Política / Investigação
Papel apreendido cita “Mario” como “sócio” de empresa ligada à produção de Dark Horse
Organograma foi encontrado na casa de Karina Gama e menciona a Go Up nos Estados Unidos; documento tornou-se público após Flávio Dino retirar sigilo da investigação
13/09/2026
13:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Um organograma manuscrito apreendido na residência da empresária Karina Gama, responsável pela produtora de “Dark Horse” no Brasil, contém a anotação “Mario” associada à palavra “sócio” e à empresa identificada no documento como “Goup USA”.
O papel foi localizado durante uma operação da Polícia Civil de São Paulo, realizada em 1º de junho de 2026, e passou a integrar o inquérito sobre suspeitas envolvendo recursos públicos e empresas relacionadas à produção da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O documento tornou-se público neste domingo (13), depois que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a centralização das investigações na Corte e retirou o sigilo dos autos.
Apesar da anotação, não há no inquérito, conforme o material divulgado, relatório da Polícia Civil que estabeleça o significado do organograma ou conclua que a referência a “Mario” corresponda ao deputado federal Mario Frias (PL-SP). Também não há, a partir desse papel isoladamente, comprovação de que o parlamentar seja formalmente sócio da empresa norte-americana.

O organograma estava dentro de uma pasta apreendida na residência de Karina Gama, presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e proprietária da produtora brasileira envolvida com “Dark Horse”.
Além da referência a “Mario”, o papel contém outros nomes, empresas e anotações cuja finalidade ainda não está esclarecida nos documentos divulgados.
A investigação, no entanto, reúne outros elementos envolvendo Frias, Karina e empresas relacionadas à produção do filme.
Ao retirar o sigilo, Dino registrou que o parlamentar aparece reiteradamente na linha investigativa e que, em caráter hipotético, poderia ocupar posição de comando na estrutura sob apuração.
“Há a alusão reiterada, no itinerário delituoso, a um deputado federal, o Sr. Mario Frias, que no terreno hipotético da investigação ocuparia um papel de liderança na suposta arquitetura criminosa”, escreveu o ministro.
A expressão utilizada por Dino deixa claro que se trata de hipótese investigativa, e não de conclusão judicial sobre a responsabilidade do deputado.
Segundo as informações constantes da investigação, Mario Frias não ocupa formalmente posição societária na estrutura empresarial responsável pelo financiamento e pela produção do filme.
A Go Up Entertainment possui uma operação brasileira comandada por Karina Gama e uma estrutura nos Estados Unidos, na qual Michael Davis aparece como sócio majoritário.
Apesar disso, os investigadores analisam uma série de relações financeiras envolvendo Frias e empresas vinculadas ao projeto.
Como deputado federal, ele destinou emenda parlamentar ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina. A PF identificou indícios de que parte dos valores posteriormente pagos a fornecedores teria chegado à Go Up.
A investigação também identificou transferências superiores a R$ 600 mil realizadas por Frias, como pessoa física, para a conta da produtora.
Segundo os elementos divulgados, a empresa também teria pago R$ 136 mil em faturas de cartão de crédito atribuídas ao parlamentar.
Frias aparece ainda nos créditos de “Dark Horse” como produtor executivo.
Outra frente da investigação apura a participação de uma assessora de seu gabinete na produção cinematográfica enquanto ela recebia remuneração da Câmara dos Deputados.
Esses elementos estão sendo analisados conjuntamente para determinar a natureza das relações financeiras e profissionais existentes entre o parlamentar, as entidades e as empresas.
O organograma apreendido também contém referências a outras três pessoas jurídicas controladas por Karina Gama.
Uma delas é o Instituto Conhecer Brasil, que possui contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo.
Outra é a G07 Assessoria, que, conforme os dados da investigação, recebeu R$ 1 milhão de um fornecedor do ICB e posteriormente transferiu R$ 2,5 milhões para a Go Up.
Também aparece a Academia Nacional de Cultura (ANC). Segundo a apuração, a entidade recebeu R$ 6,1 milhões provenientes de fornecedores do ICB durante o período relacionado às gravações do filme.
A movimentação desses recursos é uma das linhas examinadas pelas autoridades para verificar se dinheiro público percorreu empresas e entidades interligadas e se parte dos valores acabou direcionada à produção de “Dark Horse”.
A anotação manuscrita que associa “Mario” à condição de “sócio” da “Goup USA” acrescenta um novo elemento documental ao inquérito, mas não comprova isoladamente sociedade empresarial, participação em crime ou propriedade da empresa.
O significado do organograma, sua autoria e as circunstâncias em que foi elaborado ainda precisam ser esclarecidos pela investigação.
Com a centralização determinada por Flávio Dino, os elementos reunidos pela Polícia Civil paulista e pela Polícia Federal passam a ser analisados conjuntamente no STF.
Mario Frias nega irregularidades. Após a operação realizada na quinta-feira (10), o deputado classificou a investigação como uma “cortina de fumaça”, afirmou estar disposto a apresentar documentos às autoridades e declarou confiar no arquivamento do caso.
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