Economia / Governo
Ministro de Lula contesta juros de 13,75% e diz que Selic elevada prejudica empregos e investimentos
Wellington Dias questiona a meta de inflação e afirma que o custo do crédito limita o crescimento econômico, embora reconheça as obrigações do Banco Central.
06/11/2026
07:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A decisão do Banco Central (BC) de manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano, provocou críticas dentro do governo federal. O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias (PT), afirmou que o atual patamar dos juros compromete os investimentos produtivos, dificulta a geração de empregos e reduz as possibilidades de crescimento da economia brasileira.
Em entrevista ao Metrópoles, nesta quinta-feira (5 de novembro), o ministro demonstrou insatisfação com a justificativa utilizada pela autoridade monetária para interromper o ciclo de redução dos juros.
“O argumento é que a inflação ainda está acima da meta. Não me conformo. Mata capital produtivo, emprego e a possibilidade de mais crescimento”, declarou.
A manifestação coloca em discussão o equilíbrio entre o combate à inflação e a necessidade de estimular a atividade econômica, especialmente em setores que dependem de financiamento para ampliar a produção e contratar trabalhadores.
Ministro defende revisão do debate sobre a meta de inflação
Para Wellington Dias, o Brasil precisa discutir os parâmetros utilizados para estabelecer a meta de inflação e os efeitos que essas exigências produzem sobre a economia.
Na avaliação do ministro, objetivos excessivamente difíceis de alcançar podem contribuir para a manutenção de juros elevados por períodos prolongados, aumentando o custo do crédito para empresas e consumidores.
“Às vezes, a gente coloca uma meta impossível e o povo paga exatamente por conta dos juros altos”, afirmou.
A crítica está relacionada ao impacto das taxas de juros sobre decisões de investimento e consumo. Quando o crédito fica mais caro, empresas podem adiar projetos de expansão, enquanto famílias enfrentam custos maiores para financiar compras e contratar empréstimos.
Esse cenário pode reduzir o ritmo da atividade econômica e afetar a abertura de novos postos de trabalho.
Juros altos encarecem crédito e dificultam expansão das empresas
A Selic é a principal referência para as taxas de juros praticadas no mercado financeiro brasileiro. Suas alterações influenciam o custo dos empréstimos, financiamentos e outras operações de crédito.
Quando a taxa permanece elevada, a tendência é de maior restrição ao consumo financiado e aos investimentos que dependem de recursos emprestados.
Por outro lado, os juros altos também são utilizados pelo Banco Central como instrumento para conter a demanda e reduzir pressões sobre os preços, contribuindo para o controle da inflação.
O desafio da política monetária é equilibrar esses efeitos, considerando tanto a estabilidade dos preços quanto as condições da atividade econômica.
Wellington Dias evita responsabilizar diretamente o Banco Central
Apesar das críticas à manutenção da Selic, o ministro ressaltou que não atribui exclusivamente ao Banco Central a responsabilidade pelo cenário.
Segundo ele, a instituição precisa atuar de acordo com as regras estabelecidas para o cumprimento da meta de inflação.
Dessa forma, Wellington Dias direcionou seu questionamento principalmente aos parâmetros que orientam a política monetária, e não apenas à decisão tomada pela autoridade monetária.
A posição evidencia a preocupação do ministro com os efeitos sociais de uma política de juros restritiva, especialmente sobre a geração de renda e as oportunidades de emprego.
Decisão mantém debate sobre inflação e crescimento
A manutenção da Selic em 13,75% ao ano reforça o debate sobre os efeitos da política monetária na economia brasileira.
De um lado, a atuação do Banco Central busca controlar a inflação e preservar o poder de compra da população. De outro, integrantes do governo defendem que o custo elevado do dinheiro pode dificultar investimentos, contratações e a expansão da produção.
As declarações de Wellington Dias mostram que a discussão sobre os juros permanece presente no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente diante da necessidade de conciliar estabilidade econômica, crescimento e geração de empregos.
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