Política / Investigação
E-mails apreendidos pela PF mencionam Flávio Bolsonaro em acesso bancário ligado a advogado investigado
Mensagens apreendidas na Operação Sem Desconto indicam vínculo de acesso bancário com Willer Tomaz; senador e advogado negam relação financeira
10/10/2026
06:45
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO/X
Documentos encontrados pela Polícia Federal (PF) no armazenamento digital do advogado Willer Tomaz levantaram suspeitas sobre um possível vínculo de acesso bancário envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL). E-mails obtidos durante a Operação Sem Desconto, que investiga fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mencionam uma conta identificada com o nome do parlamentar no sistema do Santander.
As mensagens indicam que a conta estava associada a um usuário com perfil de administrador, denominado master, vinculado ao advogado. Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam qualquer relação financeira ou comercial entre eles.
O material integra documentos analisados pela PF no âmbito das investigações sobre possíveis operações de lavagem de dinheiro relacionadas aos descontos associativos indevidos em benefícios previdenciários.
Em 22 de maio de 2025, Fayla Zulmira Menezes, funcionária do escritório de Willer Tomaz, encaminhou ao Santander uma solicitação para retirar uma conta identificada como “Flávio Bolsonaro” do usuário administrador vinculado ao advogado.
Segundo os documentos relatados na investigação, o banco confirmou a exclusão no mesmo dia.
A conta mencionada nos e-mails estava relacionada à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, da qual Tomaz é sócio.
O registro eletrônico aponta uma associação de acesso no sistema bancário, mas, isoladamente, não comprova que o senador e o advogado fossem cotitulares da conta, que tenham realizado operações conjuntas ou que recursos investigados pela PF tenham sido movimentados pelo parlamentar.
A investigação busca esclarecer a natureza dessa vinculação e eventuais movimentações financeiras envolvendo o advogado e suas empresas.
Willer Tomaz foi alvo de uma operação de busca e apreensão em agosto, no âmbito das apurações sobre possíveis desvios de recursos de aposentados e pensionistas.
A PF investiga a suspeita de que o advogado tenha participado de operações destinadas à lavagem de dinheiro supostamente desviado em benefício do senador Weverton Rocha (PDT-MA), também citado na investigação.
De acordo com a linha investigativa descrita pela polícia, empresas e escritórios ligados a Tomaz podem ter sido utilizados como estrutura financeira, patrimonial e logística por pessoas envolvidas no esquema.
A Operação Sem Desconto apura descontos associativos realizados de forma indevida em benefícios previdenciários. O prejuízo potencial investigado pode chegar a R$ 6,3 bilhões.
As suspeitas ainda dependem de apuração e não representam comprovação de responsabilidade criminal dos envolvidos.
Além dos e-mails bancários, a investigação identificou registros de viagens internacionais realizadas por Flávio Bolsonaro e familiares em aeronaves cujos custos foram atribuídos a empresas ligadas a Willer Tomaz, entre 2024 e 2025.
Uma dessas empresas é a Alcazar Holdings, apontada como responsável pelo pagamento de trajetos em um jato executivo utilizado em regime de compartilhamento.
Em janeiro de 2025, o senador, sua mulher, as duas filhas e o advogado viajaram de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, para Brasília.
Os documentos também mencionam a Cathedral Holdings, outra empresa relacionada a Tomaz, como responsável por pagamentos de viagens realizadas por meio da NetJets, companhia especializada em aviação executiva.
Entre os deslocamentos identificados estão trajetos envolvendo Lisboa, Nice e Paris, alguns deles com a presença de familiares dos dois.
Tomaz afirmou que os passageiros eram seus convidados e que, em uma das viagens, utilizou horas de voo pertencentes à sua própria cota.
Os registros de deslocamento são analisados pela investigação, mas não demonstram, por si só, participação dos passageiros nas irregularidades previdenciárias apuradas.
Em manifestação sobre o caso, Flávio Bolsonaro afirmou que nunca manteve conta bancária cujo usuário administrador fosse Willer Tomaz ou alguma empresa vinculada ao advogado.
O senador também negou ter criado cadastro ou usuário nas plataformas mencionadas nos documentos.
Segundo o parlamentar, as acusações são falsas e teriam motivação eleitoral.
Willer Tomaz, por sua vez, declarou que a conta mencionada nos e-mails nunca lhe pertenceu e que jamais criou um usuário bancário em nome de Flávio Bolsonaro.
O advogado afirmou que mantém uma relação de amizade com o senador, mas negou a existência de vínculos comerciais ou financeiros entre ambos.
Tomaz também informou que pretende adotar medidas judiciais contra a divulgação de informações que considera falsas.
A Polícia Federal busca aprofundar a análise das movimentações financeiras de Willer Tomaz, das empresas ligadas a ele e de eventuais relações com agentes públicos.
O advogado já havia sido preso em 2017, durante uma investigação sobre suspeitas de pagamento de propina envolvendo a JBS. Naquele caso, a denúncia apresentada posteriormente foi rejeitada por falta de provas.
No atual procedimento, os e-mails, os registros bancários e as informações sobre viagens integram o conjunto de elementos sob análise dos investigadores.
Até o momento, as informações apresentadas não estabelecem que Flávio Bolsonaro tenha participado dos desvios investigados no INSS. A natureza dos acessos bancários mencionados nos documentos e as circunstâncias dos pagamentos das viagens permanecem entre os pontos que exigem esclarecimento.
Tornar o título mais juridicamente cautelosoExplicar melhor o vínculo do acesso bancário
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