Política / Repercussão
Flávia Oliveira chora na GloboNews após relato de deputada eleita pelo PT sobre racismo e ameaças
Comentarista se emocionou durante entrevista com Ana Elisa, de 21 anos, que recebeu mais de 524 mil votos em Minas Gerais e relatou ameaças de morte
08/10/2026
20:45
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A comentarista Flávia Oliveira se emocionou e chorou durante uma entrevista com a deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), exibida pela GloboNews nesta quinta-feira (8). O momento ocorreu quando a parlamentar de 21 anos falou sobre racismo, ameaças de morte e os desafios enfrentados por mulheres negras na política brasileira.
Eleita por Minas Gerais com mais de 524 mil votos no primeiro turno das eleições, realizado no domingo (4), Ana Elisa relatou ataques racistas e misóginos recebidos durante a campanha. Ao responder a uma pergunta de Flávia, a deputada associou as agressões à trajetória histórica de discriminação contra a população negra.
“A minha ancestralidade, a minha e a sua, é marcada por dor. Tenho certeza que hoje o lugar que você está é alvo de ameaças, de críticas. O nosso corpo é utilizado pelo Estado e pela sociedade como um alvo fácil”, afirmou.
A parlamentar acrescentou que as intimidações representam, em sua avaliação, uma tentativa de afastar pessoas negras dos espaços de participação e poder.
“O sonho destas pessoas é que nem eu, nem você, nem nenhum brasileiro que está tendo o direito de nos escutar aqui hoje, estivéssemos aqui. O sonho deles é que nós estivéssemos agora no pelourinho”, declarou.
Durante a entrevista, Ana Elisa reconheceu que teme pela própria segurança, mas afirmou que sua eleição representa uma conquista histórica para sua família e para outras mulheres negras.
“É óbvio que eu temo pela minha vida, mas eu vivo um dia de cada vez, porque eu sei que eu sou o sonho mais sonhado da minha ancestralidade. Tenho certeza que a minha ancestralidade nunca teve a oportunidade nem de falar, quanto mais chegar na Câmara dos Deputados Federais”, disse.
Enquanto Flávia Oliveira enxugava as lágrimas, a deputada continuou o relato e destacou o significado de chegar à Câmara dos Deputados aos 21 anos.
“Sou a primeira mulher negra, em 200 anos de Câmara, a chegar à Câmara com 21 anos. Então, mesmo que isso custe uma retaliação contra a minha vida, eu sei que eu vivi coisas que a minha ancestralidade nunca teve a oportunidade de viver”, afirmou.
A declaração ressaltou a importância que Ana Elisa atribui à própria trajetória política e à presença de jovens mulheres negras em cargos eletivos.
A jornalista Andréia Sadi, que também conduzia a entrevista, perguntou à deputada sobre as expectativas de sua geração e a relação dos jovens com a política.
Ana Elisa contestou a ideia de que a juventude brasileira não demonstra interesse pelos assuntos públicos. Segundo ela, sua experiência nas redes sociais mostrou disposição dos jovens para acompanhar debates e compreender questões políticas.
“As pessoas têm a percepção de que a nossa geração é desinteressada, não quer nada com a vida, que não gosta de política e, pelo contrário. Quando eu comecei a atuação nas redes sociais, eu percebi que a juventude gosta muito de aprender. Então nós temos hoje o objetivo de transmitir essa mensagem”, declarou.
A parlamentar também fez uma comparação com o tratamento dispensado aos jovens durante a ditadura militar e criticou discursos que, segundo ela, afastam as novas gerações das decisões políticas.
“Na época da ditadura militar, a juventude era tratada como uma juventude atrevida, e por isso foi torturada. Hoje, eles tratam como se a juventude fosse uma juventude desinteressada, e aí encosta a juventude do debate político”, afirmou.
Para Ana Elisa, a participação juvenil deve ser incentivada, especialmente nos espaços institucionais onde são discutidas políticas públicas.
Ao comentar seus objetivos para o mandato que terá início em 2027, a deputada afirmou que pretende incentivar a formação política de outras jovens negras e contribuir para ampliar sua representação no Congresso Nacional.
“Sou a primeira mulher negra da Câmara, eleita em 200 anos aos 21 anos de idade? Sou, mas eu quero que, daqui a quatro anos, eu tenha conseguido formar um exército de mulheres pretas eleitas aos 21 anos na Câmara dos Deputados Federais”, declarou.
A entrevista reuniu relatos sobre violência política, discriminação racial e participação da juventude. O momento em que Flávia Oliveira chorou destacou a carga emocional do depoimento e a discussão sobre os obstáculos enfrentados por mulheres negras na vida pública.
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