Justiça / Supremo Tribunal
Ex-ministros e representantes da sociedade civil apoiam Fachin e cobram reformas no STF
Carta defende apuração imparcial da crise na Corte, transparência nas investigações e mudanças para prevenir conflitos de interesse entre ministros
14/09/2026
06:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Um grupo formado por ex-ministros de Estado, economistas, empresários, jornalistas e representantes da sociedade civil divulgou neste domingo (13) uma carta de apoio ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, em meio à crise interna provocada pelas acusações envolvendo integrantes da Corte.
O documento manifesta respaldo às providências adotadas por Fachin para preservar a autoridade institucional do Supremo e defende uma investigação “rigorosa e imparcial” sobre as acusações que vieram a público nas últimas semanas. Os signatários também cobram transparência na apuração e na sessão extraordinária prevista para terça-feira (15).
Entre os nomes que assinam a manifestação estão os ex-ministros Pedro Malan, Armínio Fraga, Miguel Reale Jr. e José Eduardo Cardozo, além do economista Pérsio Árida e do jornalista Eugênio Bucci.
Para os signatários, esclarecer os fatos e responsabilizar eventuais envolvidos são medidas necessárias para recuperar a confiança nas instituições. A carta relaciona diretamente essa apuração à preservação do regime democrático.
“A apuração dos fatos e a responsabilização daqueles que eventualmente violaram a lei e a dignidade de seus cargos são indispensáveis para que possamos recobrar a confiança nas instituições e preservar nossa democracia”, afirma o documento.
Além de apoiar as medidas tomadas por Fachin, o grupo defende mudanças institucionais no próprio STF. Entre os pontos apresentados estão o fortalecimento das decisões colegiadas, mecanismos destinados a assegurar a imparcialidade dos julgamentos, prevenção de conflitos de interesse e maior transparência sobre a atuação dos integrantes da Corte.
Os signatários também defendem padrões mais rigorosos de conduta e ampliação dos mecanismos de controle social sobre o Supremo.
“Entendemos, ainda, que a superação dessa crise exigirá reformas institucionais urgentes, capazes de fortalecer a colegialidade, assegurar a imparcialidade dos julgamentos, prevenir conflitos de interesse, estabelecer padrões rigorosos de conduta e ampliar a transparência e o controle social sobre a Corte e seus integrantes”, diz outro trecho.
A manifestação ocorre em meio a uma crise que atinge o STF há cerca de duas semanas. O episódio ganhou dimensão após a divulgação de conversas atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso sob acusação de fraudes financeiras, envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
Na sequência, Moraes encaminhou acusações contra o ministro André Mendonça no âmbito do inquérito das fake news. O relatório apontou supostas condutas que, em tese, poderiam envolver improbidade administrativa, abuso de autoridade e favorecimento de determinados grupos políticos.
Com o agravamento do confronto entre os dois ministros, Edson Fachin decidiu retirar de Alexandre de Moraes a relatoria do inquérito das fake news.
O próximo capítulo da crise está previsto para terça-feira (15), quando o Supremo tem sessão plenária extraordinária marcada para discutir a possibilidade de abertura de investigação sobre as supostas relações entre Moraes e Daniel Vorcaro.
Outra sessão está prevista para 23 de setembro, desta vez para analisar o pedido de investigação contra André Mendonça. Segundo Fachin, o procedimento envolvendo o ministro ainda se encontra em fase de instrução e, neste momento, não reúne todos os elementos necessários para apreciação pelo plenário.
A S. Ex.ª o Ministro Edson Fachin
Presidente do Supremo Tribunal Federal
Brasília, 13 de setembro de 2026
Senhor Ministro Presidente,
Os cidadãos e representantes da sociedade civil abaixo assinados vêm manifestar seu integral apoio às medidas adotadas por V. Ex.ª, com o objetivo de preservar a autoridade do Supremo Tribunal Federal e promover, sob a estrita observância do devido processo legal, a mais rigorosa e imparcial apuração dos fatos e das gravíssimas acusações que vieram a público nas últimas semanas.
Para isso, é fundamental assegurar ampla transparência às investigações e à sessão plenária marcada para o próximo dia 15 de setembro, que deve ocorrer de forma pública, nos termos do artigo 93, IX, da Constituição Federal.
Estamos vivendo a mais grave crise da história do Supremo Tribunal Federal e certamente uma das mais graves de nossa acidentada história republicana. A apuração dos fatos e a responsabilização daqueles que eventualmente violaram a lei e a dignidade de seus cargos são indispensáveis para que possamos recobrar a confiança nas instituições e preservar nossa democracia.
Entendemos, ainda, que a superação dessa crise exigirá reformas institucionais urgentes, capazes de fortalecer a colegialidade, assegurar a imparcialidade dos julgamentos, prevenir conflitos de interesse, estabelecer padrões rigorosos de conduta e ampliar a transparência e o controle social sobre a Corte e seus integrantes.
O Supremo Tribunal Federal não pode deixar que sua jurisdição seja capturada por interesses escusos, de natureza pessoal, política ou econômica, que atentem contra nossa democracia constitucional.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Celular de Vorcaro amplia disputa no STF antes de julgamento sobre Moraes
Leia Mais
Horóscopo de hoje: segunda-feira abre a semana com decisões, acordos e novos caminhos
Leia Mais
Gilmar Mendes pede à PF íntegra dos dados extraídos do celular de Vorcaro
Leia Mais
Mendonça rejeita acesso integral a celular de Vorcaro e alerta para risco às investigações
Municípios