Saúde / Novos Tratamentos
Anvisa aprova Wegovy em comprimidos para tratamento da obesidade no Brasil
Primeira versão oral de medicamento GLP-1 indicada para controle de peso terá uso diário; estudo clínico registrou redução média superior a 13% em 64 semanas
04/11/2026
16:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta quarta-feira (4), o registro da versão oral do Wegovy (semaglutida), medicamento utilizado no tratamento da obesidade e do sobrepeso associado a problemas de saúde. A autorização amplia as opções terapêuticas no Brasil, onde o produto estava disponível apenas na apresentação injetável.
Com a decisão, o Wegovy passa a contar também com uma formulação em comprimidos, administrada uma vez ao dia, sob prescrição e acompanhamento médico.
Segundo a Anvisa, trata-se do primeiro medicamento da classe dos agonistas do receptor GLP-1, em apresentação oral, aprovado no país especificamente para o tratamento da obesidade.
A nova opção é destinada a adultos com obesidade ou sobrepeso acompanhado de comorbidades e deve ser utilizada em conjunto com alimentação equilibrada e atividade física.
A versão oral do Wegovy terá um esquema de aumento gradual da dosagem, permitindo a adaptação do organismo ao medicamento.
O tratamento começa com 1,5 miligrama (mg) por dia, passando posteriormente para 4 mg e 9 mg, até atingir a dose de manutenção recomendada de 25 mg diários.
A administração deverá seguir orientações específicas para favorecer a absorção do princípio ativo.
O comprimido deve ser ingerido em jejum, com pequena quantidade de água, sendo necessário aguardar pelo menos 30 minutos antes de consumir alimentos, bebidas ou outros medicamentos por via oral.
A definição da dose e eventuais ajustes deverão ser realizados pelo médico responsável, conforme as condições clínicas de cada paciente.
A aprovação da Anvisa foi fundamentada principalmente nos resultados do estudo clínico de fase 3 OASIS 4, que avaliou a eficácia e a segurança da semaglutida oral na dose de 25 mg.
A pesquisa acompanhou adultos com obesidade ou sobrepeso associado a outras condições de saúde durante 64 semanas, período equivalente a aproximadamente 15 meses.
Os participantes tratados com a medicação apresentaram redução média do peso corporal superior a 13%, resultado significativamente maior do que o observado no grupo que recebeu placebo.
Além da perda de peso, o estudo identificou melhora em indicadores relacionados à saúde cardiometabólica.
Os resultados representam médias observadas na população pesquisada e não significam que todos os pacientes terão a mesma resposta ao tratamento.
A semaglutida pertence à classe dos medicamentos conhecidos como agonistas do receptor GLP-1, que reproduzem parte da ação de um hormônio envolvido na regulação do apetite e da ingestão alimentar.
O princípio ativo atua em mecanismos relacionados à sensação de saciedade, contribuindo para reduzir o consumo de alimentos e favorecer a perda de peso.
“A semaglutida atua na regulação do apetite e da ingestão alimentar, promovendo redução do peso corporal e melhora de parâmetros metabólicos associados à obesidade”, informou a Anvisa.
Embora a substância já seja utilizada em apresentações injetáveis, a formulação oral oferece uma alternativa para pacientes que apresentam dificuldades ou preferem evitar aplicações.
A agência reguladora considera que a aprovação poderá oferecer maior flexibilidade na escolha do tratamento.
Em determinadas situações, poderá ser avaliada a transição entre a apresentação injetável e a oral, desde que exista indicação clínica e sejam respeitadas as orientações previstas em bula.
A mudança de formulação não deve ser feita por conta própria, pois os esquemas de administração e dosagem são diferentes.
A semaglutida também pode provocar efeitos adversos, especialmente gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreia. Por isso, a indicação exige avaliação individualizada dos benefícios, riscos e contraindicações.
A obesidade é reconhecida como uma doença crônica, progressiva e multifatorial, relacionada a fatores genéticos, metabólicos, comportamentais e ambientais.
A condição aumenta o risco de problemas como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, alterações do colesterol, doenças cardiovasculares e apneia obstrutiva do sono.
O tratamento pode envolver mudanças de hábitos, acompanhamento nutricional, atividade física, medicamentos e, em situações específicas, procedimentos cirúrgicos.
A chegada de uma formulação oral representa mais uma possibilidade de cuidado, mas não substitui a necessidade de acompanhamento profissional.
A aprovação do registro pela Anvisa autoriza o medicamento no país, mas não significa disponibilidade imediata nas farmácias. O início da comercialização dependerá das etapas necessárias para a chegada do produto ao mercado brasileiro.
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