Política / Eleições 2026
Kassab teme crise entre Flávio Bolsonaro e STF, mas aposta na estabilidade democrática
Presidente do PSD defende independência do partido no próximo governo, critica impeachment como bandeira política e admite avanço do PL nas eleições
09/10/2026
17:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que espera evitar uma crise institucional entre o Executivo e o Judiciário caso Flávio Bolsonaro (PL) vença o segundo turno da eleição presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para 25 de outubro. Apesar da preocupação com a tensão envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), o dirigente disse confiar na estabilidade da democracia brasileira.
Em entrevista, Kassab também sinalizou que o PSD pretende manter uma posição de independência, independentemente de quem vença a disputa presidencial. Segundo ele, o partido poderá apoiar propostas de interesse nacional tanto em um eventual governo de Flávio Bolsonaro quanto em uma nova administração de Lula.
A avaliação ocorre após o crescimento do PL no Congresso Nacional, especialmente no Senado, onde parlamentares eleitos defendem a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo.
“Eu torço para não haver nenhum caos institucional. Eu torço pela estabilidade das instituições, das relações. Eu confio muito na estabilidade da nossa democracia”, declarou.
O presidente do PSD reconheceu a existência de um ambiente de tensão entre setores do Congresso e integrantes do Judiciário, mas defendeu que as instituições continuem funcionando dentro de suas atribuições constitucionais.
Questionado sobre a disposição de senadores eleitos para apresentar pedidos de impeachment contra ministros do STF, Kassab afirmou que a fiscalização deve prevalecer sobre a utilização do afastamento de magistrados como objetivo político.
“Eu acho que impeachment não pode ser uma bandeira. Bandeira deve ser a postura correta, a fiscalização, a investigação, a transparência”, afirmou.
Para ele, a eventual apresentação de propostas de mudanças institucionais por Flávio Bolsonaro faz parte do debate democrático, desde que respeitados os procedimentos previstos na Constituição.
Kassab também declarou concordar com algumas mudanças discutidas para o Supremo, como a instituição de mandatos de dez anos para ministros e a elevação da idade mínima de ingresso na Corte para 60 anos.
O dirigente defendeu ainda regras de quarentena para determinadas atividades após a saída de integrantes do tribunal.
Apesar de integrar a estrutura administrativa do governo Lula por meio de filiados que ocupam ministérios, Kassab afirmou que o PSD mantém uma posição política independente.
Segundo ele, a legenda não pretende definir antecipadamente sua participação em uma futura administração federal.
“O que me agrada, em princípio, seja Lula ou Flávio, é o PSD ficar na posição de independência, ajudando os bons projetos que o governo possa ter”, declarou.
O dirigente lembrou que o partido liberou seus integrantes para apoiar qualquer um dos candidatos no segundo turno.
Enquanto Ronaldo Caiado, candidato presidencial do PSD no primeiro turno, declarou apoio a Flávio Bolsonaro, outros integrantes da legenda, como Otto Alencar, Antonio Brito e Eduardo Paes, apoiam Lula.
Kassab afirmou que essas diferenças não representam uma crise interna e que sua prioridade é preservar a unidade partidária.
Ele também ressaltou que qualquer presidente eleito precisará negociar com o Congresso para construir uma base parlamentar capaz de aprovar suas propostas.
Ao avaliar o desempenho de sua legenda nas eleições de 4 de outubro, Kassab reconheceu que os resultados ficaram abaixo das expectativas iniciais.
O PSD pretendia eleger aproximadamente 70 deputados federais, mas conquistou 43 cadeiras, cinco a menos do que possuía anteriormente.
No Senado, a bancada caiu de 14 para cinco integrantes. O partido também passou de seis para quatro governos estaduais, com possibilidade de conquistar mais um no segundo turno no Amazonas.
Apesar da redução de sua representação em algumas áreas, Kassab rejeitou a avaliação de que o resultado tenha representado uma derrota generalizada.
