Política / Religião
Lula e Flávio Bolsonaro participam de celebrações de Nossa Senhora Aparecida em Brasília
Presidenciáveis acompanham missas na capital federal, enquanto Alckmin visita o Santuário Nacional; celebrações ocorrem durante o segundo turno eleitoral.
12/10/2026
08:30
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversários no segundo turno da eleição presidencial, participaram nesta segunda-feira (12 de outubro) de celebrações em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. As atividades religiosas ocorreram em Brasília, enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) acompanhou a programação no Santuário Nacional de Aparecida, no interior de São Paulo.
A celebração da padroeira acontece em meio à campanha presidencial, marcada para terminar com a votação do segundo turno em 25 de outubro, e a discussões envolvendo manifestações políticas sobre a Igreja Católica e suas tradições.
Lula participou de uma missa na capela do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República. A celebração começou às 9h, horário de Brasília.
Flávio Bolsonaro acompanhou a programação religiosa na Catedral Metropolitana de Brasília, ao lado de seu candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar (PL).
O vice-presidente Geraldo Alckmin esteve no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, acompanhado da esposa, Lu Alckmin. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também participou da programação no município paulista.
Antes da visita, Alckmin publicou um vídeo nas redes sociais informando que faria orações pela saúde do papa Leão XIV, diante da informação de que o pontífice passaria por uma cirurgia para retirada de um nódulo no pulmão.
O vice-presidente também afirmou que incluiria o futuro do Brasil em suas orações.
As celebrações deste ano ocorrem após uma controvérsia envolvendo publicações que associaram Flávio Bolsonaro a uma proposta legislativa sobre o reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.
O senador negou defender a retirada desse título.
A discussão teve origem em um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli, que pretendia modificar a redação da legislação referente ao feriado de 12 de outubro.
A proposta substituiria a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O projeto foi arquivado em 2022, sem aprovação.
Publicações sobre o assunto motivaram questionamentos na Justiça Eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a retirada de conteúdos relacionados à controvérsia, em meio a divergências entre ministros sobre o alcance das medidas.
A existência do projeto de lei não significa que Flávio Bolsonaro tenha sido seu autor ou que tenha apresentado proposta equivalente.
As discussões sobre a padroeira também provocaram manifestações de representantes da Igreja Católica.
Um levantamento da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), organismo ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), identificou 58 episódios classificados como ataques de grupos de direita à Igreja Católica ao longo de oito anos, segundo informações divulgadas pelo Brasil de Fato. <Cite ref="turn372190news0"/>
Em entrevista ao veículo, o bispo de Araçuaí (MG), dom Geraldo Maia, defendeu a preservação das tradições religiosas e questionou a interferência do poder público em questões de fé.
“A religião não está ligada à legislação de Estado; a religião está ligada à fé e às tradições”, afirmou.
O religioso também destacou a identificação histórica de Nossa Senhora Aparecida com a população mais vulnerável, ressaltando a importância cultural e social da devoção.
No Santuário Nacional, o arcebispo de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva, também defendeu que a celebração religiosa seja preservada de disputas partidárias. Durante a missa desta segunda-feira, destacou que os ensinamentos cristãos não autorizam o ódio contra pessoas que pensam de maneira diferente.
A presença dos dois presidenciáveis em celebrações católicas ocorre a 13 dias do segundo turno, quando os eleitores voltarão às urnas para escolher o presidente da República.
Embora as agendas religiosas tenham repercussão política, a participação nas missas não constitui, por si só, manifestação de apoio institucional da Igreja Católica a qualquer candidatura.
A CNBB tem reiterado que a Igreja não indica candidatos nem partidos, defendendo que a fé não seja utilizada como instrumento de disputa eleitoral.
As celebrações de 12 de outubro, feriado nacional dedicado a Nossa Senhora Aparecida, mobilizam fiéis em todo o Brasil e representam uma das principais manifestações da tradição católica no país.
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