Eleições / Comunicação
Vídeos de Lula ultrapassam 26 milhões de visualizações e PT questiona alcance nas redes
Campanha comemora repercussão de publicações no Instagram, mas aponta possíveis irregularidades e pede investigação eleitoral; Meta informa falha técnica nas métricas
09/10/2026
07:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A mudança na comunicação digital do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a apresentar resultados expressivos na campanha para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Um dos primeiros vídeos gravados em formato de selfie ultrapassou 26,2 milhões de visualizações no Instagram, enquanto outras duas publicações, relacionadas ao fim da escala de trabalho 6x1, alcançaram 18,1 milhões e 11,9 milhões.
Apesar dos números, o PT levantou suspeitas sobre o funcionamento dos algoritmos da Meta, empresa responsável pelo Instagram e Facebook. Um relatório interno do partido aponta diferenças de engajamento entre as publicações de Lula e as do adversário Flávio Bolsonaro (PL). A coligação do presidente também apresentou à Justiça Eleitoral um pedido de investigação sobre uma suposta rede de páginas utilizadas para ampliar a divulgação de conteúdos favoráveis ao candidato do PL.
As suspeitas ganharam repercussão nesta sexta-feira (9), depois de relatos sobre inconsistências na contagem de visualizações. A Meta reconheceu um problema técnico em algumas métricas de vídeos, mas não confirmou qualquer favorecimento político.
O levantamento produzido pela área de inteligência da Secretaria Nacional de Comunicação do PT compara indicadores públicos das contas dos dois candidatos.
Segundo o documento, Flávio teria 17,2% menos seguidores que Lula, mas registraria, em média, 2,96 vezes mais curtidas e comentários por publicação.
A análise também apresenta taxas de engajamento normalizadas pelo número de seguidores, com 10,23% para Flávio e 2,86% para Lula.
O próprio relatório ressalta que os percentuais representam cálculos baseados em contadores públicos, e não a proporção de seguidores únicos que interagiram com cada postagem.
Embora indiquem diferenças de desempenho entre os perfis, esses dados não demonstram, isoladamente, manipulação do algoritmo. O alcance de uma publicação pode variar conforme o formato, o conteúdo, a circulação entre usuários e outros fatores de distribuição.
A coligação Brasil Pronto pra Mais, formada por PT, PV e PCdoB, apresentou um pedido de abertura de Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) para apurar possíveis irregularidades na divulgação de propaganda eleitoral no Instagram.
A representação sustenta que páginas estariam sendo utilizadas para realizar publicações em parceria, conhecidas como collabs, ampliando a circulação de conteúdos ligados à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Segundo a coligação, parte dessas páginas também utilizaria conteúdos classificados pelos autores da ação como desinformação para obter engajamento e receitas financeiras.
Os representantes de Lula argumentam que a estrutura investigada poderia configurar uma forma irregular de divulgação eleitoral e pedem a apuração de possíveis vínculos com a campanha adversária.
O pedido de investigação foi acolhido para apuração, conforme as informações divulgadas sobre o caso. Isso não significa que as irregularidades alegadas tenham sido comprovadas ou que exista decisão definitiva sobre eventual responsabilidade dos envolvidos.
A representação também atribui à chapa de Flávio participação na produção e distribuição dos conteúdos questionados. Trata-se de uma acusação da coligação petista, cuja procedência depende de análise das provas e manifestação dos investigados.
As suspeitas sobre o alcance das publicações aumentaram após usuários relatarem aparentes interrupções no crescimento das visualizações de determinados vídeos.
Uma das inconsistências observadas envolveu uma publicação de Lula que apresentava mais curtidas do que visualizações no Instagram.
Procurada pela reportagem que divulgou o caso, a Meta reconheceu a existência de um problema técnico.
“Identificamos um problema técnico afetando algumas métricas de vídeos. Estamos trabalhando para resolver essa questão o mais rápido possível”, informou a empresa.
A plataforma não detalhou quais publicações foram afetadas, a extensão da falha nem se houve consequências para a distribuição dos conteúdos.
Até o momento, as informações apresentadas não permitem concluir que o problema tenha sido provocado deliberadamente ou direcionado contra determinada candidatura.
O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, criticou a atuação da Meta e defendeu uma resposta da Justiça Eleitoral às suspeitas apresentadas pelo partido.
Na avaliação do dirigente, a falta de transparência sobre os mecanismos de distribuição de conteúdo dificulta a fiscalização da propaganda eleitoral.
Valadares também questionou a diferença de visualizações entre os candidatos e a utilização de publicações em parceria que, segundo o PT, poderiam contornar restrições previstas na legislação eleitoral.
As declarações representam a posição do partido e não constituem confirmação de favorecimento por parte da plataforma.
Outra discussão envolve possíveis mudanças na estrutura de moderação de conteúdo da Meta durante o período eleitoral.
O jornalista Brian Mier, correspondente da TeleSUR English, divulgou no X uma alegação atribuída a um suposto denunciante da Meta Brasil. Segundo o relato, parte dos moderadores humanos teria sido substituída por sistemas de inteligência artificial.
A publicação também mencionou a possibilidade de decisões automatizadas influenciarem a circulação de determinados conteúdos.
Entretanto, não foram apresentadas evidências suficientes para confirmar a existência de um mecanismo de favorecimento eleitoral ou estabelecer relação entre essas alegações e as falhas de contagem reconhecidas pela empresa.
A nova fase da comunicação do presidente começou na quarta-feira (7), quando Lula publicou nove vídeos em formato de selfie, acompanhado por jovens políticos de esquerda eleitos no primeiro turno.
A iniciativa representa uma mudança em relação ao formato tradicional de comunicação do presidente, que passou a utilizar gravações mais diretas, produzidas para circulação nas plataformas digitais.
Em uma das publicações, Lula convocou apoiadores a participar das atividades eleitorais e destacou temas como educação, democracia, emprego e crescimento econômico.
“Bora, gente para a rua, vamos conversar com as pessoas, você que gosta do Brasil, que gosta da educação, que gosta da democracia, que quer ter um emprego de qualidade, que quer continuar estudando e ver o Brasil crescer”, afirmou.
A repercussão inicial dos vídeos passou a ser acompanhada pela campanha como um indicador de alcance das mensagens, embora visualizações e interações não possam ser convertidas diretamente em intenção de voto.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a disputa pela atenção dos eleitores nas plataformas digitais ganha importância para as duas candidaturas. Paralelamente, a Justiça Eleitoral deverá examinar as suspeitas apresentadas pela coligação petista, distinguindo eventuais irregularidades comprovadas de diferenças de desempenho e falhas técnicas nas redes sociais.
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