Política / Eleições
Miguel Reale Junior critica candidatura de Flávio Bolsonaro e declara apoio à reeleição de Lula
Ex-ministro da Justiça e autor do pedido de impeachment de Dilma Rousseff questiona posições do senador sobre anistia, democracia e soberania nacional
08/10/2026
07:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O advogado Miguel Reale Junior, ex-ministro da Justiça no governo de Fernando Henrique Cardoso e um dos autores do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), manifestou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e fez críticas à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL). Em carta divulgada nas redes sociais, o jurista afirma que uma eventual vitória do parlamentar poderia representar riscos à democracia e à soberania brasileira.
A manifestação ocorre em meio à disputa presidencial de segundo turno, após a votação realizada no domingo (4 de outubro). No documento publicado no Instagram, Reale Junior apresenta argumentos contrários às posições políticas de Flávio Bolsonaro, especialmente em relação aos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, à atuação dos Estados Unidos e à composição do Congresso Nacional.
O posicionamento chama atenção pela trajetória do advogado, que participou da iniciativa jurídica que levou ao processo de impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, e agora declara preferência pela continuidade de um governo petista.
Um dos principais pontos abordados por Miguel Reale Junior é a possibilidade de concessão de anistia aos envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023.
Na avaliação do jurista, a defesa dessa medida por Flávio Bolsonaro representa uma questão central da disputa presidencial, especialmente diante das investigações e decisões judiciais relacionadas aos acontecimentos posteriores às eleições de 2022.
Reale Junior também associa sua crítica à situação política do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do candidato, e considera que a concessão de anistia poderia comprometer a responsabilização pelos atos investigados e julgados.
Trata-se de uma interpretação política e jurídica apresentada pelo advogado. O debate sobre anistia envolve diferentes posições no Congresso e questionamentos sobre os limites constitucionais de uma eventual medida.
Outro tema abordado na carta é a política externa brasileira. Miguel Reale Junior questiona a proximidade de Flávio Bolsonaro com o governo norte-americano, especialmente com o presidente Donald Trump.
O advogado afirma que uma eventual aproximação envolvendo operações de segurança pública poderia comprometer a autonomia brasileira na definição de estratégias de combate ao crime organizado.
Ele cita especificamente o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), ao contestar a possibilidade de enquadramento dessas organizações como grupos terroristas.
Na avaliação do jurista, a atuação dessas facções está principalmente relacionada a interesses econômicos criminosos, o que, segundo sua interpretação, as diferencia de organizações motivadas por determinadas finalidades terroristas.
A classificação jurídica dessas organizações é objeto de debate e não depende exclusivamente da avaliação apresentada na carta.
Reale Junior também menciona as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos como exemplo de tensões que, em sua opinião, exigem uma postura de defesa da soberania nacional.
O resultado das eleições legislativas de 4 de outubro aparece entre as preocupações apresentadas pelo ex-ministro.
Reale Junior critica posições de parlamentares identificados por ele com a direita radical, especialmente em discussões relacionadas a direitos de minorias, políticas de cotas e feminismo.
Segundo o advogado, a combinação de uma Presidência alinhada a essas posições com um Congresso mais conservador poderia favorecer mudanças legislativas que ele considera prejudiciais à proteção de direitos.
Essa avaliação representa o posicionamento político do jurista, não uma consequência necessariamente decorrente do resultado eleitoral.
Apesar de reconhecer o desgaste político do Partido dos Trabalhadores (PT) e as críticas dirigidas ao atual governo, Miguel Reale Junior apresenta a reeleição de Lula como sua preferência para o segundo turno.
O advogado sustenta que a continuidade do governo petista representaria, em sua avaliação, uma alternativa de preservação das instituições democráticas e da independência nacional.
Na carta, ele conclui que uma mudança de governo não deveria ocorrer sem considerar os possíveis efeitos institucionais das propostas dos candidatos.
A manifestação foi divulgada na quarta-feira (7), quando a campanha presidencial entrou em uma nova etapa de mobilização para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
As declarações de Miguel Reale Junior integram o debate político sobre os rumos do país. As críticas e projeções apresentadas são de responsabilidade do jurista e não representam conclusões independentes sobre os efeitos de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro.
Até as informações consultadas para esta matéria, não havia sido identificada uma resposta específica de Flávio Bolsonaro à carta do ex-ministro.
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