Justiça / Supremo Tribunal
Mendonça e Moraes ficam lado a lado em sessão que decide destino de relatório da PF
Presença dos dois ministros no plenário era discutida internamente; julgamento analisa material obtido no celular de Daniel Vorcaro no caso Banco Master
15/09/2026
10:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes participam lado a lado nesta terça-feira (15) da sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa o relatório da Polícia Federal produzido a partir de dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A disposição dos ministros segue a organização habitual das cadeiras no plenário. A presença simultânea dos dois, porém, era motivo de discussão interna na Corte até segunda-feira (14), diante das divergências surgidas durante a tramitação do caso.
Uma ala do Supremo defendia que Moraes não participasse presencialmente da sessão, sob o argumento de que sua permanência no plenário poderia gerar constrangimento aos demais ministros durante uma análise que envolve informações relacionadas ao próprio magistrado.
Do outro lado, ministros próximos a Moraes avaliavam apresentar uma questão de ordem para discutir a participação de André Mendonça no julgamento.
O argumento seria de que os questionamentos feitos sobre a forma como Mendonça conduziu o procedimento envolvendo o relatório da PF poderiam comprometer sua atuação na análise da própria validade da apuração.
Apesar das discussões anteriores, Moraes e Mendonça compareceram ao plenário e permaneceram lado a lado durante a sessão.
A presença física dos magistrados, por si só, não define necessariamente quem estará habilitado a votar em todas as questões submetidas ao plenário. Eventuais impedimentos, suspeições ou questões de ordem são tratados conforme o rito adotado pelo Tribunal.
A relação entre Moraes e Mendonça tornou-se mais tensa após a divulgação de documentos da Polícia Federal relacionados às mensagens encontradas no aparelho de Vorcaro.
Moraes acusou Mendonça de promover divulgação seletiva de documentos relacionados ao caso. Mendonça rejeitou a acusação e sustentou que sua atuação buscou apenas preservar informações que permaneciam protegidas por sigilo.
A divergência ultrapassou, assim, o conteúdo das mensagens e passou a envolver também a maneira como o material policial foi tratado dentro do Supremo.
A sessão analisa a Petição 16.662, que reúne elementos produzidos pela Polícia Federal a partir do aparelho apreendido de Daniel Vorcaro.
O material contém mensagens, documentos e referências a autoridades. Parte dessas informações levantou questionamentos sobre possíveis contatos e relações entre Vorcaro e Moraes.
O plenário precisa enfrentar, inicialmente, a controvérsia sobre a validade da apuração e a possibilidade de utilização do relatório da PF. A Procuradoria-Geral da República (PGR) sustenta a nulidade do procedimento conduzido por Mendonça.
A análise não representa, nesta etapa, um julgamento definitivo sobre eventual responsabilidade de Moraes. A discussão envolve a regularidade jurídica do procedimento, o aproveitamento dos elementos produzidos e os possíveis desdobramentos investigativos.
A sessão desta terça já é marcada por uma composição incomum. Dias Toffoli declarou suspeição por foro íntimo, enquanto Nunes Marques também ficou fora da votação. Em meio às divergências sobre o caso, a presença de Mendonça e Moraes lado a lado no plenário tornou-se mais um retrato da tensão interna provocada pelo caso Banco Master no Supremo.
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