Política / Eleições
Ana Elisa defende renovação da comunicação do PT e maior presença da esquerda nas redes sociais
Eleita deputada federal aos 21 anos com a maior votação entre as mulheres em Minas Gerais, petista participou de reuniões com a equipe de Lula para discutir estratégias digitais
08/10/2026
14:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos, defendeu nesta quinta-feira (8) uma mudança na forma como a esquerda brasileira se comunica com os eleitores, especialmente nas redes sociais. A parlamentar, que recebeu a maior votação entre as mulheres eleitas para a Câmara dos Deputados por Minas Gerais, afirmou que o campo político ainda pode ampliar sua presença nas plataformas digitais durante o segundo turno da eleição presidencial.
Em entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews, Ana Elisa avaliou que o resultado das urnas demonstrou a importância da comunicação digital para a formação de opiniões e a conquista de votos. Segundo ela, os partidos precisam abandonar práticas tradicionais que já não conseguem alcançar parte do eleitorado, principalmente os mais jovens.
“Na minha avaliação, ficou provado para todos aqueles que achavam que rede social não elegia, que rede social elege, e o recado do cansaço, não das pessoas mais velhas, mas do jeito velho de fazer política”, afirmou.
A deputada considera que a direita desenvolveu uma atuação mais consistente nas plataformas digitais desde as eleições de 2018, enquanto setores da esquerda demoraram a reconhecer a importância desses canais.
Para ela, entretanto, ainda existe espaço para mudanças na comunicação política antes da votação de 25 de outubro, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentará o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Após o primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Ana Elisa esteve em Brasília para compartilhar com integrantes da campanha presidencial a experiência adquirida durante sua própria disputa eleitoral.
Na terça-feira (6), a parlamentar e integrantes de sua equipe participaram de uma reunião com os responsáveis pela comunicação de Lula. Segundo ela, a conversa se estendeu até as 22h e abordou formas de ampliar o alcance das mensagens políticas nas redes sociais.
Antes desse encontro, Ana Elisa também se reuniu com o vice-presidente Geraldo Alckmin.
A deputada afirmou que suas sugestões foram recebidas positivamente e que percebeu mudanças na atuação digital dos dois políticos após as conversas.
“Nós conversamos com a equipe de comunicação do presidente Lula, que levou adiante tudo o que eu e minha equipe passamos”, declarou.
Embora reconheça que as redes sociais não sejam o único fator determinante em uma eleição, Ana Elisa entende que a presença digital precisa ocupar uma posição mais importante nas estratégias partidárias.
“Obviamente que rede social não é tudo, mas rede social é muita coisa e eu costumo dizer que o único lugar que nós perdemos foi as redes”, afirmou.
A avaliação é da parlamentar e reflete sua interpretação sobre o desempenho da esquerda no ambiente digital.
Outro ponto abordado pela deputada foi a necessidade de ampliar o diálogo político para além dos eleitores tradicionalmente identificados com o PT.
Ana Elisa considera que existem diferenças entre o eleitorado de direita e os apoiadores do movimento liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Na avaliação dela, o crescimento do bolsonarismo reduziu o espaço de outras correntes conservadoras na política nacional.
“A direita foi engolida pelo bolsonarismo”, declarou.
A parlamentar citou os eleitores de Renan Santos, candidato à Presidência pelo Partido Missão, e do deputado federal Kim Kataguiri como exemplos de grupos com os quais a esquerda poderia estabelecer diálogo.
Segundo Ana Elisa, parte desse eleitorado poderia considerar o voto em Lula no segundo turno, mesmo sem manifestar apoio público ao presidente.
Ela ressaltou, no entanto, que essa possibilidade representa uma avaliação pessoal e que não chegou a discutir a proposta com a coordenação da campanha presidencial.
A deputada também afirmou que divergências ideológicas não devem impedir o diálogo entre pessoas de diferentes posições políticas.
“Mesmo que o meu aspecto político ideológico seja de esquerda, é democrático que se exista em sociedade direita, mas o bolsonarismo não”, disse, ao estabelecer uma distinção entre as duas correntes.
Para Ana Elisa, a aproximação com eleitores que pensam de maneira diferente deve ocorrer por meio de conversas e apresentação de argumentos, sem ataques pessoais.
Eleita para a Câmara dos Deputados aos 21 anos, Ana Elisa também abordou a participação dos jovens nas decisões políticas e nas estruturas partidárias.
Segundo a parlamentar, existe uma percepção equivocada de que as novas gerações não se interessam por assuntos políticos. Ela considera que o problema está, em parte, na dificuldade de setores mais experientes em compartilhar conhecimento e abrir espaço para novas lideranças.
“Quando eu comecei a atuar só nas redes sociais, eu percebi que a juventude gosta muito de aprender. Mas talvez gerações que não são as nossas têm preguiça de ensinar, porque entende-se que política não é coisa pra gente da nossa idade, e é coisa pra gente da nossa idade”, afirmou.
Ana Elisa contou que seu interesse pela política começou ainda na infância, quando acompanhava a mãe, sindicalista, em manifestações e atividades ligadas ao movimento sindical.
A convivência com essas mobilizações, segundo ela, contribuiu para sua formação política e para o interesse em participar de debates sobre direitos sociais e representação popular.
A deputada também defendeu que o Partido dos Trabalhadores amplie as oportunidades para jovens assumirem posições de liderança.
Ela lembrou que o presidente Lula já havia defendido, no início do ano, a necessidade de rejuvenescimento do PT. Na avaliação da parlamentar, porém, essa orientação ainda não foi incorporada de maneira uniforme pelos integrantes da legenda.
Para Ana Elisa, a renovação partidária depende não apenas da presença de candidatos mais jovens nas eleições, mas também da participação efetiva dessas lideranças nas decisões políticas.
Sua própria eleição, segundo a deputada, demonstra que existe espaço para novas formas de atuação e comunicação com o eleitorado.
Durante a entrevista, Ana Elisa comentou os desafios que deverá enfrentar no exercício do mandato, especialmente em relação à violência política direcionada a mulheres negras.
A parlamentar relatou ter sido alvo de ameaças e episódios de violência política de gênero e raça, situações que passaram a fazer parte de sua trajetória pública.
Ao comentar o significado de sua eleição, afirmou que pretende representar grupos historicamente pouco presentes nos espaços de poder.
“Eu vivo um dia de cada vez, porque eu sei que eu sou o sonho mais sonhado da minha ancestralidade”, declarou.
Ana Elisa disse que pretende utilizar sua atuação no Congresso Nacional para incentivar a participação de outras mulheres negras e jovens na política institucional.
“Eu quero que daqui quatro anos eu tenha conseguido formar um exército de mulheres pretas eleitas aos 21 anos na Câmara dos Deputados Federais”, afirmou.
Além da defesa de mudanças na comunicação partidária, a deputada pretende trabalhar para ampliar a presença de jovens e mulheres negras nos espaços de decisão.
A eleição de Ana Elisa, que obteve a maior votação entre as candidatas à Câmara Federal em Minas Gerais, colocou a parlamentar entre os novos nomes do PT que ganharam projeção nacional após o primeiro turno.
Sua participação nas reuniões com a equipe de Lula também ampliou sua presença no debate sobre a comunicação política da legenda.
Com a disputa presidencial entrando na reta final, Ana Elisa sustenta que a esquerda precisa combinar atuação nas ruas, diálogo com diferentes setores da sociedade e maior presença nas plataformas digitais.
Para a deputada, o desafio vai além do resultado eleitoral de 2026 e envolve a capacidade dos partidos de renovar suas lideranças e estabelecer uma comunicação mais próxima das novas gerações.
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