Política / Eleições
Flávio Bolsonaro diz que não revelará detalhes de sua saída do Brasil após derrota eleitoral
Em entrevista ao New York Times, senador nega ajuda de governos para viajar aos Estados Unidos e afirma que pretende voltar a disputar eleições no Brasil.
05/11/2026
17:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que não pretende revelar como organizou sua saída do Brasil após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Em entrevista ao jornal americano The New York Times, divulgada nesta quinta-feira (5 de novembro), ele negou ter recebido apoio de governos estrangeiros e declarou que manterá em segredo detalhes da viagem realizada no fim de outubro.
“Como cheguei até aqui, levarei isso para o túmulo comigo”, afirmou o parlamentar, segundo a entrevista.
Flávio também declarou que foi responsável pela organização da viagem e rejeitou a possibilidade de participação de autoridades governamentais.
“Fui eu quem fez tudo. Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo”, disse.
As declarações ocorrem após reportagens da imprensa internacional levantarem questionamentos sobre as circunstâncias de sua chegada aos Estados Unidos, em 28 de outubro, três dias depois da eleição presidencial.
Saída ocorreu após medidas judiciais
A viagem aconteceu em meio aos desdobramentos da disputa eleitoral e de uma investigação que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao senador e ao advogado Willer Tomaz.
Antes de deixar o Brasil, Flávio havia sido alvo de uma determinação judicial para entrega de passaportes, conforme as informações divulgadas sobre o caso.
A existência da investigação não representa comprovação de irregularidade, e as suspeitas ainda dependem de apuração pelas autoridades competentes.
Após a derrota eleitoral, o senador também passou a questionar publicamente o resultado da votação.
Ao chegar aos Estados Unidos, divulgou uma carta em que se apresentou como “verdadeiro presidente” do Brasil, expressão posteriormente substituída por “líder do Brasil”.
A alteração ocorreu depois da repercussão do documento, que manteve críticas ao processo eleitoral brasileiro.
Reportagens apontam possível participação de aliados estrangeiros
A versão apresentada por Flávio contrasta com informações publicadas pelo The New York Times e pelo The Wall Street Journal sobre a organização de sua viagem.
Segundo as reportagens, o jato particular utilizado pelo senador teria sido providenciado por Jason Miller, ligado à comunicação da Casa Branca. O NYT também relatou, com base em autoridades americanas, que a entrada de Flávio nos Estados Unidos teria recebido autorização direta do presidente Donald Trump.
Na Argentina, o jornal Clarín noticiou a presença de Santiago Caputo, assessor do presidente Javier Milei, em Puerto Iguazú, local de onde Flávio embarcou rumo aos Estados Unidos.
O senador, entretanto, manteve a negativa de participação de governos estrangeiros. Segundo seu relato, a decisão de viajar foi tomada com a esposa, Fernanda Bolsonaro, sem planejamento anterior com autoridades de outros países.
Senador pretende continuar na política brasileira
Durante a entrevista, Flávio afirmou que espera permanecer nos Estados Unidos apenas temporariamente, embora ainda não tenha apresentado uma previsão de retorno ao Brasil.
“Preciso seguir em frente com a minha vida nos Estados Unidos, pelo menos por enquanto”, declarou.
O parlamentar também manifestou intenção de disputar novamente a Presidência da República.
“Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente”, afirmou ao jornal americano.
Mesmo fora do país, Flávio pretende manter contato com aliados políticos e participar das discussões sobre propostas defendidas durante sua campanha presidencial.
O senador voltou a questionar a legitimidade do resultado eleitoral, mas não apresentou provas de fraude capazes de demonstrar irregularidades que alterassem a votação. A vitória de Lula foi reconhecida oficialmente pela Justiça Eleitoral.
A entrevista mantém em evidência as circunstâncias da saída do parlamentar, especialmente diante das informações divergentes sobre o apoio recebido e das investigações em andamento no Brasil.
Espaço para manifestação: O espaço permanece aberto à defesa de Flávio Bolsonaro e aos demais citados para esclarecimentos sobre as circunstâncias da viagem e as informações divulgadas pela imprensa internacional.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Oposição rejeita saída voluntária de Peña e avança com impeachment no Paraguai
Leia Mais
Mastercard leva experiência da Fórmula 1 ao Brás com capacitação gratuita para pequenos empresários
Leia Mais
Resistência a Rafael Fonteles amplia disputa pela Fazenda e coloca Alckmin entre alternativas de Lula
Leia Mais
Durigan descarta solução imediata para contas públicas e prepara propostas fiscais para Lula
Municípios