Eleições / Presidência 2026
Aliados de Lula apontam três fatores para avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas
Crise no STF, investigações envolvendo Lulinha e falhas na distribuição de material eleitoral são apontadas por governistas para explicar aproximação do candidato do PL
14/09/2026
13:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atribuem a três fatores principais a redução da distância para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pela Presidência: a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), a repercussão das investigações relacionadas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e dificuldades operacionais enfrentadas pela campanha petista nos estados.
A avaliação ganhou força após a divulgação, nesta segunda-feira (14), da nova Pesquisa Quaest, que mostrou Flávio numericamente à frente de Lula em uma simulação de segundo turno. O senador aparece com 42%, contra 40% do presidente. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o resultado configura empate técnico.
Apesar dos números, integrantes da base governista procuram reduzir o peso do levantamento. Eles argumentam que o resultado da Quaest difere de pesquisas recentes, entre elas Datafolha, BTG/Nexus e levantamentos internos acompanhados pelo PT.
Mesmo com essa ressalva, aliados reconhecem fatores que podem estar contribuindo para manter a eleição apertada.
O primeiro ponto apontado pelo entorno presidencial é a crise instalada no Supremo Tribunal Federal.
Na interpretação de aliados de Lula, a sequência de conflitos e acusações envolvendo integrantes da Corte ganhou dimensão suficiente para interferir no ambiente eleitoral e teria provocado desgaste maior para o presidente do que para Flávio Bolsonaro.
O tema passou a ocupar espaço no debate político justamente quando outra preocupação voltou a crescer entre os brasileiros: a corrupção.
Na pesquisa Quaest desta segunda-feira, 22% dos entrevistados apontaram a corrupção como principal problema do Brasil. No começo de setembro, eram 14%, uma alta de oito pontos percentuais. A violência permanece em primeiro lugar, mencionada por 31%.
Para integrantes da base governista, a associação feita pela oposição entre crise institucional, corrupção e governo federal cria um ambiente eleitoral mais difícil para Lula.
O segundo fator citado é a exposição das investigações relacionadas a Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente.
Aliados avaliam que, independentemente do resultado das apurações, a presença recorrente do nome de Lulinha no noticiário oferece um argumento político aos adversários de Lula durante a campanha.
As investigações, por si só, não representam comprovação de irregularidade ou responsabilidade de Fábio Luís. Ainda assim, no cálculo político do grupo governista, a repercussão do caso pode produzir desgaste eleitoral para o presidente.
A preocupação aumenta diante do crescimento do tema corrupção entre os problemas mencionados pelos entrevistados nas pesquisas.
O terceiro fator identificado pelo entorno de Lula está dentro da própria campanha.
Segundo integrantes do grupo político do presidente, materiais eleitorais ainda não chegaram a alguns estados, prejudicando a mobilização de apoiadores e a presença física da campanha em determinadas regiões.
A avaliação é de que problemas de distribuição podem reduzir a capacidade das estruturas locais de promover Lula e seus candidatos aliados, especialmente em uma etapa da campanha em que a disputa começa a ganhar maior atenção do eleitorado.
Por isso, o diagnóstico interno não atribui a aproximação de Flávio exclusivamente a mudanças de preferência política. Parte do desempenho seria consequência de fatores conjunturais e de problemas operacionais que a campanha pretende corrigir nas próximas semanas.
Na pesquisa estimulada de primeiro turno divulgada nesta segunda-feira, Lula mantém a liderança com 36%, enquanto Flávio Bolsonaro alcança 31%.
Na rodada anterior, realizada uma semana antes, Lula também tinha 36%, enquanto Flávio aparecia com 29%. Com isso, a distância entre os dois passou de sete para cinco pontos percentuais.
Augusto Cury (Avante) aparece em terceiro, com 7%, seguido por Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), ambos com 4%. Romeu Zema (Novo) registra 1%.
É na simulação de segundo turno que o resultado provoca maior atenção dentro das campanhas.
A Quaest apresenta:
Flávio Bolsonaro (PL): 42%
Lula (PT): 40%
Branco, nulo ou não vai votar: 13%
Indecisos: 5%
Na pesquisa anterior, Lula e Flávio tinham 41% cada. Agora, o candidato do PL oscilou dois pontos para cima e o petista, um ponto para baixo.
Embora Flávio tenha assumido vantagem numérica, a diferença de dois pontos está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Portanto, os dois permanecem tecnicamente empatados.
A leitura dos aliados de Lula é de que o cenário ainda não representa uma tendência consolidada. O diagnóstico, porém, indica que a campanha presidencial deverá enfrentar simultaneamente o impacto da crise institucional, a exploração eleitoral de investigações envolvendo pessoas próximas ao presidente e a necessidade de reforçar sua estrutura de campanha nos estados nas próximas semanas.
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