Eleições / Presidência
Ana Elisa denuncia ameaças e defende maior presença de Lula nas redes sociais
Deputada federal eleita por Minas Gerais relata ataques racistas e ameaças de violência sexual enquanto participa da campanha presidencial para o segundo turno
09/10/2026
07:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) denunciou ameaças e ataques após começar a participar da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Aos 21 anos, ela afirma ter sido alvo de manifestações racistas e machistas, ameaças de estupro e divulgação de dados pessoais, incluindo endereço, telefone e documentos.
A parlamentar atribui a intensificação dos ataques à sua participação na disputa presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL), no segundo turno marcado para 25 de outubro. Segundo ela, o crescimento de sua influência nas redes sociais despertou reações de adversários políticos.
“Estamos sofrendo um ataque coordenado desde que viemos ajudar a campanha do presidente Lula, e eu acredito que a extrema-direita não estaria fazendo isso se não percebessem que, de fato, a gente pode virar esse jogo”, declarou.
Ana Elisa informou que o PT providenciou escolta para suas próximas agendas públicas. Ela disse confiar nas medidas adotadas pelo partido para garantir sua segurança.
Os episódios relatados não são os primeiros envolvendo a deputada eleita. Em setembro, durante a campanha para a Câmara dos Deputados, ela recebeu um e-mail de uma pessoa que se apresentava como integrante de um grupo supremacista branco.
A mensagem continha ameaças racistas de morte e violência sexual, referências a informações pessoais da candidata e intimidações contra familiares. O conteúdo também mencionava a organização racista Ku Klux Klan.
Ana Elisa registrou boletim de ocorrência na 142ª Companhia da Polícia Militar, e o caso foi classificado como ameaça e injúria racial.
Na ocasião, sua equipe jurídica divulgou uma nota condenando as intimidações.
“Ameaçar uma mulher negra para intimidá-la e tentar afastá-la de uma eleição não é opinião, é crime contra ela e contra o direito de quem quer votar nela. Não toleraremos”, afirmou o comunicado.
O episódio ocorre em um contexto de violência política contra mulheres. Segundo a 4ª edição da pesquisa Violência Política e Eleitoral no Brasil, realizada pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global, 58,8% dos casos de violência política contra candidaturas registrados no primeiro turno tiveram mulheres como alvo.
O percentual supera a participação feminina no conjunto de candidaturas, estimada em aproximadamente um terço.
Eleita em sua primeira disputa, Ana Elisa tornou-se a mulher mais votada da história de Minas Gerais para a Câmara dos Deputados. Durante a campanha, seu público nas plataformas digitais passou de 1,9 milhão para mais de 2,4 milhões de seguidores.
A parlamentar avalia que a comunicação pela internet será importante na reta final da eleição presidencial.
“O único lugar que a esquerda perdeu foi nas redes”, afirmou.
Na quarta-feira (7), Lula começou a divulgar vídeos gravados em formato de selfie. Ana Elisa elogiou a iniciativa e destacou a experiência do presidente diante das câmeras.
“Lula fala com a câmera desde 1989. Ele está saindo da câmera da televisão para a câmera do telefone. Os vídeos são excelentes”, avaliou.
Para Ana Elisa, uma das prioridades do segundo turno deve ser o diálogo com eleitores que escolheram outros candidatos na primeira votação.
Entre os públicos mencionados estão os apoiadores de Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão), terceiro e quarto colocados na disputa presidencial, respectivamente.
Na quinta-feira (8), Cury anunciou apoio a Flávio Bolsonaro, enquanto Renan não havia declarado apoio formal a nenhum dos dois concorrentes.
A deputada também citou os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD) como parte do público que a campanha pretende alcançar.
“Todos estamos entendendo que, neste momento, o mais importante é virarmos os votos da terceira via”, afirmou.
Ana Elisa defende que a campanha apresente comparações entre Lula e Flávio, incluindo críticas ao histórico político do candidato do PL. Entre os assuntos mencionados por ela estão alegações e controvérsias envolvendo o adversário, que devem ser diferenciadas de fatos comprovados.
A parlamentar considera que a apresentação de propostas, isoladamente, não será suficiente diante da polarização eleitoral.
“Eu adoraria que agora fosse realmente um debate político, de proposta. Mas, neste momento político que nós estamos, o debate, infelizmente, vai ter que ser pessoal”, declarou.
A participação dos eleitores também está entre as preocupações da campanha petista.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a abstenção nacional no primeiro turno foi de 21,08%.
Na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro recebeu aproximadamente 47% dos votos válidos, enquanto Lula obteve cerca de 45%, levando a eleição para o segundo turno.
Ana Elisa afirmou que a campanha pretende estudar o perfil dos eleitores que não compareceram às urnas para compreender os motivos da ausência e orientar suas ações de mobilização.
O índice de abstenção, entretanto, não permite determinar a preferência política de quem deixou de votar.
A deputada eleita deverá concentrar parte de suas próximas atividades em Minas Gerais, onde pretende participar de compromissos relacionados à campanha presidencial.
Segundo Ana Elisa, Lula pediu que ela atuasse no estado para ampliar o diálogo com eleitores de diferentes regiões.
“O partido está bem empenhado em fazer com que nós viajemos o quão for necessário para poder virar esses votos para o presidente Lula nas regiões que sempre foram nossas”, afirmou.
A atuação da parlamentar será direcionada principalmente à mobilização de eleitores que não apoiaram Lula no primeiro turno, em uma disputa que será decidida nas urnas em 25 de outubro.
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