Justiça / Supremo
PF diz que pode entregar a ministros do STF cópia integral dos dados do celular de Vorcaro
Corporação afirma ter condições de reproduzir imediatamente o material com certificação de integridade; Fachin ainda terá de definir alcance do acesso aos dados
13/09/2026
10:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Polícia Federal (PF) informou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que possui condições técnicas para fornecer aos ministros da Corte cópias integrais dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preservando os mecanismos de controle da cadeia de custódia.
A manifestação foi encaminhada neste domingo (13) depois de Fachin questionar formalmente a corporação sobre a possibilidade de compartilhamento do material. A discussão ganhou importância às vésperas da sessão extraordinária prevista para terça-feira (15), quando o Supremo deverá analisar questões relacionadas às investigações do Caso Master.
Os ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes defenderam que os integrantes da Corte tenham conhecimento do conjunto dos dados antes da deliberação.
A resposta da PF indica que não existe impedimento técnico para a reprodução do conteúdo, mas a efetiva disponibilização aos ministros depende de determinação do Supremo e das restrições decorrentes do sigilo.
Na manifestação enviada a Fachin, a PF identifica o aparelho que originou os dados analisados na investigação.
“O aparelho celular a que se referem os autos, 01 (um) telefone celular marca APPLE, modelo IPHONE 17 PRO [...] foi apreendido em 18/11/2025, no âmbito da primeira fase da Operação Compliance Zero”, registra a corporação.
Por segurança e por não serem necessários à compreensão jornalística do caso, números de série e identificadores IMEI do aparelho não precisam ser reproduzidos na publicação.
O telefone foi apreendido durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, investigação que posteriormente deu origem a um grande volume de dados digitais relacionados a Vorcaro e às operações do Banco Master.
Segundo a corporação, é possível produzir uma cópia para cada ministro com as mesmas características técnicas daquela anteriormente encaminhada ao gabinete do ministro André Mendonça.
A PF afirma possuir “plenas condições técnicas” para realizar o procedimento imediatamente.
Cada cópia poderá receber lacre individual e certificação por meio do código hash SHA-256, mecanismo utilizado para verificar a integridade de arquivos digitais.
Na prática, o código permite conferir se o conteúdo entregue corresponde ao material original e se houve alguma modificação posterior.
A informação da PF elimina, portanto, eventual obstáculo exclusivamente técnico para o compartilhamento. Permanecem sob decisão do STF as questões jurídicas envolvendo acesso, finalidade e preservação do sigilo.
Outro ponto da manifestação trata diretamente da origem do envio de uma cópia ao gabinete de André Mendonça.
A corporação esclareceu que a remessa não ocorreu espontaneamente.
“Cumpre esclarecer, com a devida vênia, que o encaminhamento da cópia ao Gabinete do Ministro André Mendonça não decorreu de iniciativa espontânea da Polícia Federal, mas de solicitação daquele Gabinete”, informou.
A PF também indicou o procedimento administrativo no qual a solicitação teria sido formalizada.
O esclarecimento ocorre em meio às divergências sobre a forma de acesso ao material apreendido durante a investigação e sobre a preservação dos dados originais sob cadeia de custódia da Polícia Federal.
Com a resposta da PF, a questão passa a depender de decisão do presidente do Supremo.
Fachin já indicou a necessidade de disponibilização de informações aos demais integrantes da Corte, observadas as cautelas impostas pelo sigilo e pela natureza do conteúdo investigativo.
Isso significa que a resposta para a pergunta sobre Alexandre de Moraes ainda depende do alcance da determinação que vier a ser tomada.
A manifestação da PF, por si só, não confirma que Moraes receberá acesso integral aos dados. Ela estabelece que a corporação possui capacidade técnica para fornecer cópias idênticas aos ministros caso o Supremo assim determine.
A questão é especialmente sensível porque informações extraídas do telefone de Vorcaro passaram a integrar discussões envolvendo o próprio Moraes.
O conteúdo extraído dos aparelhos de Vorcaro tornou-se uma das peças centrais das investigações relacionadas ao Banco Master e das recentes divergências internas no STF.
Parte da controvérsia envolve justamente quem pode acessar o material, quais informações devem permanecer protegidas e em que condições os ministros poderão analisá-lo antes das decisões do plenário.
A PF sustenta que consegue fornecer reproduções tecnicamente verificáveis sem comprometer a integridade da prova original.
Com isso, Fachin passa a ter uma resposta técnica positiva da Polícia Federal para autorizar o compartilhamento. A decisão sobre quem receberá o material, inclusive se Alexandre de Moraes terá acesso à íntegra dos dados extraídos do telefone de Vorcaro, permanece nas mãos da Presidência do Supremo.
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