Economia / Combustíveis
Governo Lula zera impostos federais sobre gasolina e amplia subsídios ao diesel e etanol
Medidas anunciadas a 16 dias do segundo turno terão impacto adicional estimado em R$ 5,2 bilhões em 30 dias; governo espera reduzir preços nas bombas
09/10/2026
12:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta sexta-feira (9), a ampliação das medidas de redução de custos dos combustíveis, com a isenção integral dos tributos federais sobre a gasolina, aumento da subvenção ao etanol e apoio adicional à importação de diesel. O pacote terá impacto estimado em R$ 5,2 bilhões durante 30 dias, segundo a equipe econômica.
A decisão foi divulgada a 16 dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. O governo afirma que as medidas são uma resposta à pressão dos preços internacionais do petróleo e nega relação com o calendário eleitoral.
Na gasolina, o benefício tributário passa de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro, zerando as cobranças de PIS/Cofins e Cide. A ampliação representa uma redução adicional de R$ 0,26 por litro na tributação federal, mas o efeito efetivo sobre o preço ao consumidor dependerá do repasse ao longo da cadeia de comercialização.
As medidas terão validade de 30 dias e, conforme o Ministério do Planejamento, poderão ser revistas de acordo com as condições econômicas e a disponibilidade de recursos.
A nova decisão amplia a redução tributária instituída inicialmente por decreto de 9 de setembro, também com vigência de 30 dias.
Com a mudança, a desoneração da gasolina chega a R$ 0,89 por litro, equivalente à eliminação dos tributos federais mencionados pelo governo.
O custo total estimado da medida é de R$ 2,4 bilhões em um mês, aproximadamente R$ 700 milhões a mais que o benefício anterior.
O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que o objetivo é evitar que a alta do petróleo no mercado internacional seja integralmente transferida aos consumidores.
“No caso da gasolina, a gente precisava renovar o decreto. Se não chegar aos preços pré-guerra, garantir um dispositivo adicional para que a gente mitigue os preços e temos expectativa de que isso seja repassado para a bomba”, declarou.
A redução dos tributos não significa, necessariamente, uma queda automática de R$ 0,89 no preço final, já que parte desse valor corresponde à desoneração anteriormente em vigor.
Para o etanol hidratado, o governo decidiu manter a desoneração tributária de R$ 0,19 por litro e ampliar a subvenção econômica destinada a produtores e cooperativas.
O incentivo, anteriormente fixado em R$ 0,25 por litro, passa para R$ 0,43, um acréscimo de R$ 0,18 por litro.
A finalidade apresentada pela equipe econômica é preservar a competitividade do biocombustível em relação à gasolina.
O custo estimado da desoneração tributária é de R$ 400 milhões por mês, enquanto a subvenção aos produtores representa aproximadamente R$ 800 milhões no mesmo período.
O pacote também prevê um incentivo extra de R$ 1,40 por litro para importadores de óleo diesel destinado ao transporte rodoviário.
Esse valor será acrescentado à subvenção de R$ 2,12 por litro já existente, elevando o apoio aos importadores elegíveis para R$ 3,52 por litro durante o período de vigência da nova medida.
O custo adicional estimado é de R$ 1,6 bilhão em 30 dias.
O secretário nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Renato Dutra, afirmou que a política também busca garantir o abastecimento interno.
Segundo ele, o governo mantém reuniões semanais com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e representantes do setor para acompanhar a oferta do produto.
“Essas reuniões têm sido importantes e nos permitem chegar hoje e afirmar que o abastecimento de óleo diesel no mês de outubro está garantido”, declarou.
De acordo com o secretário, a oferta de diesel está 6% acima da demanda projetada para o período.
Segundo os valores apresentados pelo governo, o impacto das medidas anunciadas nesta sexta-feira está distribuído da seguinte forma:
Gasolina e etanol: R$ 3,6 bilhões em 30 dias, considerando as medidas tributárias e as subvenções.
Diesel importado: R$ 1,6 bilhão de custo adicional no mesmo período.
Impacto total anunciado: R$ 5,2 bilhões em 30 dias.
O Ministério do Planejamento informou que a compensação virá de receitas extraordinárias da União relacionadas ao petróleo, cuja arrecadação aumentou com a valorização internacional da commodity.
A equipe econômica sustenta que essa fonte permitirá compensar o impacto fiscal do pacote.
“Todas as medidas são temporárias, valem apenas para 2026 e poderão ser revistas de acordo com a conjuntura e com a disponibilidade orçamentária e financeira”, informou o ministério.
A neutralidade fiscal anunciada pelo governo dependerá da efetiva arrecadação das receitas previstas e da execução das despesas e renúncias tributárias.
A ampliação dos benefícios ocorre durante a campanha do segundo turno, em um momento em que o preço dos combustíveis integra o debate econômico e eleitoral.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que o anúncio tenha sido definido em função da disputa presidencial.
“Não tem nenhuma mudança em relação ao timing eleitoral por conta do anúncio”, afirmou.
Segundo Durigan, a equipe econômica acompanha a evolução dos preços quase diariamente e procura utilizar o aumento da arrecadação relacionada ao petróleo para amenizar os efeitos da alta dos combustíveis sobre a população.
O governo atribui a pressão sobre os preços à guerra no Oriente Médio e às restrições na oferta internacional de petróleo.
Nesta sexta-feira, o barril do tipo Brent era negociado na faixa de US$ 104, segundo os dados apresentados no anúncio, patamar aproximadamente 60% superior ao registrado um ano antes.
A adoção de medidas tributárias para conter os preços dos combustíveis em ano eleitoral tem precedente recente no Brasil.
Em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, foram promovidas alterações na tributação dos combustíveis em meio à alta internacional do petróleo provocada pela guerra na Ucrânia.
Naquele período, o governo federal zerou temporariamente tributos sobre produtos como gasolina, etanol, diesel, biodiesel e gás de cozinha, além de apoiar mudanças nas regras de cobrança do ICMS, imposto estadual.
As medidas tiveram características e contextos econômicos distintos dos anunciados agora, mas também foram apresentadas como instrumentos para reduzir a pressão dos combustíveis sobre os consumidores.
Embora a equipe econômica espere queda nos preços, o valor efetivamente pago pelos motoristas dependerá de fatores como custos de produção e importação, distribuição, margens de revenda e tributos estaduais.
No caso do diesel, o governo também pretende preservar a regularidade do abastecimento, especialmente por sua importância no transporte de cargas e no funcionamento de diferentes atividades econômicas.
Com prazo inicial de 30 dias, o novo pacote será aplicado em meio à volatilidade internacional do petróleo e à reta final da campanha presidencial. Seu efeito sobre os preços ao consumidor dependerá da implementação dos incentivos e do repasse das reduções ao mercado.
As principais informações foram confirmadas em publicações desta sexta-feira, 9 de outubro, incluindo a Agência Brasil, a Reuters e o Ministério do Planejamento.
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