção de reservas de capital.
“A combinação entre as receitas diversificadas e uma posição de capital consistente amplia nossa capacidade de planejar o negócio para além das oscilações de curto prazo”, declarou.
Mercantil recebe nova classificação de crédito
Em outubro de 2026, o banco recebeu da agência Moody's a classificação de crédito AA.br, com perspectiva estável, considerada pela instituição a melhor avaliação de sua história.
A nota integra uma sequência de revisões positivas realizadas por agências de classificação de risco nos últimos anos.
Em 2024, a S&P Global atribuiu ao Mercantil a classificação brAA-, com perspectiva estável. No ano seguinte, a Fitch Ratings concedeu nota AA-(bra), com perspectiva positiva.
Essas avaliações consideram fatores como capacidade de pagamento, rentabilidade, estrutura de capital e riscos financeiros. As classificações seguem escalas nacionais próprias de cada agência e não representam garantia contra perdas.
Rede bancária está presente em 269 cidades
Com atuação concentrada no público acima dos 50 anos, o Banco Mercantil mantém uma estrutura de atendimento formada por mais de 350 agências distribuídas em 269 municípios brasileiros.
A instituição também informa ter alcançado a faixa de excelência em sua pesquisa de satisfação baseada no Net Promoter Score (NPS), indicador utilizado para acompanhar a percepção e a fidelidade dos clientes.
Os resultados do terceiro trimestre mostram que o crescimento do banco continua apoiado principalmente no crédito consignado, ao mesmo tempo em que as receitas de serviços ganham participação em suas operações.
Para os clientes, especialmente aposentados e pensionistas do INSS, a expansão da instituição representa maior oferta de produtos e serviços financeiros. A contratação de empréstimos, entretanto, exige atenção às taxas de juros, ao custo efetivo total e ao comprometimento da renda mensal.
O desempenho dos próximos trimestres dependerá da evolução da demanda por crédito, das condições econômicas e da capacidade do banco de manter a qualidade de suas operações enquanto amplia sua base de clientes.
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