Justiça / Supremo
Gilmar Mendes pede à PF íntegra dos dados extraídos do celular de Vorcaro
Decano do STF afirma que ministros devem ter igualdade de acesso ao material que será analisado na terça-feira; pedido foi enviado diretamente ao diretor-geral da PF
13/09/2026
17:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu neste domingo (13) à Polícia Federal (PF) uma cópia integral da mídia extraída do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
O pedido foi encaminhado diretamente ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e envolve o material utilizado na Petição 16.662, incluída na pauta da sessão extraordinária do plenário marcada para terça-feira (15).
Na sessão, os ministros deverão analisar questões relacionadas à possível abertura de investigação sobre supostos contatos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
No ofício, Gilmar identifica o conteúdo solicitado como a mídia obtida do aparelho analisado no Laudo nº 4.281/2025, elaborado pela Polícia Federal em São Paulo.
Dados dessa extração serviram de fonte para conversas reproduzidas nos elementos informativos que chegaram ao STF e passaram a integrar a discussão sobre o caso.
O decano sustenta que todos os integrantes do plenário precisam ter condições equivalentes para analisar o material que poderá influenciar a decisão de terça-feira.
A posição ganhou força depois que a própria Polícia Federal comunicou ao presidente do STF, Edson Fachin, que dispõe de condições técnicas para fornecer “de imediato” cópias idênticas da extração aos ministros que as solicitarem.
Segundo as informações apresentadas pela corporação, as reproduções podem ser preparadas com preservação da cadeia de custódia, individualização dos lacres e certificação de integridade.
Esses procedimentos permitem verificar tecnicamente se as cópias entregues correspondem ao conteúdo extraído do aparelho.
A PF também esclareceu anteriormente que o material enviado ao gabinete do ministro André Mendonça, em março de 2026, era uma cópia solicitada pelo próprio gabinete. O material original, segundo a corporação, permaneceu sob custódia da Polícia Federal.
O principal argumento apresentado por Gilmar é o caráter colegiado do julgamento.
Para o ministro, se um integrante do plenário teve acesso ao conjunto de informações que fundamenta a análise, os demais julgadores também devem poder consultar o mesmo conteúdo antes de decidir.
O entendimento se contrapõe à posição manifestada neste domingo por André Mendonça.
Mendonça afirmou que o material necessário especificamente ao julgamento do dia 15 de setembro já estaria disponível e argumentou que acrescentar a íntegra dos dados do celular neste momento poderia “tumultuar o julgamento” e colocar em risco o prosseguimento das investigações.
Gilmar não é o único ministro a defender acesso amplo ao conteúdo.
Neste domingo, Cristiano Zanin determinou que a Polícia Federal forneça até as 23h a cópia integral dos dados solicitados. Alexandre de Moraes também havia manifestado interesse em receber o material.
Zanin argumentou que não pode ser imposta aos julgadores restrição de acesso às informações necessárias ao exercício da função jurisdicional, destacando que todos os ministros estão submetidos ao dever de sigilo.
O debate, portanto, diz respeito ao acesso interno dos ministros aos dados sob proteção judicial, e não à divulgação pública da íntegra do celular de Vorcaro.
A extração do aparelho tornou-se um dos pontos centrais da crise interna no Supremo depois que partes do material passaram a ser divulgadas em procedimentos relacionados ao Caso Master.
As informações disponíveis incluem referências a contatos atribuídos a Vorcaro com autoridades. A existência dessas referências, isoladamente, não comprova irregularidades nem permite concluir pela responsabilidade das pessoas mencionadas.
Com os pedidos de Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e outros integrantes da Corte, cresce a pressão para que o plenário tenha acesso ao mesmo conjunto de dados antes da sessão de terça-feira.
A discussão agora envolve não apenas quais informações deverão ser consideradas no julgamento, mas também se todos os ministros terão acesso à mesma base documental antes de decidir sobre a possível abertura de investigação envolvendo Alexandre de Moraes.
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