Eleições / Política
Mobilização pró-Lula no WhatsApp preocupa campanha de Flávio Bolsonaro
Crescimento de canais de apoiadores do presidente leva adversário a reforçar atuação digital e recorrer ao TSE contra conteúdos considerados falsos
10/10/2026
07:00
DA REDAÇÃO
A disputa pela Presidência da República ganhou força nas redes sociais após o primeiro turno das eleições de 2026. A mobilização digital de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, provocou uma reação na campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), que terminou a primeira etapa da votação à frente do adversário.
O principal foco de preocupação entre aliados de Flávio é o WhatsApp, plataforma em que a circulação de mensagens por grupos e conversas privadas dificulta o acompanhamento das campanhas. Enquanto os conteúdos publicados em redes abertas podem ser identificados e contestados rapidamente, o compartilhamento pelo aplicativo ocorre de maneira menos visível.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, os dois grupos políticos intensificaram a produção e a distribuição de materiais para mobilizar eleitores, disputar votos de candidatos derrotados e alcançar quem ainda não definiu sua escolha.
Uma das iniciativas que chamaram a atenção da campanha de Flávio foi a criação do canal Exército do Lula, no WhatsApp, pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).
Segundo os números divulgados, o canal passou de 50 mil para 3 milhões de seguidores desde o primeiro turno, ampliando a distribuição de conteúdos favoráveis ao presidente.
A estratégia inclui mensagens sobre propostas dos candidatos, críticas ao adversário e estímulos à participação dos eleitores na votação.
Integrantes da campanha de Flávio, ouvidos sob reserva, demonstraram preocupação com o alcance dessas publicações. Para um deles, o canal de Janones representa apenas uma parte da mobilização organizada por apoiadores de Lula.
A distribuição de materiais por aplicativos de mensagens, no entanto, também integra a estratégia dos aliados de Flávio Bolsonaro.
Em transmissão ao vivo realizada na quinta-feira (8), Flávio Bolsonaro afirmou que estaria sendo alvo de montagens e informações falsas nas redes sociais.
Durante a transmissão, o candidato convocou seus apoiadores a participarem do canal Tropa do Flávio, criado no WhatsApp para ampliar a comunicação direta com o eleitorado.
O deputado federal e senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO) também criticou a atuação digital de apoiadores de Lula. Ele classificou a iniciativa de Janones como “milícia digital”, acusou o PT de disseminar notícias falsas e defendeu uma reação mais intensa dos bolsonaristas.
O assunto foi discutido na quarta-feira (7), durante uma reunião organizada pelo PL com governadores e parlamentares eleitos.
No encontro, o responsável pelo marketing da campanha, Duda Lima, e o coordenador político Rogério Marinho (PL-RN) afirmaram que conteúdos falsos estariam sendo produzidos para prejudicar a candidatura.
Duda contestou especialmente publicações que associam uma eventual vitória de Flávio ao fim do Bolsa Família.
“Vocês sabem por que eles estão fazendo isso, gente? É uma estratégia que se usa para implementar medo”, declarou.
O marqueteiro também negou que o candidato pretenda acabar com o programa de transferência de renda.
Uma das principais frentes de confronto digital envolve as propostas econômicas de Flávio Bolsonaro.
A equipe responsável pela elaboração do programa econômico do candidato estuda medidas de ajuste fiscal que poderiam alcançar 2% do Produto Interno Bruto (PIB), valor estimado em aproximadamente R$ 250 bilhões, segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo.
Apesar de defender uma redução expressiva de despesas, Flávio afirma que não pretende fazer cortes que prejudiquem os mais pobres e os aposentados.
Integrantes do governo Lula questionam quais áreas do orçamento seriam atingidas pelas medidas.
A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, cobrou esclarecimentos sobre os efeitos do plano.
“Anunciar o tamanho da tesoura é fácil. O que precisa ser explicado é onde a tesoura vai passar e o que vai mudar na vida das brasileiras e dos brasileiros, na vida de quem depende de serviços públicos. Cadê a lista da tesoura?”, afirmou.
A campanha de Flávio, por sua vez, decidiu disponibilizar um site com informações sobre suas posições em temas que ganharam destaque nas redes sociais, incluindo o Bolsa Família, o Farmácia Popular e o Pé-de-Meia.
A iniciativa busca responder às publicações que associam o programa econômico do candidato à possível extinção desses benefícios.
Até a apresentação detalhada das propostas, o alcance efetivo dos cortes e seus possíveis impactos sobre os programas sociais permanecem sem definição pública.
A disputa também chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro apresentou uma ação afirmando que o candidato estaria sendo alvo de 16 grupos organizados para divulgar conteúdos falsos ou fora de contexto.
Na manifestação, os advogados alegam existir uma campanha coordenada de desinformação e solicitam providências da Justiça Eleitoral.
Entre as medidas judiciais adotadas na quinta-feira (8), o ministro André Mendonça determinou a remoção de publicações dos deputados André Janones e Lindbergh Farias (PT-RJ).
As postagens afirmavam que Flávio prepararia mudanças como aumento da idade mínima para aposentadoria, ampliação da jornada de trabalho e adoção de uma escala de trabalho denominada “7x0”.
Também foram determinadas retiradas de publicações do próprio Lula e da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, em decisões envolvendo os ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques.
As determinações judiciais tratam de conteúdos específicos e não significam que todas as críticas ou manifestações das campanhas tenham sido consideradas irregulares.
A campanha petista afirma que seus apoiadores também são atingidos por publicações falsas produzidas por adversários políticos.
A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) anunciou que pretende recorrer à Justiça contra o deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG).
Segundo ela, o parlamentar teria divulgado uma informação falsa envolvendo uma suposta proposta de fechamento de igrejas.
A deputada atribuiu a circulação desse conteúdo à reação dos adversários diante da mobilização de apoiadores de Lula.
As acusações feitas pelas duas campanhas dependem de análise individualizada, considerando o conteúdo das publicações e as decisões da Justiça Eleitoral.
A intensificação das campanhas digitais ocorre em um momento decisivo da eleição presidencial.
Com o segundo turno previsto para domingo, 25 de outubro, os candidatos procuram ampliar sua presença entre eleitores indecisos e aqueles que votaram em outros nomes no primeiro turno.
A circulação de mensagens em grupos privados representa um desafio adicional para o acompanhamento da propaganda eleitoral, especialmente quando conteúdos são compartilhados sem identificação clara de sua origem.
Enquanto os aliados de Lula reforçam a mobilização em canais e grupos, a campanha de Flávio amplia sua própria rede de distribuição e busca respostas judiciais para publicações que considera irregulares.
A disputa nas plataformas digitais deve permanecer entre os principais focos das duas candidaturas até a votação, com atenção especial às regras eleitorais e à verificação das informações divulgadas aos eleitores.
Enxugar repetições sobre a disputa digitalReforçar a cautela nas acusações eleitorais
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