Justiça / Supremo Tribunal
Celular de Vorcaro amplia disputa no STF antes de julgamento sobre Moraes
Zanin e Gilmar Mendes cobram acesso integral aos dados do banqueiro antes da sessão que analisará mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro
14/09/2026
07:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A disputa em torno dos dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, aumentou a tensão dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) às vésperas da sessão extraordinária marcada para terça-feira (15). Os ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes solicitaram à Polícia Federal (PF) acesso à íntegra do material antes do julgamento que discutirá mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e ao empresário.
O conteúdo do aparelho integra o conjunto de informações relacionado à Petição nº 16.662, que está na pauta do plenário. A discussão sobre quem deve ter acesso aos arquivos ganhou força durante o fim de semana, após o ministro André Mendonça se posicionar contra a disponibilização integral do material antes da sessão.
No domingo (13), Zanin determinou que a Polícia Federal encaminhasse até as 23h uma cópia completa dos dados extraídos do celular de Vorcaro. Depois, Gilmar Mendes também pediu à corporação acesso à mídia, por meio de ofício encaminhado ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
A posição dos dois ministros contraria a avaliação de Mendonça, que sustentou que a divulgação do conteúdo antes do julgamento poderia “tumultuar” a sessão. O ministro informou que possui em seu gabinete cópias intactas dos documentos, ainda não examinadas por ele, enquanto os arquivos originais continuam sob responsabilidade da Polícia Federal.
Ao determinar o envio do material, Cristiano Zanin também comunicou a decisão ao presidente do STF, Edson Fachin. O ministro argumentou que os integrantes do plenário precisam conhecer o conteúdo completo para analisar adequadamente o processo.
A decisão foi tomada após a própria Polícia Federal informar que possui condições técnicas para produzir e encaminhar imediatamente cópias idênticas da extração, respeitando as determinações judiciais e as regras de sigilo.
“Considerando que não se pode opor aos julgadores qualquer restrição ao acesso a informações, até porque todos eles estão submetidos ao dever de sigilo e de bem desempenhar suas funções, com imparcialidade e independência”, afirmou Zanin.
Em resposta a um pedido de esclarecimentos feito por Fachin, a Polícia Federal informou que os dados originais extraídos do aparelho continuam sob custódia da corporação.
Segundo a PF, o conteúdo enviado ao gabinete de André Mendonça, em março, corresponde a uma cópia produzida após solicitação do próprio gabinete. O material original, portanto, não teria deixado a custódia da instituição.
O aparelho apreendido é um Apple iPhone 17 Pro, recolhido em 18 de novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.
A corporação afirmou ainda que pode fornecer cópias idênticas aos demais gabinetes do Supremo que solicitarem acesso, desde que sejam observadas as cautelas relacionadas ao sigilo da investigação.
Paralelamente à disputa sobre o celular de Vorcaro, Alexandre de Moraes pediu na noite de domingo a retirada integral do sigilo de outro inquérito relacionado ao caso Master.
Segundo Moraes, haveria “elementos essenciais” para o julgamento de terça-feira que não foram tornados públicos por André Mendonça. O ministro solicitou que essas informações sejam disponibilizadas aos demais integrantes da Corte.
Após receber o requerimento, Edson Fachin pediu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste “com a brevidade” sobre o pedido.
A crise ganhou força em 1º de setembro, quando André Mendonça, então relator do caso Master, retirou o sigilo de parte da investigação em que aparece o nome de Alexandre de Moraes. Um relatório da Polícia Federal revelou supostas mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro.
Moraes reagiu pedindo investigação contra Mendonça e acusando o colega de perseguição com motivação política. Também apresentou relatórios de inteligência da PF que apontariam suspeitas sobre a conduta do ministro.
Mendonça, por sua vez, determinou o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal e questionou a legalidade dos relatórios. O ministro sustentou que teria ocorrido monitoramento irregular relacionado às investigações do caso Master.
Andrei contestou a decisão em outro procedimento relacionado ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, sob relatoria do ministro Flávio Dino. Dino determinou sua recondução ao cargo.
Diante do confronto, Edson Fachin passou a adotar medidas diretamente relacionadas aos processos. O presidente do Supremo negou o pedido de Moraes para investigar Mendonça e retirou de Moraes a relatoria do Inquérito das Fake News, assumindo sua condução.
Fachin também suspendeu as decisões conflitantes de Mendonça e Flávio Dino relacionadas ao comando da Polícia Federal, mantendo, na prática, Andrei Rodrigues no cargo enquanto analisa a controvérsia.
Posteriormente, determinou a retirada do sigilo do processo referente ao Banco Master e assumiu a relatoria do procedimento que envolve as mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro.
O presidente da Corte determinou ainda que as petições envolvendo as suspeitas de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e no Banco Master, juntamente com os processos relacionados, fossem remetidas à Presidência do Supremo. As investigações estavam sob responsabilidade de André Mendonça.
Com isso, esses procedimentos permanecem sem avanço até nova definição sobre as relatorias. No curto prazo, porém, a atenção do STF estará concentrada na sessão de terça-feira (15), quando os ministros deverão analisar a validade do relatório da PF e o material relacionado às supostas mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
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