Justiça / Investigação
Lindbergh pede à PGR quebra de sigilos de instituto ligado a André Mendonça
Deputado solicita investigação sobre contratos de R$ 2,01 milhões do Instituto Iter com órgãos públicos; representação diz não atribuir crime ao ministro do STF
13/09/2026
14:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo na Câmara, apresentou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido para que sejam analisadas as movimentações financeiras do Instituto Iter, entidade ligada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A representação solicita a quebra dos sigilos bancário e fiscal do instituto e pede a investigação de dois contratos firmados por contratação direta com órgãos públicos de São Paulo. Juntos, os acordos somam R$ 2,01 milhões.
A decisão sobre eventual abertura de investigação ou adoção das medidas solicitadas caberá à PGR, comandada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Um dos contratos questionados foi celebrado entre o Instituto Iter e a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), vinculada à Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.
O valor informado é de R$ 1,63 milhão.
O segundo acordo envolve a Prefeitura de São Paulo e tem valor de R$ 380 mil.
Segundo a representação apresentada por Lindbergh, os dois contratos foram realizados por contratação direta.
O pedido busca aprofundar a análise das circunstâncias das contratações e das movimentações financeiras relacionadas à entidade.
Na própria representação, Lindbergh ressalta que o pedido não significa acusação criminal contra André Mendonça ou qualquer outra pessoa.
“Não está atribuindo crime a quem quer que seja. Não se imputa conduta (delituosa) a magistrado”, afirma o documento.
Em outro trecho, o parlamentar sustenta que pretende provocar uma investigação a partir de informações disponíveis publicamente.
“O que se afirma é diverso e mais modesto: existe um conjunto de circunstâncias objetivamente verificáveis, todas extraídas de fontes públicas, que configura hipótese investigativa séria”, registra.
Portanto, não há, a partir da representação, conclusão de que Mendonça tenha cometido irregularidade. O documento apresentado pelo deputado constitui um pedido para que os fatos sejam analisados pelo Ministério Público.
Lindbergh também solicita que a PGR acione o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para elaboração de um Relatório de Inteligência Financeira (RIF).
O levantamento solicitado abrangeria o Instituto Iter, seus sócios e dirigentes no período dos fatos e pessoas jurídicas vinculadas a eles.
Segundo os termos da representação, a medida poderia alcançar informações relacionadas a André Mendonça devido à ligação apontada entre o ministro e o instituto.
O RIF é utilizado para identificar movimentações financeiras consideradas atípicas ou que mereçam análise pelas autoridades competentes. Sua existência, por si só, não comprova prática criminosa.
A apresentação da representação também não significa que os sigilos já tenham sido quebrados.
O pedido está submetido à avaliação da Procuradoria-Geral da República, que deverá analisar se existem fundamentos jurídicos e elementos suficientes para adotar providências, solicitar informações adicionais, aprofundar a apuração ou arquivar a representação.
Caso determinadas medidas dependam de autorização judicial, caberá ao órgão competente decidir sobre sua execução.
O pedido envolvendo o Instituto Iter surge em um momento de forte exposição de André Mendonça devido às controvérsias relacionadas à condução das investigações do Caso Master, mas os fatos descritos na representação de Lindbergh constituem uma frente distinta e devem ser analisados separadamente.
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