Segundo ele, o crescimento do PL afetou diretamente as demais legendas.
“Nossa expectativa era de fazer uns 70 deputados federais, fizemos 43. É fácil de explicar: o PL cresceu muito, fez quase 130 deputados, e para isso levou uns 15 de cada um dos partidos grandes”, afirmou.
O presidente do PSD também defendeu a decisão de lançar Ronaldo Caiado à Presidência da República, mesmo com o resultado de 2,18% dos votos válidos no primeiro turno.
Para Kassab, a candidatura permitiu reafirmar a identidade de centro do partido e oferecer uma alternativa à polarização entre Lula e Bolsonaro.
Na análise de Kassab, as eleições demonstraram uma ampliação da representação dos partidos de direita no Congresso Nacional.
O dirigente afirmou que a esquerda perdeu espaço político e que o PSD procurou manter distância da polarização presidencial.
Ele também reconheceu a força política de Lula, mas avaliou que novas lideranças deverão ganhar espaço nos próximos anos.
Entre os nomes mencionados está o ministro Guilherme Boulos (PSOL), apontado por Kassab como exemplo de renovação fora dos quadros do PT.
O presidente do PSD evitou, entretanto, antecipar conclusões sobre o futuro da esquerda antes do resultado do segundo turno.
Kassab também comentou sua relação com o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de cuja administração participou como secretário de Governo.
Ele negou que exista distanciamento político entre os dois, apesar de relatos de divergências entre aliados.
“Não precisa haver reaproximação porque estamos bem próximos. Mais próximo é impossível”, afirmou.
O dirigente destacou que, em São Paulo, integrantes do PSD mantêm uma posição majoritariamente favorável a Flávio Bolsonaro, acompanhando o alinhamento político do governador.
Sobre as eleições de 2030, Kassab evitou discutir antecipadamente possíveis candidaturas presidenciais.
Ele reiterou, porém, sua defesa do fim da reeleição para cargos do Executivo, proposta que também aparece nas discussões políticas relacionadas ao próximo mandato presidencial.
Na entrevista, o presidente do PSD voltou a defender mudanças no sistema político brasileiro.
Uma de suas propostas é a adoção do voto distrital misto, modelo que combina a escolha de representantes por regiões com a votação em partidos ou listas.
Segundo Kassab, o sistema poderia melhorar a representação territorial no Legislativo.
O dirigente também criticou o volume de recursos destinados às emendas parlamentares, que, conforme sua avaliação, favorecem práticas eleitorais inadequadas.
“Eu sou radicalmente contra elas. Não faz sentido termos R$ 70 bilhões por ano colocados de forma eleitoreira por parlamentares”, declarou.
Na área econômica, Kassab cobrou maior clareza dos candidatos sobre as medidas necessárias para garantir o equilíbrio das contas públicas.
Ele afirmou que tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro precisam apresentar respostas mais consistentes sobre a política fiscal e demonstrou preocupação com propostas que possam atingir inicialmente aposentados, pensionistas e pessoas de menor renda.
Com o segundo turno presidencial marcado para 25 de outubro, Kassab afirmou que o PSD pretende aguardar o resultado antes de discutir uma eventual participação no próximo governo.
O dirigente reconheceu que uma vitória de Flávio Bolsonaro poderá resultar em uma relação diferente com o Congresso, diante da ampliação da bancada do PL e de seus aliados.
Ainda assim, ressaltou que a aprovação de mudanças constitucionais exige maiorias qualificadas e negociação entre diferentes forças políticas.
Para Kassab, o principal desafio após a eleição será preservar o funcionamento das instituições e permitir que Executivo, Legislativo e Judiciário exerçam suas atribuições sem aprofundar os conflitos políticos.
A posição apresentada pelo presidente do PSD indica que a legenda pretende manter espaço de negociação com qualquer um dos candidatos, sem assumir antecipadamente um compromisso de integração à futura base governista.
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