Política / Segurança
Deputada federal eleita aos 21 anos denuncia ameaças de morte, estupro e ataques racistas em Minas Gerais
Ana Elisa Silva, do PT, recebeu mensagens durante a campanha eleitoral; Polícia Civil investiga o caso após denúncia da parlamentar eleita
07/10/2026
07:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT), de 21 anos, denunciou à Polícia Civil de Minas Gerais ameaças de morte, violência sexual e ataques racistas recebidos durante a campanha eleitoral. A jovem, natural de Divinópolis, afirma ter sido intimidada por uma pessoa que se apresentou como integrante de um grupo supremacista branco. O caso está sob investigação.
As ameaças foram encaminhadas por e-mail em 5 de setembro, aproximadamente um mês antes das eleições. Segundo o relato divulgado pela equipe da parlamentar eleita, o remetente utilizou informações pessoais de Ana Elisa para indicar que poderia localizá-la. A mensagem também continha ameaças dirigidas a familiares.
Parte do conteúdo foi divulgada nas redes sociais da jovem. O texto apresenta manifestações racistas contra mulheres negras que ocupam espaços políticos e inclui ameaças explícitas à integridade física da deputada eleita.
A identidade do responsável ainda não foi informada pelas autoridades. A alegação de pertencimento a um grupo supremacista branco partiu do próprio remetente e não representa uma vinculação comprovada pela investigação.

Após o recebimento da mensagem, a equipe de Ana Elisa informou ter adotado providências policiais e judiciais para tentar identificar o autor e responsabilizá-lo pelos fatos denunciados.
Em manifestação pública, a equipe afirmou que ameaças, racismo e violência política contra mulheres não podem ser tratados como situações normais durante uma campanha eleitoral.
A nota também destacou que registros digitais podem auxiliar as autoridades na identificação de pessoas que utilizam contas ou endereços eletrônicos para praticar intimidações.
Procurada pelo g1, a Polícia Civil de Minas Gerais confirmou que o caso permanece em apuração. A corporação informou que novos detalhes poderão ser divulgados oportunamente.
Até o momento, não foram apresentados publicamente dados que permitam identificar o responsável pelo envio das ameaças.
Apesar das ameaças recebidas durante a campanha, Ana Elisa conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de 4 de outubro de 2026.
A candidata recebeu mais de 524 mil votos, ficando em segundo lugar na votação para deputado federal em Minas Gerais, atrás de Nikolas Ferreira (PL). O resultado também fez dela a mulher mais votada da história do estado para a Câmara e a deputada federal mais jovem já eleita no Brasil.
Nascida em 31 de agosto de 2005, em Divinópolis, Ana Elisa é estudante de Direito e ganhou projeção nacional por sua atuação nas redes sociais, onde aborda temas relacionados a direitos sociais, racismo, educação e participação política.
Antes de disputar sua primeira eleição, trabalhava como estagiária no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG), com remuneração de aproximadamente R$ 1.700.
Filha de uma professora negra que a criou sozinha, a jovem construiu sua presença política principalmente no ambiente digital. Durante a campanha, chegou a aproximadamente 1,9 milhão de seguidores no Instagram, ampliando seu alcance entre eleitores mais jovens.
O episódio envolvendo Ana Elisa não foi isolado. Em setembro, as políticas Bella Gonçalves (PT) e Andréia de Jesus (PT) também denunciaram ameaças de morte e violência sexual em Minas Gerais.
Os relatos apresentavam semelhanças, incluindo mensagens eletrônicas com referências a grupos supremacistas e exposição de informações pessoais das candidatas.
As denúncias foram encaminhadas às autoridades, com atuação da Polícia Federal e do Ministério Público Eleitoral de Minas Gerais na apuração dos episódios.
Com a eleição confirmada, Ana Elisa Santos Silva deverá assumir uma das cadeiras de Minas Gerais na Câmara dos Deputados em 1º de fevereiro de 2027.
A parlamentar eleita defende maior participação de jovens e pessoas negras nos espaços políticos e já manifestou a necessidade de modernizar a comunicação do PT com as novas gerações.
O caso das ameaças permanece sob investigação. A identificação do responsável e a eventual responsabilização criminal dependerão da apuração das autoridades competentes.
As denúncias também colocam em discussão a violência política de gênero e racial, especialmente contra mulheres que participam de disputas eleitorais e utilizam as redes sociais como instrumento de atuação pública.
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