Eleições / Presidência
Flávio Bolsonaro amplia apoios para segundo turno com Podemos, Cleitinho e Augusto Cury
Candidato do PL reúne novos aliados para enfrentar Lula em 25 de outubro, mas diferenças sobre a escala 6x1 e propostas de governo permanecem
09/10/2026
06:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) ampliou sua rede de apoios para o segundo turno das eleições de 2026, com a adesão formal do Podemos e o apoio do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo, e do escritor Augusto Cury (Avante), terceiro colocado no primeiro turno.
As articulações foram anunciadas na quinta-feira (8), em meio às negociações para a disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcada para 25 de outubro. As alianças envolvem partidos e lideranças políticas, mas não representam necessariamente uma posição uniforme de todas as legendas e seus integrantes.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. Como nenhum candidato alcançou a maioria absoluta dos votos válidos, a eleição presidencial será decidida em uma nova votação.
A presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, anunciou o apoio oficial da legenda após reunião com Flávio e parlamentares eleitos, em Brasília.
Segundo a dirigente, a decisão considerou demandas apresentadas por prefeitos, parlamentares e representantes da população. Ela também afirmou que o resultado eleitoral demonstrou, em sua avaliação, o desejo de mudança de parte dos brasileiros.
“O Brasil deu um recado: o que quer é mudança. Quer mudança e quer voltar a sonhar”, declarou Renata.
Com a adesão, o Podemos passa a integrar o grupo de partidos que apoiam a candidatura do senador, ao lado de legendas como Progressistas (PP), União Brasil e Republicanos.
O partido ampliou sua representação na Câmara dos Deputados, passando de 12 parlamentares eleitos em 2022 para 27 em 2026. O crescimento aumenta sua participação nas articulações políticas para a próxima legislatura.
Ao agradecer o apoio, Flávio afirmou que pretende considerar propostas apresentadas pela legenda na elaboração de seu programa de governo.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, também participam das conversas para ampliar a base política do candidato, incluindo a aproximação com integrantes do MDB.
O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo, confirmou que participará da campanha de Flávio no segundo turno. Apesar da aliança eleitoral, ele ressaltou que existem diferenças entre suas posições e as propostas defendidas pelo presidenciável.
A principal divergência envolve o fim da escala de trabalho 6x1, modelo em que o empregado trabalha seis dias e descansa um.
Durante encontro com governadores e senadores eleitos, Cleitinho defendeu que o Senado vote a proposta de redução da jornada antes do segundo turno.
“Sou a favor de que vote já. Tinha até votado e espero estar como senador para ter o prazer de poder votar”, afirmou.
A PEC 221/2019, em discussão no Senado, prevê a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial.
Flávio, por sua vez, defende uma alternativa apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha.
A PEC 12/2026 propõe maior flexibilidade para a negociação da jornada entre empregadores e trabalhadores, incluindo a possibilidade de remuneração proporcional às horas trabalhadas.
As diferenças mostram que a adesão de Cleitinho à campanha não significa concordância com todas as propostas do candidato do PL.
O escritor Augusto Cury (Avante), que terminou o primeiro turno na terceira colocação, também anunciou apoio a Flávio.
A decisão foi acertada após uma conversa por videoconferência e acompanhada de um documento assinado pelo candidato do PL, com compromissos relacionados a propostas defendidas por Cury durante a campanha.
Entre os temas apresentados estão valorização dos professores, ampliação da telemedicina, proteção às mulheres, incentivo às microempresas, apoio ao cooperativismo, sustentabilidade e fim da reeleição presidencial.
O documento também estabelece compromissos com a democracia, a alternância de poder e a pacificação nacional.
O apoio de Cury representa uma decisão política anunciada pelo ex-presidenciável, sem significar transferência automática dos votos recebidos por ele no primeiro turno.
Além de Cury, os ex-candidatos Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Clariana Barão (Democracia Cristã) manifestaram apoio à candidatura de Flávio.
Essas adesões, entretanto, devem ser diferenciadas das decisões institucionais dos partidos. No caso do PSD, por exemplo, a legenda liberou seus integrantes para escolherem quem apoiar no segundo turno.
O Missão também permanece fora do grupo de partidos que aderiram à candidatura do PL. O ex-presidenciável Renan Santos e o deputado federal Kim Kataguiri (SP) mantêm críticas a Flávio.
Assim, embora o senador tenha ampliado suas alianças entre lideranças de direita e de centro-direita, não há apoio unânime de todas as siglas desse campo político.
A disputa entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva será decidida no domingo, 25 de outubro, conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Até a votação, as campanhas devem concentrar esforços na apresentação de propostas, na negociação de alianças e na busca por eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno.
Os apoios anunciados ampliam a articulação política de Flávio, mas o resultado dependerá dos votos depositados nas urnas no segundo turno.
Informações conferidas em publicações de 8 e 9 de outubro e no calendário do TSE.
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